Quarta, 24 De Outubro De 2018

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Doctor Who ‚Äď Rosa | O Retorno √†s Origens da S√©rie

Já se passarem três episódios e Doctor Who vai aos poucos mostrando o que Chibnall quer com a série. E, após conhecer novos amigos e recuperar sua nave em meio a grandes perigos, a Doutora finalmente retoma sua eterna jornada pelo tempo e espaço. E a série segue se diferenciando do tom da era Moffat, desta vez resgatando um elemento precioso dos primeiros episódios da série clássica.

Inicialmente, Doctor Who tencionava ser uma s√©rie educativa, voltada para o p√ļblico infanto-juvenil. A inten√ß√£o era ter momentos em que o Doutor e seus companions usariam de seus conhecimentos de ci√™ncias e hist√≥ria para lidar com os problemas que encontrariam pelo caminho. E agora que a Doutora finalmente tem sua TARDIS de volta, seus novos companions, que conheceram outro planeta, agora t√™m a oportunidade de finalmente viajar no tempo.

E estão prestes a testemunhar um evento histórico.

Rosa Parks

Foto da verdadeira Rosa.

Nascida em Tuskegee – Alabama, em 1913 Rosa Parks era uma costureira. Casou-se em 1930 com Raymond Parks, membro da Associa√ß√£o Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (National Association for the Advancement of Colored People ‚Äď NAACP) e tornou-se militante de causas de igualdade racial. E um de seus objetivos era o fim da segrega√ß√£o racial, que separava lugares entre brancos e pessoas de cor. E isto era forte em Montgomery, a cidade em que Rosa vivia.

Em 1 de dezembro de 1955, sentada em um lugar marcado para negros em seu √īnibus ap√≥s um √°rduo dia de trabalho, Rosa passaria pela gota d‚Äô√°gua: ap√≥s pegar passageiros extras e ao ver dois passageiros brancos estavam em p√©, o motorista moveu uma das placas para brancos para a cadeira atr√°s de Rosa. O motorista requisitou as cadeiras mas ela se recusou a sair. Tendo sido denunciada, foi presa e o ato acabou em um boicote ao transporte p√ļblico que, ap√≥s 381 dias, resultou no fim da segrega√ß√£o racial.

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Rosa, interpreta por Vinette Robinson, que já atuou no episódio 42, da terceira temporada da série.

O caso transformou Rosa Parks na ‚Äúprimeira dama dos direitos civis‚ÄĚ e na ‚Äúm√£e do movimento pela liberdade‚ÄĚ. Tamb√©m deu destaque a v√°rios ativistas, entre eles Martin Luther King Jr.

De volta para o passado

A nova tripula√ß√£o da TARDIS acaba parando aqui por acidente. Como sempre, a Doutora n√£o consegue conter sua velha nave e acabam parando em um ponto bem distante de onde queriam estar. Todos acabam se maravilhando por estar em outra √©poca at√© o primeiro incidente motivado pelas diferen√ßas raciais. Mas isso nem √© o maior problema: tendo detectado o vazamento de um tipo de energia peculiar, a Doutora acaba descobrindo um compl√ī temporal que pode alterar a hist√≥ria como a conhecemos.

Uma volta às origens

As li√ß√Ķes de hist√≥ria s√£o apenas uma parte do Chris Chibnall est√° retomando para Doctor Who. De fato, o conhecimento de hist√≥ria √© crucial para que derrotem o vil√£o e mantenham a hist√≥ria intacta. Mas, assim como nos primeiros arcos, os companions √© que se destacam. Sem acesso √† internet ou terem livros consigo, a equipe s√≥ pode contar com o que sabem e com a capacidade de Graham de se relacionar com pessoas e obter informa√ß√Ķes(lembremos, ele mesmo √© um motorista de √īnibus). A determina√ß√£o de Yaz, a engenhosidade de Ryan e a experi√™ncia de Graham s√£o bem somadas para que alcancem seus objetivos.

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Preparados para frustrar planos.

Na série clássica, os acontecimentos daqui poderiam ser esticados em quatro episódios(o formato da série o dividia em arcos). Mas a trama é muito bem contada em um episódio de 50 minutos, em que todos correm contra o tempo para que a história aconteça no momento certo, mesmo com todas as reviravoltas.

E h√° aquele frescor em mostrar gente como a gente reagindo ao fato de estarem em outra √©poca, sem Bad Wolves ou garotas imposs√≠veis. A 10¬™ temporada j√° fez isso muito bem com Bill Potts e o crit√©rio se mant√©m com a nova equipe. E √© sensacional ver suas rea√ß√Ķes: Yaz tem em Rosa uma hero√≠na e tanto ela quanto Ryan j√° sofreram com o preconceito e agora o sofrem em uma √©poca onde ele era muito mais intenso e refor√ßado por lei.

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“Apenas para brancos”

As cenas s√£o feitas mesmo para ficarmos indignados. O racismo nunca foi abordado desta forma na s√©rie. A √ļnica vez em que foi, na temporada passada, fomos agraciados com uma cena cat√°rtica.

Mas o desgosto √© contrastado pela fascina√ß√£o em encontrar figuras hist√≥ricas que tanta diferen√ßa fizeram‚Ķ e Rosa n√£o foi a √ļnica que encontraram.

Um novo Vincent and the Doctor?

O que digo não contém spoilers: eles salvam o dia(e a história) em um final emocionante, mas um em que eles entendem o quanto pode ser difícil proteger a história e nem falo de tudo o que passaram para preservá-la. O final acabou por trazer muitos fãs às lágrimas.


“Este foi um dos epis√≥dios mais fortes, mais belos e mais empoderadores de Doctor Who jamais escritos. Que hist√≥ria fenomenal, e um tributo maravilhoso √† resili√™ncia e bravura de Rosa Parks”

De fato, essa √© outra quebra em rela√ß√£o √†s temporadas anteriores: a trilha sonora, antes exclusivamente instrumental, agora abre espa√ßo para can√ß√Ķes. E Rise Up, de Andra Day, foi perfeita.

 

O vil√£o

As motiva√ß√Ķes de Krasko(Josh Bowman, de Revenge), o vil√£o do epis√≥dio s√£o revelados de forma sutil e s√£o um reflexo do tempo em que vivemos. O que mais me chamou a aten√ß√£o foi para o seu m√©todo, que lembra muito um antagonista com quem o Doutor, em sua primeira encarna√ß√£o, havia se batido: o Monge do arco The Time Meddler, do final da segunda temporada de Doctor Who, transmitido em julho de 1965. Inclusive, em Time Meddler foi a primeira vez em que o Doutor encontraria outro Senhor do Tempo.

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O Monge, interpretado por Peter Burnworth.

Ambos os personagens s√£o viajantes do tempo que querem mudar a hist√≥ria. A diferen√ßa √© que o Monge tem motiva√ß√Ķes menos mesquinhas para fazer o que faz. Krasko, por outro lado, nem mesmo um Senhor do Tempo √©.

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Mó cara de topzera esse Krasko.

(E, se pararmos para pensar, o episódio faz uma reflexão sobre o uso de castração química como punição. Assista o episódio e veja se concorda comigo.)

E o próximo episódio?

Agora provavelmente teremos um pouquinho de horror no próximo episódio, onde finalmente teremos nossa trupe voltando ao lar para enfrentar ameaças de oito patas.

Você pode assistir os novos episódios pelo aplicativo Crackle, da Sony:

https://doctorwho.crackle.com/v2/index.html

 

 

 

 

 

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