Sábado, 23 De Fevereiro De 2019

LOJA QUINTA CAPA

D&Dezembro| O dia em que o Serviço de Inteligência Americano invadiu a Steve Jackson Games

Com as notícias dos problemas financeiros pelo qual a saudosa Steve Jackson Games anda passando, resolvi relembrar uma de suas histórias mais icônicas.

Caso você seja mais velho no ramo do RPG, provavelmente conhece GURPS, mas para os que não conhecem, GURPS é um acrônimo para Generic Universal Role-Playing System, ou seja, um sistema de RPG com regras tão amplas que era teoricamente possível simular qualquer coisa nele.

É um sistema desenvolvido pelo Steve Jackson, e que conta com diversos suplementos “filtrando” e “adicionando” regras mais específicas para cada ambientação desejada. Se você quer jogar alguma coisa, provavelmente existe GURPS dessa coisa. E embora ele tenha uma má-fama de ser um RPG complexo e com muitas regras (Regra pra cavar buraco?), ele também tem suas histórias particulares.

Hoje, vocês vão saber sobre o dia em que o Serviço de Inteligência Americana invadiu a base da Steve Jackson Games e tentou confiscar o suplemento GURPS Cyberpunk.

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Eram os anos 90!

Nós não éramos muito espertos ainda. Quer dizer, ainda não somos, mas naquele tempo era diferente: Os americanos estavam no auge do Satanic Panic, um período onde o medo de supostos cultos satânicos era o sentimento principal, o que levou até mesmo a acusações contra o nosso amado Dungeons & Dragons. “Cyberpunk” ainda não era um conceito vastamente conhecido, especialmente sabendo que Blade Runner fez pouco sucesso em sua estreia nos cinemas, e livros de ficção científica eram (e ainda são) algo de um público muito específico.

Cyberpunk, com sua temática distópica e com protagonistas sendo majoritariamente pessoas à margem da sociedade fazendo coisas não tão belas, certamente seria alvo de alguma acusação caso se tornasse relativamente popular. Dito e feito: A Operação Sundevil fez com que o FBI confiscasse todos os PCs da Steve Jackson Games sob a alegação que o jogo GURPS Cyberpunk poderia ser usado para preparar crimes virtuais!

Mais tarde, a SJG abriria um processo contra o Serviço Secreto E VENCERIA com ajuda da Electronic Frontier Foundation, explicando sobre o que se tratava o jogo. O FBI até tentou alegar que essa não era a principal motivação por trás da blitz, mas o estrago já estava feito, o evento já havia ganhado notoriedade assim como o livro

Resultado?

Todas as edições do suplemento GURPS Cyberpunk publicadas possuem uma citação na capa que diz: “O Livro que foi confiscado pelo Serviço Secreto dos EUA!”, com algumas explicações sobre o ocorrido nas primeiras páginas

Gups

Então é Natal…

Resolvi lembrar dessa história na véspera de Natal devido aos problemas financeiros que a editora SJG anda passando, e com as últimas atualizações da editora Dimensão Nerd (responsável pelo lançamento de In Nomine no Brasil) da falta de respostas da editora gringa, acredito que temos poucas esperanças de um futuro próspero para a Steve Jackson Games.

Já batemos diariamente em GURPS pelo seu estilo truncado e simulacionista, é bom deixar o espírito natalino entrar e lembrarmos pelo o menos de uma história divertida sobre o jogo.

Feliz festa a todos!

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