S√°bado, 22 De Dezembro De 2018

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Coluna De Sete Faces

Estava j√° vestindo minha camisa florida e a bermuda estampada e tomando o caminho pra praia quando meu editor ligou pedindo a √ļltima coluna do ano. ‚ÄúMas chefe‚ÄĚ, tentei argumentar, ‚Äúningu√©m ler√°! √Č final de ano, as pessoas querem sol e √°gua de coco, f√©rias e √≥cio, n√£o uma mat√©ria sobre um autor que ningu√©m conhece, que escreveu um livro que ningu√©m se importa!‚ÄĚ

Infelizmente, ele n√£o aceitou meu ponto de vista. Ent√£o aqui estou, escrevendo pela √ļltima vez em 2018 para voc√™s, meus queridos leitores. Antes de tudo, agrade√ßo por todas as mensagens e coment√°rios que recebi ao longo do ano. Cr√≠ticas, sugest√Ķes, elogios… A resposta pelo nosso trabalho tem sido fant√°stica, e por vezes surpreendente.

De Edgard Telles Ribeiro a James Baldwin; de Clarice Lispector a Maria Firmina dos Reis; passando por Thomas Mann, Phlip K. Dick, Domenico Starnone e tantos outros. Muitos foram os autores e livros sobre os quais conversamos, sem mencionar os quadrinhos e discos que ganharam destaque nesta laboriosa coluna, que se despede (por enquanto) da maneira mais informal possível porque, oras, é fim de ano e a praia me espera!

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A editora 34 promoveu entre seus √ļltimos lan√ßamentos do ano o petardo Sobre Isto, do Vlad√≠mir Maiak√≥vski, um dos maiores nomes da poesia do s√©culo XX, conhecido como “Poeta da Revolu√ß√£o” por seu engajamento na constru√ß√£o da nova sociedade sovi√©tica. O livro √© fruto de sua rela√ß√£o amorosa com L√≠lia Brik, interrompida em dezembro de 1922 por uma briga entre o casal.

“Sem voc√™, eu paro de existir”, escreve Maiak√≥vski numa carta da √©poca, desobedecendo o pacto de sil√™ncio e separa√ß√£o que eles haviam estabelecido. Nos dois meses de afastamento, o poeta redige este que √© um de seus poemas mais longos. Partindo da dor e da ang√ļstia da separa√ß√£o, Maiak√≥vski termina por abarcar e revisitar toda sua obra anterior, seus sentimentos e reflex√Ķes mais profundos sobre a revolu√ß√£o, o amor e o futuro, num voo l√≠rico extremamente pungente.

Criticado √† √©poca por tratar de um tema individualista como o amor (o que explica o t√≠tulo cifrado – Sobre isto), o poeta defendeu a sua liberdade de cria√ß√£o nesta que considerou sua obra-prima e que deu origem, entre n√≥s, √† can√ß√£o de Caetano Veloso interpretada por Gal Costa, “O amor”.

Primeira tradução integral da obra no Brasil, a presente edição bilíngue conta ainda com apresentação, notas e estudo crítico de Letícia Mei, além das fotomontagens originais de Aleksandr Ródtchenko e de uma seleção da correspondência entre Maiakóvski e Lília Brik no período.

Obra seminal que vale a conferida.

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Ao longo de 2018 dei espa√ßo para bandas de rock queridas que apresentaram belos trabalhos, com destaque aos brit√Ęnicos do Suede e o bardo Richard Ashcroft.

Mas nem s√≥ de guitarras vive um homem, e o pop rendeu boas m√ļsicas esse ano. Um dos nomes que mais se destacou no cen√°rio foi sem d√ļvidas Ariana Grande, que lan√ßou Sweetener, seu quarto √°lbum de est√ļdio. Ou√ßa o single No Tears Left To Cry e tente n√£o balan√ßar a cabe√ßa no embalo da melodia. Outra can√ß√£o que vale a conferida √© God is Woman. E a cantora ainda brilhou com Thank U, Next, m√ļsica nova que bateu recordes no YouTube com seu clipe recheado de refer√™ncias aos filmes juvenis dos anos 2000.

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O site InfoMoney divulgou os livros mais vendidos na Amazon no ano de 2018. Com a falência de outras empresas que eram referência no mercado livreiro como Saraiva, Cultura e FNAC, o conglomerado americano tende a concentrar as vendas virtuais de livros pelos próximos tempos. A saber os reflexos dessa realidade em termos de mercado e prática de preços.

A curiosidade que a lista desperta √© a presen√ßa de nomes como Machado de Assis e Dostoi√©vski apenas na lista dos livros digitais. Entre os livros f√≠sicos, o ranking aponta predomin√Ęncia de obras t√©cnicas e de auto-ajuda, sendo O Conto da Aia, de Margaret Atwood, a obra liter√°ria mais bem posicionada, na s√©tima coloca√ß√£o.

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Hoje, 22 de dezembro, é celebrado os 112 anos de nascimento do escritor americano Robert E. Howard, nome imortalizado na cultura pop através de seu personagem mais famoso, o guerreiro cimério Conan.

Conan, que por sinal, continua mais relevante do que nunca. Nos Estados Unidos, a editora Marvel recuperou os direitos de publicação dos quadrinhos com o personagem, e promoverá seu retorno com grande estardalhaço ano que vem.

No Brasil, a editora Pipoca & Nanquim segue com o trabalho primoroso de editar em volumes caprichados todos os contos escritos por Howard. A editora Mythos, por sua vez, publica em encadernados de capa dura a fase do personagem pela Dark Horse Comics, al√©m de lan√ßar eventuais tijola√ßos com 400 p√°ginas trazendo arcos cl√°ssicos do cim√©rio publicados pela Marvel na primeira passagem de Conan pela editora. S√£o edi√ß√Ķes essenciais na estante de qualquer f√£ do personagem.

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Um an√ļncio que n√£o poderia faltar: a equipe do site Quinta Capa est√° empenhada em promover o evento Janeiro Liter√°rio, a se iniciar no pr√≥ximo dia 2 e que trar√° conte√ļdos especiais e exclusivos sobre o universo das letras. O esfor√ßo segue a campanha de est√≠mulo ao consumo e leitura de livros iniciada por Roberto Schwarz, s√≥cio fundador da editora Companhia das Letras e abra√ßada por n√≥s. N√£o perca as pr√≥ximas postagens, com resenhas, lan√ßamentos, ensaios e muito mais.

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Eu n√£o devia te dizer

mas esse mar

mas essa cerveja geladinha

botam a gente comovido como o diabo.

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