Segunda, 17 De Dezembro De 2018

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Crítica | Já podemos falar o quanto The Marvelous Mrs. Maisel é encantador?

 

Quando passou Gilmore Girls, Lorelai Gilmore fez um esforço incrível para escapar das expectativas sufocantes de seus pais e da rica sociedade em que nasceu.

 

Vamos do começo então e vamos tentar mostrar as relações que a série que falei acima tem com esta que estou escrevendo. Miriam Maisel, de Marvelous Mrs. Maisel, série da Amazon escrita por Amy Sherman-Palladino parece ser a anti-Lorelai. Uma jovem esposa e mãe vivendo num rico apartamento no Upper West Side, localizado a um andar de distância da casa de seus pais, Miriam (Rachel Brosnahan) aceitou totalmente o papel de dona de casa feliz e bem penteada. Apoiando tudo que o marido quer fazer (durante a noite ele vira um contador de piadas) como uma personagem que saiu daquelas revistas dos anos 50 onde mostram donas de casa submissa aos maridos.

Ela considera um triunfo quando o rabino concorda em ir ao café da manhã do Yom Kippur. Ela vê sua mãe e seu pai (Marin Hinkle e Tony Shalhoub), sua babá e agora baba de seus olhos, pelo menos uma vez por dia.

Miriam, apelidada de Midge, segue até mesmo a mesma rotina noturna da mãe: esperar até que o marido esteja dormindo para remover toda a maquiagem, depois aplicá-la nas primeiras horas antes de acordar, para que ele nunca veja o rosto dela sem pintura e vibrante. Uma vida normal para os padrões sociais daquela época.

 

The Marvelous Mrs. Maisel

Tudo isso é mostrado nos primeiros minutos do episódio piloto e nada sugere que estamos diante de uma série valiosa que vale a pena assistir. Pois a trajetória da Sra. Maisel muda e realmente temos uma coisa incrível perto do final do capítulo, quando seu marido, Joel (Michael Zegen), anuncia que ele está indo deixando ela e as crianças. Isso manda Midge – vagamente baseada em Joan Rivers – direto para o Gaslight, o clube de Greenwich Village onde Joel atua e onde, movido a álcool, ela faz seu próprio set improvisado que confirma que ela é quem realmente é engraçada.

Tudo que escrevi pode ser visto no trailer e spots que saíram da série, então não contei nenhum spoiler.

Naquele momento, e em todos os momentos seguintes, quando Miriam joga a cautela de ser certinha ao vento enquanto segura um microfone na mão, é quando a série Marvellous Mrs. Maisel realmente ganha vida. Brosnahan, mais conhecida como a vitimizada Rachel em House of Cards, é um fogo vivo como Miriam, uma mulher que pode valorizar a vida doméstica, mas é, no fundo, um redemoinho opinativo que finalmente é liberado quando ela está naquele momento falando sua vida e como ela é engraçada em uma sala cheia de gente.

Depois de tomar a decisão de começar a se colocar em pé sozinha, com a ajuda da gerente do Gaslight, Susie (Alex Borstein), Miriam começa a transformação da dama tradicional uma rebelde nata. David Bowie tem uma música “Rebel, Rebel”, sabiam que é essa música que toca nos créditos finais do segundo episódio?

A música não é apropriada para o período – a série é ambientado em 1958 – e ela reflete os aspectos de Miriam dali para frente.

O ritmo, história e diálogos desta série serão reconhecíveis para quem gosta dos projetos da Sherman-Palladino como Gilmore Girls, que é co-produzido com o marido da Sherman-Palladino, Daniel Palladino, que também escreve e dirige o terceiro dos quatro episódios que eu assisti. Os diálogos  se desenrolam em um ritmo muito intenso. Na esteira de sua separação e crescente interesse em sair a clubes tarde da noite, Miriam começa a se envolver em discussões regulares com seus pais. Ou seja, ela se transforma em uma Lorelai rapidamente.

A série tem uma fotografia, produção, roupas afiadas que caberiam em qualquer episódio de Mad Men! Os personagens, enfrentando, são todos excêntricos, eu nunca tinha visto isso em uma série de TV.

A figura mais fraca do elenco da série  é provavelmente Joel, em parte porque seu comportamento existe principalmente como um catalisador para a nova carreira de Midge. Joel não consegue deixar de parecer blá quando se encontra ao lado de sua esposa muito mais animada e interessante, e isso deve ser pelo desenho narrativo, não pela performance do ator.

A personagem é boa, sério mesmo, cara.. Sua mente trabalha mais rápido do que seu marido, e sua língua é afiada. As mulheres, então e agora, não eram consideradas naturais quando se trata de stand-up. Então toda vez que Midge luta para entrar nessa cena, o coração da série realmente começa a bombar. Mas toda vez que Maisel mergulha no relacionamento de Joel-Midge ou na dinâmica dentro das duas famílias, perde um pouco do seu encanto.

É muito, muito mais excitante quando Midge está no centro do quadro, sozinha, ou compartilhando com Susie, a quem Borstein faz a personagem com sarcasmo charmoso e ocasionais visões de vulnerabilidade.

A série é da Amazon Vídeos e estreou no final do ano passado, inclusive no Brasil, onde o serviço já está disponível há cerca de um ano. E sabem de uma coisa? Os brasileiros não conheciam ela. Só souberam de sua existência da série criada por Amy Sherman-Palladino  quando ganhou cinco prêmios durante a cerimônia do Emmy, incluindo o de melhor série de comédia este ano.

 

Leia também: Crítica: Tom Clancy´S Jack Ryan (Primeira Temporada)

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