Segunda, 17 De Dezembro De 2018

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Doctor Who | A Mulher Que Caiu na Terra e Elevou a Audiência.

A espera terminou e, ap√≥s um final de semana tenso(elei√ß√Ķes), este √© um dos b√°lsamos que a alma do f√£ necessitava: Doctor Who finalmente estreou sua d√©cima primeira temporada! E dessa vez com tudo novo: showrunner novo, protagonista nova(o cl√°ssico personagem mudou de sexo e nem precisou de cirurgia) coadjuvantes novos e at√© mesmo um compositor novo(sai Murray Gold, entra Segun Akinola).

Tudo novo, tudo mudado… e era exatamente o que a franquia precisava.

Estréia ambiciosa

Tal qual o especial de cinquenta anos (em 2013) e o √ļltimo especial de natal, a estr√©ia da nova temporada de Doctor Who foi marcada por estr√©ias em v√°rias salas da rede Cinemark de todo o pa√≠s. E n√£o s√≥ isso: o Crackle, aplicativo de streaming da Sony, adquiriu os direitos de exibir a nova temporada da s√©rie e ainda liberou gratuitamente os dois primeiros epis√≥dios, sendo que o primeiro foi liberado neste domingo (07/10) a partir das 16:00.

A BBC n√£o est√° brincando para promover a nova temporada. Em maio, a mesma fechou uma parceria com o Twitch para exibir gratuitamente 500 epis√≥dios da s√©rie cl√°ssica. A inten√ß√£o era atrair uma nova audi√™ncia para a s√©rie, cuja audi√™ncia j√° n√£o era mais t√£o grande. Peter Capaldi, em sua estr√©ia na s√©rie como o Doutor anterior, teve uma audi√™ncia de 6,8 milh√Ķes de espectadores, n√ļmero menor que as estr√©ias de Matt Smith e de David Tennant.

A estr√©ia de Jodie Whittaker garantiu um pico de 9 milh√Ķes de espectadores.

E não é para menos: a escolha de uma mulher para o papel é histórico. Não é uma idéia nova, pois começou a ser concebida ainda na década de 80, mas apenas agora pode finalmente ser implementada. E finalmente podemos ver como Jodie Whitaker, a atriz escolhida para ser a Doutora, se saiu no papel.

Mas será que essa audiência toda foi devido à controvérsia de ter uma mulher em um papel historicamente masculino?

Novidades

Chris Chibnall entrou com carta branca para fazer muitas mudan√ßas em Doctor Who. A mudan√ßa j√° √© percebida ainda nas primeiras imagens. Isso se deve √†s novas c√Ęmeras encomendadas pelo produtor, que visavam dar √† s√©rie um ar mais cinematogr√°fico. Deu a impress√£o de estar vendo um filme de Doctor Who; imagino se nas exibi√ß√Ķes no Cinemark este visual n√£o ficou ainda mais intenso.

A trilha sonora tamb√©m teve uma mudan√ßa radical: Murray Gold esteve no comando desde a continua√ß√£o da s√©rie em 2005 e sua despedida ocorreu no √ļltimo especial de natal. A tarefa de substituir um compositor t√£o experiente e premiado √© √°rdua e o anglo-nigeriano Segun Akinola tem o potencial: ele j√° foi indicado ao pr√™mio Jerry Goldsmith pela trilha sonora do curta Dear Mr. Shakespeare, e tem um curr√≠culo invej√°vel como ter se graduado com honra no Conservat√≥rio Real de Birmingham, al√©m de ter um mestrado em composi√ß√£o para filmes e televis√£o. O impacto de suas composi√ß√Ķes j√° se faz ainda nos primeiros dez minutos do epis√≥dio, quando temos uma breve no√ß√£o de como pode ser o novo tema de apresenta√ß√£o. Ele soa mais forte e impactante. Mas saberemos apenas no segundo epis√≥dio, quando teremos a nova apresenta√ß√£o.

Novo tema de Segun Akinola

Tamb√©m na trilha sonora, temos o t√£o atual uso da “buzina cinematogr√°fica” para efeito dram√°tico. H√° v√°rias composi√ß√Ķes especiais para cada momento: anima√ß√£o, drama, desafio… uma nova cole√ß√£o de sons est√° ali, s√≥ √† espera do whovian!

