Terça, 10 De Julho De 2018

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Crítica | Jessica Jones 2ª Temporada: uma bagunça desnecessária

Ela nunca quis ser uma heroína mas está de volta para uma segunda temporada. Com o legado de uma das séries mais aclamadas da parceria Marvel / Netflix, será que a nova temporada consegue superar as expectativas criadas?
Confira a nossa crítica sem spoilers para a segunda temporada de Jessica Jones.
Nunca seria f√°cil superar ou igualar a primeira temporada de¬†Jessica Jones, uma das melhores cria√ß√Ķes do Universo Cinematogr√°fico Marvel. Mas essa segunda temporada transforma a hist√≥ria da protagonista em uma bagun√ßa desnecess√°ria e pouco convincente, muito longe daquilo que esper√°vamos dessa s√©rie.

Um roteiro sem ritmo e com v√°rios problemas

(Imagem: Divulgação)

Entrando nessa nova temporada, sentimos a vontade de acompanhar Jessica na revelação do seu passado esquecido e na descoberta da verdade sobre os seus poderes. Infelizmente, embora os primeiros episódios sejam promissores, eles demonstram alguns problemas de ritmo e dispersão na trama que só aumentam depois do quinto episódio.
A¬†falta de foco e de um rumo¬†definido¬†para esse segundo cap√≠tulo enfraquecem quase todos os personagens, com alguns chegando a ro√ßar o rid√≠culo. A maior v√≠tima deste problema √© Trish Walker, que tem uma das hist√≥rias e motiva√ß√Ķes mais interessantes inicialmente, mas que acaba por ter a viagem narrativa mais sem sentido de todas.
Outro dos tra√ßos menos felizes do roteiro √© a falta de sutileza na apresenta√ß√£o das motiva√ß√Ķes dos personagens. Em vez de mostrar e deixar o p√ļblico entender as din√Ęmicas do enredo, os personagens est√£o constantemente declarando o que sentem e quais s√£o os seus interesses. E quando n√£o falam do que sentem, est√£o frequentemente expondo verbalmente as motiva√ß√Ķes de outros, em um exerc√≠cio que retira for√ßa √† narrativa.
Numa nota muito positiva, temos a hist√≥ria da advogada¬†Jeri Hogarth, com uma trama que faz verdadeiramente justi√ßa √† personagem. Embora as hist√≥rias de Jessica e de outros sejam frequentemente oportunidades perdidas, Jeri tem uma linha narrativa que come√ßa de forma sutil mas que rapidamente rouba todas as aten√ß√Ķes com o seu rumo.

Quem é Jessica sem Kilgrave?

(Imagem: Divulgação)

A pergunta de um milhão de dólares. Kilgrave pode ter sido eliminado mas o trauma continua presente em Jessica, sendo evidente que a influência do vilão está longe de ter terminado. O vazio emocional dentro da detetive continua sendo preenchido com álcool em excesso, sexo com desconhecidos e uma alienação emocional de tudo e todos.
Do mesmo modo que Jessica tem dificuldade em avançar depois de Kilgrave, a série enfrenta o mesmo problema. O legado carismático e arrepiante deixado por David Tennant seria sempre uma questão problemática para o futuro da série, e a resposta da segunda temporada a esse vazio é muito fraca.
As amea√ßas que Jessica enfrenta no novo cap√≠tulo t√™m o potencial de serem devastadoras para a personagem. Mas a forma como a trama desenrola √© francamente desinteressante, com um leve tom de novela mexicana que nos faz at√© pensar ‚Äúmas os vil√Ķes s√£o mesmo s√≥ isso?‚ÄĚ Existe uma desconex√£o entre o sofrimento da detetive na tela e o aborrecimento que sentimos, s√≥ tolerado por uma interpreta√ß√£o s√≥lida de Krysten Ritter. Mas nem mesmo Ritter consegue tornar o roteiro em algo melhor do que √©.
Diluíram o estilo e identidade da série
(Imagem: Divulgação)

As séries Marvel / Netflix sempre definiram uma identidade própria para cada protagonista e o ambiente que o rodeia. No caso de Jessica Jones havia uma ligação ao estilo film noir do cinema dos anos 40 e com os romances policiais. Essa referência visual e temática foi curiosamente explorada na promoção da segunda temporada, com o lançamento de capas bem ao estilo pulp, para cada um dos episódios.
Contudo, √© vis√≠vel que essa identidade foi largamente esquecida¬†na hist√≥ria propriamente dita. Um dos tra√ßos mais distintivos da s√©rie era como a protagonista usava a sua profiss√£o de investigadora privada como um meio para resolver mist√©rios. Isso diferenciava a hero√≠na dos outros Defensores, que sempre recorreram muito mais aos seus superpoderes que Jessica, algo que real√ßava a ast√ļcia da personagem.
Nessa nova temporada, há pouca atenção à atividade de detetive, com a personagem mais dedicada a buscas no Google e cometendo erros de principiante como fotografar com o celular e os alvos conseguirem ouvir o som do disparo dos clicks. Esse tipo de detalhe retira muito do realismo que foi construído inteligentemente na primeira temporada.
Mesmo no que respeita a atmosfera e estilo visual, n√£o existe o mesmo cuidado anterior. Al√©m da paleta de cores azuis e p√ļrpuras, n√£o houve o mesmo esfor√ßo de manter a qualidade e distin√ß√£o.

Elenco Forte

(Imagem: Divulgação)

O grande trunfo do novo cap√≠tulo da s√©rie s√£o as interpreta√ß√Ķes que nos agarram mesmo quando a hist√≥ria n√£o convence.¬†Krysten Ritter¬†continua dando tudo por sua Jessica Jones, brilhando no equil√≠brio entre a fragilidade e for√ßa que caracterizam a detetive.¬†Carrie-Anne Moss¬†√© nada menos que perfeita na sua atua√ß√£o como Jeri Hogarth, dominando todas as cenas em que aparece e enfrentando com mestria desafios muito diferentes daquelas em que a vimos anteriormente.
Rachael Taylor encarna uma Trish Walker com a mesma ambição que distingue a personagem esta temporada, mesmo quando a trama sabota a sua interpretação. Eka Darville como Malcolm Ducasse tem uma das linhas narrativas mais interessantes e a sua atuação é das mais genuínas.

Adeus ao passado

As duas temporadas de Jessica Jones tiveram o seu foco no passado da detetive, e agora que a sua origem foi amplamente explorada, esperamos que este seja o adeus final a essa época. Com uma personagem tão complexa como Jessica, são várias as possibilidades que se abrem para o seu futuro e queremos ver isso finalmente acontecer.

Quem é PikachuSama

Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.

 

  

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