Terça, 10 De Julho De 2018

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A História do RPG no Brasil 3/3: A Queda

RPG é um jogo estranho.

Ele mistura criatividade, teatro, literatura e dados estranhos com números estranhos que nos leva a aventuras ainda mais estranhas. O jogo, para o bem ou para o mal, chamou atenção do público.

Foi exatamente com essas palavras que eu terminei a segunda parte dessa série de textos contando a história do RPG no Brasil. E o que eu quis fazer é: Se o hobby foi tão popular, como eu, um adolescente de 14, 15 anos nunca ouvi falar ou mesmo joguei isso?

Políticagem.

Tudo é sobre poder.
Naquele tempo, ainda não era o tempo de Internet (e mesmo assim, fizeram coisas gloriosas, como a primeira tentativa de um live action de escala nacional), então as pessoas eram ainda mais facilmente influenciadas.
RPG é um jogo estranho. E chamou atenção, para o bem ou para o mal. Não dá para se esperar que todos os leigos entendam perfeitamente o que se está acontecendo como em um jogo de tabuleiro, ou mesmo esperar que seja coisa boa. E o RPG sofreu exatamente do mesmo mal que alguns vídeo-games sofreram: Censura. Proibição.
Carmageddon, Postal, Doom, Duke Nukem 3D… Esses são só exemplos de jogos que chegaram a ser proibidos oficialmente no Brasil; e os mesmos responsáveis por isso, no momento em que botaram os olhos no RPG, travaram o próximo alvo e só precisaram de um simples motivo. Qualquer coisa para que pudessem faturar em cima disso.
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Crimes

Um famoso caso em território nacional ocorreu na cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, e até hoje deixa um gosto amargo na boca de quem era amante do Hobby naquela época. Uma jovem estudante universitária foi encontrada morta em cima de um túmulo do cemitério Nossa Senhora das Mercês, com 17 facadas no corpo, na madrugada do dia 14 de outubro de 2001.
A promotoria relacionou o caso ao jogo Vampiro a Máscara; e logo o RPG caiu nas más línguas, sendo associado à Satanismo e rituais até mesmo em jornais de rede nacional. E à partir daí, começaram à fazer outras associações em outros casos também.
Em 2000, duas jovens foram estupradas, torturadas e estranguladas na cidade de Teresópolis, no Rio de Janeiro. O jogo foi relacionado ao crime pois uma garota convivia com jogadores de RPG. Um jogador foi preso injustamente, e mais tarde descobriu-se que o assassino era um cigano que nunca havia tido contato com qualquer material referente ao RPG.
Com a associação do RPG nesses casos, é apenas óbvio que grandes marcas, que antes patrocinavam eventos, queriam tirar seu nome da reta. Sem patrocínio, e com problemas judiciais, o RPG entrou em uma luta para sobreviver.
E sobreviveu precariamente. Depois de lutas judiciais de diversas editoras, foi-se acertado que o lançamento de RPGs seria permitido somente se passasse pelas devidas inspeções estatais. A morosidade do sistema público, proposital ou não, unido das más línguas que até hoje difamam o hobby e da falta de incentivo, tornaram-se quase que impossíveis a sobrevivência do meio.
Com a chegada da Era da Internet, os poucos meios que ainda existiam, como a extinta (e já reerguida, saiba mais) Dragão Brasil, fez com que as pessoas… Seguissem em frente. O foco se tornou outro; animes e vídeo-games se tornaram mais mainstream na mídia, em detrimento do velho avô que é o RPG
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Mas nem tudo está perdido.

Com o foco mainstream agora sendo séries e sites de streaming, uma série apareceu para dar um sopro de luz no universo RPGístico. Stranger Things é uma série original da Netflix, onde em seu primeiro episódio é mostrado seus protagonistas jogando uma partida de D&D e falando de outras nerdices.
Isso, embora não pareça muito, foi o suficiente para causar uma certa mudança em relação ao jogo, aumentando a procura sobre ele, mesmo que para adquirir algumas informações. Talvez quando se fale em “RPG” hoje, cause estranheza, mas quando se diz “aquele jogo que aparece em Stranger Things”, é possível ouvir um sonoro “Ahh” em resposta.
Com o advento do Financiamento coletivo, editoras menores e novas no mercado estão ousando mais e fazendo lançamentos de edições atuais de RPGs, e a comunidade, apesar de ainda estar muito fragmentada, abandonada do mainstream, parece estar se organizando para se tornar algo grande novamente.
Embora os textos tenham somente 3 partes, quero fazer um último texto de ponderação sobre a atual situação do mercado no Brasil, e achei melhor fazer isso em outro post, uma vez que isso não muito tem a ver com a ideia original de apenas relatar a história do jogo no Brasil.
Nos vemos lá.

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