Sexta, 21 De Dezembro De 2018

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Entrevista РGuabiras não perdoa ninguém!

Tava passeando pelo facebook e duas tirinhas que vi por l√° me obrigaram a escrever este texto. Elas s√£o de autoria de Carlos Henrique Santos, mais conhecido como Guabiras.

Ele √© cartunista e jornalista do Jornal O POVO, em Fortaleza, desde 1998. Segundo seu perfil nas redes sociais, j√° publicou mais de 5 mil tirinhas nos mais variados ve√≠culos, como jornais, fanzines, livros e Internet. Em 2015, Guabiras ganhou o pr√™mio Esso de Jornalismo e em 2016 foi a vez de faturar o Angelo Agostini de Maior Cartunista do Brasil naquele ano.¬† J√° participou de v√°rias publica√ß√Ķes como Tarja Preta (RJ), Escape (SP), Gibi Qu√Ęntico (SP) e MAD (SP). O cara tem cartaz.

Como estava dizendo, as tirinhas dele que me trouxeram até aqui foram essas:

 

Particularmente, me identifico muito com o¬† “f√£ do omelete” feliz por ter conseguido uma indica√ß√£o no HQ Mix (n√£o vou dizer qual indica√ß√£o j√° recebi porque estou com vergonha), mas todos os quadrinhos das duas tirinhas s√£o muito espinhentas… e corajosas. Afinal, mexer em assuntos como o ego de seus colegas de profiss√£o √© cutucar um vespeiro com uma on√ßa brava.

Você pode acessar o blog ou o perfil dele no facebook para conhecer mais trabalhos (particularmente, adoro as do gato Chuvisco).

 

Gato Chuvisco entrando no cio

 

Resolvi procurar o Guabiras para uma entrevista para começarmos a conhecê-lo melhor. Segue aí!

QUINTA CAPA: Aqui no Piauí eu sei o que é qualira. O que significa Guabira?

KKK… Guabiras (com s no final) vem de Guabir√ļ., que √© a ratazana cearense. Quando eu fazia a quinta s√©rie (meados dos anos 1980) gostava de desenhar na sala de aula. Ent√£o eu desenhava super r√°pido, sem rascunhos e tal, e ficava aquela galera ao redor, admirando, dando sugest√£o ou pedindo mais… Da√≠, um e outro colega passou a me chamar de Guabiru devido a esse meu ritmo…

QC: Vi que você tem uma campanha no apoia.se e não tem nem um real para manter a sua honra de cartunista pelo resto da vida, e nem tem R$1000 para manter a dignidade e o bem dos quadrinhos cearenses, suas metas no site. O que pensa deste tipo de campanha?

Cara, nem sei porque criei aquilo l√°… KKK na √©poca s√≥ divulguei uma ou duas vezes no facebook e pronto. Se n√£o rendeu nada, depende muito de quem viu e do mercado atualmente. E da minha pr√≥pria divulga√ß√£o que n√£o houve… Enfim, tentei deletar v√°rias vezes (mas a desgra√ßa n√£o apaga!) e nem me importo se ainda existe ou n√£o KKK… At√© porque no fundo, no fundo, sempre fiz tudo sozinho mesmo.

QC: Vi que tem uma publica√ß√£o sua chamada “Manual do Cartunista Mazela”. O que seria um manual para o cartum no Brasil hoje?

O meu manual √© uma colet√Ęnea de tiras biogr√°ficas que mostram o quanto √© complicado ser cartunista no Brasil. L√° est√£o todas as dificuldades como produzir, se enturmar, fazer parte do mercado, os contrastes entre o Nordeste e o eixo Rio/SP e a hist√≥ria do retorno financeiro, que √© a mais pura ilus√£o. Acho que isso resume bem o que √© o mercado brasileiro de quadrinhos, n√£o s√≥ pra mim, mas pra muita gente.

QC: Voc√™ produz uma quantidade enorme de fanzines. O √ļltimo que fiz foi em 2003. N√£o consigo ver o espa√ßo dos zines impressos no mercado atual e por causa das m√≠dias virtuais. Como v√™ tudo isso?

O espa√ßo do zine continua o mesmo… pelo menos pra mim. Nunca deixei de fazer quadrinhos independentes. Eu at√© fa√ßo no papel couch√™ e tal, capa colorida, mas n√£o gosto de chamar de revista. Prefiro continuar dizendo que √© zine e pronto. KKK. Atualmente alguns artistas que antes faziam zines acabaram migraram para o produto de gr√°fica. Mas ao mesmo tempo em SP tem uma galera massa que continua produzindo zine assim como a Tina Curtis e o Felipe Bezerra.

QC: Em suas √ļltimas tirinhas sobre o mercado de quadrinhos brasileiros voc√™ n√£o dispensa cr√≠tica para todo tipo artista. O pessoal recebe isso com bom humor?

Sou um cartunista bagaceira. Nunca fui pelo lado correto da vida. Srsr. Ou seja, produzo o politicamente correto e o escatol√≥gico numa linha √°cida. Procuro encontrar mazelas em determinadas situa√ß√Ķes do cotidiano, pensar e achar o al√©m do normal… do quadrinho comum. Esse √ļltimo, por exemplo,√© apenas o lado podre do ser humano em comum. Erros, vacilos, mau caratismo e, o melhor de todos, a hipocrisia. Aqules quadrinhos que fiz criticando o mercado de quadrinhos √© apenas 100% fiel ao cen√°rio atual. E s√≥.

QC: Como o cartunista lida com o “haterismo” de plant√£o?

Existem cr√≠ticas e existe coment√°rios filhos da puta. As vezes o cara s√≥ quer encher teu saco com alguma merda pra se sentir o fod√£o. Esse cara √© carente. √Č um demente babaca que n√£o se controla em apenas ver o trabalho de algu√©m e ficar na dele. N√£o, ele n√£o produz nada e acha que tem direito de difamar quem produz. Por√©m, ao mesmo tempo n√£o dou cartaz pra imbecil dessa natureza… tenho mais o que fazer. Srrs.

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