O episódio

O episódio tem seu início pouco depois dos eventos do especial de natal Eram Duas Vezes(Twice Upon a Time, no original). Após a regeneração e os problemas com a TARDIS, a Doutora cai e vem pousar justamente onde alguns de seus futuros companions se encontram. E chega bem à tempo de salvá-los de uma estranha criatura que causou a abrupta parada do trem momentos antes. Porém este nem mesmo representa o verdadeiro perigo que terão de enfrentar.

Reveja aqui a regeneração e o momento da queda.

Assistir a esta estr√©ia √© interessante pois aqui vemos o quanto a Inglaterra √© rica e diversa. A s√©rie sempre se preocupou em retratar gente mais comum, mas aqui vemos uma Inglaterra pouco vista mesmo na s√©rie. E nem falo do elenco diverso: o personagem de Bradley Walsh, Graham, a Doutora e outro coadjuvante ali s√£o basicamente os √ļnicos personagens caucasianos. Ryan Sinclair(Tosin Cole, o Tenente Bastian de O Despertar da For√ßa) e sua av√≥ Grace(Sharon D. Clarke s√£o afro-brit√Ęnicos, e Yasmin Khan(Mandip Gill) √© indiana. O que ressalto √© que estamos em Sheffield, ao sul do condado de Yorkshire e o sotaque dos habitantes √© um pouco mais diferenciado do que esperar√≠amos da s√©rie; o que mostra o quanto o pa√≠s tem muitas facetas.

Aqui nesse vídeo você tem uma idéia do que estou falando.

E quanto à Doutora? Jodie Whittaker surpreende. Ela já tem uma carreira promissora, tendo atuado em vários filmes e séries e tendo sido indicada a vários prêmios também, além de sempre receber aclamação da crítica. Sua indicação ao papel foi alvo de controvérsia por fãs que não aceitavam uma mulher em um papel que sempre foi masculino. Porém teve muito suporte de boa parte dos fãs e de outros profissionais que atuaram na série, principalmente por atores que já estiveram no papel.


“Mudan√ßa meus caros e no momento certo – ela √Č a Doutora gostando voc√™s ou n√£o!”-¬† Colin Baker, o 6¬ļ Doutor

E ela n√£o faz feio: bonita, carism√°tica e mantendo o sotaque de Yorkshire(a diversidade inglesa), Jodie manteve o car√°ter exc√™ntrico e euf√≥rico do personagem. Com tantas encarna√ß√Ķes do personagem, n√£o h√° como termos um novo Doutor e n√£o compararmos a outros que vieram antes. Imposs√≠vel n√£o lembrar dos personagens que foram encarnados por David Tennant e Matt Smith ao v√™-la em a√ß√£o: o jeito de cientista maluca quando ela resolve construir uma nova chave de fenda s√īnica e o cl√≠max tornam imposs√≠vel n√£o lembrar deles.

Imagem relacionada

A tradição de gosto bizarro por roupas se mantém no final, quando ela finalmente resolve se livrar dos farrapos que pertenciam à sua forma anterior. O senso de humor dela também é sensacional e a personagem se mostra uma provocadora quase inconsequente ao lidar com o vilão do episódio.

Print dos assuntos mais comentados do dia 07/10/2018, 16:00. Todos relacionados à série e ao episódio em particular.

Os companions tamb√©m s√£o outro caso √† parte. H√° tempos n√£o t√≠nhamos tantos parceiros para a personagem. A tradi√ß√£o manda que sempre haja apenas uma companion feminina, mas os dois primeiros Doutores chegaram a viajar com duas ou tr√™s pessoas sempre. A maioria das outras encarna√ß√Ķes viajava apenas com uma mulher, com apenas algumas exce√ß√Ķes(caso do quinto Doutor). Agora temos o retorno de tr√™s companions, o que parece simbolizar um recome√ßo.

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Da esquerda para a direita: Yasmin, Graham, a Doutora e Ryan.

Ryan por um momento me lembrou o Mickey, da primeira temporada. Portador de dispraxia(condição que afeta o desenvolvimento motor), Ryan não consegue sequer andar de bicicleta, o que o frustra bastante. Ele também tem problemas para aceitar Graham, que é casado com sua avó. Ele tinha potencial para ser um reclamão e mimado, mas se mostra bem mais simpático e independente que o irritante Mickey, da primeira temporada. Sua condição também é mais uma forma de diversificação e há potencial para a série explora-la.

Yasmin √© uma policial em treinamento que quer mais do que resolver conflitos bobos de tr√Ęnsito e tem a chance de fazer parte de algo maior quando atende √† uma chamada estranha, feita por Ryan. Logo ela se v√™ envolvida em algo para o qual seu treinamento n√£o a preparou.

