Terça, 25 De Dezembro De 2018

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Resenha | O Guia do Mochileiro das Gal√°xias (Douglas Adams)

N√ÉO ENTRE EM P√āNICO!

Tudo come√ßou com um programa de r√°dio ‚ÄĒ sabem as radionovelas? Ent√£o. ‚ÄĒ chamado¬†The Hitchhiker‚Äôs Guide to the Galaxy, dividido em duas ‚Äútemporadas‚ÄĚ, chamadas de¬†Primarye¬†Secondary Phases. O programa foi exibido na¬†BBC Radio 4 entre 1978 e 1980, com constru√ß√Ķes liter√°rias diferentes e p√ļblicos diferentes, em especial, ap√≥s o lan√ßamento do livro¬†O Guia do Mochileiro das Gal√°xias¬†em 1979, que nada mais era do que a organiza√ß√£o um pouco mais l√≥gica e flu√≠da dos roteiros da com√©dia c√≥smica radiof√īnica.
Douglas Adams, o criador da s√©rie, era um ca√≥tico e genial escritor, humorista e dramaturgo brit√Ęnico com uma quase vidente vis√£o do futuro, antevendo certos rumos da tecnologia, usos de aparelhos eletr√īnicos, buscadores, jogos eletr√īnicos e por a√≠ vai. Ele tamb√©m contribuiu em alguns roteiros da s√©rie¬†Monty Python‚Äôs Flying Circus¬†(eventualmente tamb√©m atuando nos epis√≥dios) e foi editor de roteiros da¬†17¬™ Temporada¬†de¬†Doctor Who, al√©m de escrever os arcos¬†The Pirate Planet,¬†City of Death¬†(novelizado por¬†James Goss) e¬†Shada¬†(novelizado por Gareth Roberts).
Com esse aparato c√īmico e de¬†fic√ß√£o cient√≠fica¬†em sua‚ÄĚforma√ß√£o‚ÄĚ, n√£o √© de espantar que Adams tivesse as melhores frases, situa√ß√Ķes, explora√ß√£o do Universo e detalhes c√≥smicos em seus livros da ‚Äútrilogia de cinco‚ÄĚ que contam a saga d‚Äô[O] Guia. N√£o existe leitor que n√£o seja fisgado de imediato pela agilidade de sua prosa, pelas maluquices das situa√ß√Ķes que ele inventa e pela cada vez mais improv√°vel hist√≥ria de Arthur Dent, acompanhado de Ford Prefect na primeira parte do livro.
O ponto de partida √© muit√≠ssimo bem constru√≠do, contando-nos a hist√≥ria de uma casa.¬†Arthur Dent √© apresentando em um daqueles ‚Äúdias de c√£o‚ÄĚ e o leitor n√£o pode deixar de rir e se compadecer do coitado, que s√≥ queria tomar um caf√© da manh√£ normal e permanecer com a sua casa no lugar. Mas a√≠¬†chegam os vogons. E Ford Prefect se revela um alien√≠gena. E ¬†Terra √© demolida. E¬†Zaphod Beeblebrox, Trillian, a nave Cora√ß√£o de Ouro (com seu gerador de improbabilidade infinita) e Marvin, o Androide Paranoide aparecem em cena. √Č muita informa√ß√£o em um delicioso caos para processar.
Em termos de entretenimento, n√£o h√° nada a¬†reclamar de¬†O Guia do Mochileiro das Gal√°xias. Ele¬†√© um livro extremamente divertido, com criativas manipula√ß√Ķes do g√™nero fic√ß√£o cient√≠fica, personagens cativantes e aventuras cheias de surpresas. Mas a heran√ßa que o texto traz dos roteiros radiof√īnicos contribui para alguns impasses em sua aprecia√ß√£o geral. Alguns¬†deles, por exemplo, s√£o os saltos insanos de um tema para outro, sem pontes narrativas ou nenhum tipo de prepara√ß√£o, algo que, independente se o autor √© maluco ou n√£o, √© necess√°rio em um livro. N√≥s acabamos nos acostumando com esse ‚Äúestilo‚ÄĚ, mas n√£o √© algo agrad√°vel.
Outro problema, e este √© o que me fez tirar uma estrela da cota√ß√£o final do livro, √© a forma como os ratos aparecem na hist√≥ria. Eu estaria pronto para perdoar Adams pelos saltos narrativos mal amarrados se ele n√£o tivesse pisado na bola na constru√ß√£o da trama dos ratos (curiosamente, no filme, isso √© mais aceit√°vel). A grande explora√ß√£o que ele d√° √† sensacional pergunta sobre¬†A Vida, o Universo e Tudo Mais, a conclus√£o ‚Äú42‚ÄĚ e a busca de uma pergunta que combinasse com a resposta ‚Äúdecepcionante‚ÄĚ pode muitas vezes nublar a vis√£o do leitor, mas no plano maior, os ratos acabam sendo o ponto fraco daquele bloco da hist√≥ria. Ali√°s, os eventos ocorridos em Magrathea possuem momentos de fazer cair o queixo, mas tamb√©m momentos reticentes, pincelados com o onipresente humor do autor, o que pode aplacar um pouco seus defeitos, mas n√£o apag√°-los.
Por fim, o final. Eu sei que a trama se segue no livro¬†O Restaurante no Fim do Universo¬†(1980), mas h√° um qu√™ de anticl√≠max na forma como o livro [n√£o] termina. Independente de sua continua√ß√£o, esse volume merecia um melhor desfecho e isso n√£o impediria o¬†cliffhanger¬†para o livro seguinte, apenas colocaria um melhor¬†ponto-v√≠rgula¬†ponto final nessa ‚Äúfase um‚ÄĚ da √≥pera espacial.
Independente de seus trope√ßos,¬†O Guia do Mochileiro das Gal√°xias¬†√© um livro sensacional. Inovador por tratar a fic√ß√£o cient√≠fica com brincadeira e loucura, o volume¬†faz jus a todo o¬†hype¬†que tem e definitivamente marca um novo tempo para quem tem coragem de ser aventurar por suas p√°ginas, se embebedar de Dinamite Pangal√°ctica, come√ßar a zombar de rel√≥gios digitais, usar toalhas como se fossem a coisa mais importante o mundo¬†e¬†responder¬†‚Äú42‚ÄĚ para toda pergunta sem resposta. Est√° a√≠ um bom chute para provas de matem√°tica. Eu bem que deveria ter lido esse livro h√° uns 15 anos‚Ķ
O Guia do Mochileiro das Gal√°xias (The Hitchhiker‚Äôs Guide to the Galaxy) ‚ÄĒ Reino Unido, 1979
Autor: Douglas Adams
Editora Original: Pan Books
No Brasil: Editora Arqueiro (2004)
Tradução: Paulo Fernando Henriques Britto e Carlos Irineu da Costa
204 páginas 

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