Graham √© a grande surpresa aqui. Bradley Walsh √© multitalentoso: j√° jogou futebol profissionalmente, cantou(tendo sido o mais vendido m√ļsico ingl√™s estreante de 2016), escreveu e atuou. N√£o sabia o que esperar do personagem e o que temos √© um humilde motorista de √īnibus, que quer ser aceito pelo neto de sua esposa. Graham √© um cara simples, am√°vel e sens√≠vel. Ele brilha em um dos momentos mais tocantes do epis√≥dio. Desconfio que pode haver um pr√™mio para ele ano que vem.

Quanto à trama, mais grandes mudanças. Steven Moffat, ao assumir a série, destacou bastante os tons épicos e dramáticos da mesma. As ameaças eram sempre maiores que a vida e o tempo, o planeta e o universo sempre estavam em jogo. Também fazia o possível para emocionar o espectador e existem vários momentos na série em que era impossível conter as lágrimas.

Essa cena de Vincent And The Doctor é o maior exemplo.

Chibnall, no entanto, prefere algo mais contido. Quem já viu os episódios escritos por ele, tem uma noção do tipo de episódio que ele prefere. A nova temporada é como uma aventura do Homem-Aranha, enquanto as histórias da era Moffat pareciam Liga da Justiça. Neste episódio, que foi escrito por ele, temos um vilão ameaçador, porém em uma escala menor. Ele não deixa de ser  mais uma contribuição ao rico mito de Doctor Who, que já nos apresentou várias raças alienígenas e criaturas diferentes com suas peculiaridades. Inclusive há vários ganchos para um possível novo encontro com esta espécie alienígena, além de várias outras possibilidades.

A abordagem mais simples de Chibnall dá uma sensação estranha. Estávamos tão acostumados ao estilo bombástico de Moffat, que não dá pra deixar de imaginar como certas cenas seriam feitas com ele. A cena em que a Doutora se apresenta e revela seu nome certamente teria muito mais intensidade. Porém, a abordagem feita aqui foi mais do que apropriada.

Retornando aos companions, aqui eles mostram um valor que anteriormente n√£o era t√£o destacado. Por mais genial que a Doutora seja, ainda lhe falta compet√™ncias que s√≥ as pessoas comuns t√™m. E aqui √© que os humanos se destacam: mantendo os p√©s no ch√£o, cada um dos companheiros que a ajudam d√£o sua contribui√ß√£o para a vit√≥ria. O trabalho de equipe mostrado neste epis√≥dio traz de volta uma valoriza√ß√£o destes que h√° muito a s√©rie n√£o tinha. Os companions agora s√£o mais do que uma conex√£o emocional ou passageiros, aqui eles s√£o t√£o her√≥is quanto a Doutora. Suas motiva√ß√Ķes e anseios s√£o um caso √† parte e, mais do que ver a Doutora em a√ß√£o, ser√° um grande prazer v√™-los crescer.

E respondendo ao meu questionamento mais acima: embora a curiosidade possa ter sido um fator determinante para o pico de audi√™ncia citado, o primeiro epis√≥dio mostra o frescor que a s√©rie precisava para cativar uma nova audi√™ncia. E a rea√ß√£o dos f√£s parece ter sido positiva. E, de acordo com um grupo de pesquisas de audi√™ncia, a nova Doutora parece ter surtido efeito em uma jovem audi√™ncia feminina tamb√©m. De fato, o p√ļblico infanto-juvenil parece ter aprovado a nova personagem.

F√£s de diferentes idades dando o seu feedback.

A nova temporada de Doctor Who começou muito bem e terminou com um excelente gancho para o próximo episódio. E ainda deixou alguns mistérios no ar que poderão ainda ser abordados nesta temporada. Para quem está curioso e interessado, a Sony adquiriu os direitos de exibição desta temporada e está transmitindo através de seu serviço de streaming, o Crackle. E, pra facilitar(como mencionado anteriormente), os dois primeiros episódios serão liberados de GRAÇA no aplicativo. Se gostar do que vê, dá pra assinar e acompanhar este novo momento desta maravilhosa série.

Link para conferir Eram Duas Vezes e o episódio A Mulher Que Caiu Na Terra:

https://doctorwho.crackle.com/v2/index.html

Confira também uma prévia do próximo episódio:

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