Segunda, 17 De Dezembro De 2018

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Pra começar a ler Hellboy e o BPDP

Há poucas semanas chegou nas livrarias o título Hellboy e o BPDP 1953 e, se você nunca leu Hellboy, ou já leu e acha cronologia do personagem uma zorra, tá aqui a chance pra você tentar arrumar esse problema.

Caso não saiba, Hellboy meio que já teve um “fim”. Sim, ele já morreu (e isso NÃO é um spoiler, pois a informação tá no título do gibi) e foi para o Inferno (em Hellboy no Inferno Vol 1 e 2). Eu conto um pouco disso neste vídeo:

Com a proximidade deste “fim”, Mike Mignola, o criador do personagem começou a desenvolver duas séries muito legais. Uma chama-se BPDP Origens e Hellboy e o BPDP (que significa Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal e trata-se, simplesmente do órgão responsável pela pesquisa das coisas bizarras nos Estados Unidos. Um tipo de “arquivos x”).

Esse BPDP foi criado pelo professor Bruttenholm, justamente a pessoa responsável por cuidar do bebê demônio trazido à terra por uma invocação nazista em fins da segunda guerra mundial.

Pois bem, ao tempo em que Mignola queria “concluir” a história de seu herói, percebeu que existiam ainda décadas no passado dele que poderiam ser exploradas, portanto, resolveu criar esses dois títulos focando a história entre o demônio vermelho e o Bureau.

A série BPDP Origens teve um primeiro volume publicado em 2016 pelo Myhtos, tem histórias desenhadas pelos irmãos Moon e Bá (Daytripper) e é um volume grossão, que foca os anos de 1946 e 1947. Ou seja, são os dois primeiros anos após a segunda grande guerra e o vermelhão ainda é um “vermelhinho”, quer dizer, o Hellboy ainda é uma criança e nem chega a ser protagonista de nada no livro, que foca muito mais no professor Bruttenholm, em como ele constrói o BPDP e como são suas primeiras aventuras. Hellboy é apenas uma criança correndo pelas instalações militares do governo.

BPDP origens 1946 e 1947

O segundo volume dessas séries lançadas por aqui foi o Hellboy e o BPDP 1952. Aqui, nosso protagonista já tem seus 17 anos e enfrenta sua primeira aventura em campo. Curiosamente, essa história é muito especial para nós porque se passa no Brasil.

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O mais recente lançamento dessa linha no Brasil foi Hellboy e o BPDP 1953. O melhor dessas histórias é que, se você nunca leu o personagem, pode começar por elas e ser apresentado aos poucos aos elementos e características do personagem e seu universo. É melhor começar por aqui do que lendo Hellboy Semente da Destruição (Edição Histórica vol 1). É mais introdutório, entende?

Em 1953, temos meia dúzia de pequenas histórias abordando curiosidades que, segundo Mignola, foram pontas amarradas por Chris Roberson (o escritor de IZombie e estreante em Hellboy nesta edição). Posso citar um exemplo: se você é acostumado a ler Hellboy, sabe que ele normalmente resolve as “paradas” com os demônios metendo porrada! Acontece que, na maioria das vezes, estamos falando de manifestações fantasmagóricas baseadas em lendas folclóricas, que dizer, não são monstros de carne e osso que alguém possa surrar!

Em uma das hqs de 1953, Bruttenholm comenta a incrível habilidade do Hellboy de transformar “o que parecia ser uma assombração convencional e pouco nociva” em “algo muito pior” e “que esta ocorrência sobrenatural foi totalmente alterada pela presença dele”, como se o HB pudesse transformar em carne aquele demônio maligno de maneira que mandá-lo de volta para o inferno aos socos e pontapés. Melhor exorcismo não há! Isso era, realmente, algo que sempre acontecia em suas histórias. A real é que nunca incomodou, mas agora que falaram sobre isso, é muito legal saber que faz parte de uma natureza mística do vermelhão que ele trata com seu desdem corriqueiro.

 

Contras, contras…

Antes de escrever essa matéria, procurei a  Mythos para tirar umas dúvidas editoriais que me incomodavam. basicamente mandei os seguintes questionamentos para a editora:

“Em Hellboy e o BPDP 1953 há uma referência a uma história chamada BPDP 1948, ainda inédita. Quer dizer, se a Mythos  publicou 1946/ 1947, depois 1952 e 1953, porque não publicar o 1948 antes?

Existe, ainda, um outro título chamado BPDP Inferno na Terra, publicado aqui em 2017, que narra acontecimentos após a morte de Hellboy. Nessa HQ são citados os quadrinhos BPRD King of Fear (de 2010), Garden of Souls (2007), killing Ground (2007) e The Black Flame (de 2005), todos inéditos no Brasil. Sinto que essas ausências comprometeram muito minha leitura.

Além disso, o formato da Hellboy Origens (capa cartão e dimensões um pouco menor) é diferente das Hellboy e o BPDP (capa dura e maior). Gostaria de entender essas decisões editoriais.

Porque não publicar 1948 antes de 1952 e 1953? Porque publicar Origens em formato diferente? Porque publicar BPDP Inferno na Terra antes de publicar as outras edições de 2005, 2007 e 2010? Vocês pretendem publicar essas edições?”

A Mythos, prontamente, me respondeu:

“Hellboy e o BPDP 19XX é uma série diferente de BPDP 19XX. E embora possa ler ambas juntas, elas não são diretamente relacionadas.

Lançamos os títulos que estrelam Hellboy com mais frequência devido ao baixo interesse do público por títulos apenas com BPDP. BPDP 1948 vai sair como parte do próximo BPDP Origens, programado para este ano. Quanto a BPDP Inferno na Terra, devido a esse mesmo baixo interesse por BPDP, decidimos começar de outro ponto além do material que não havia conquistado público, com tudo devidamente contextualizado e explicações para situar o leitor.

Quanto a diferença de formato, isso se deve exatamente a essas considerações de contrato, quando Origens foi negociado, ele ainda era da leva que lançávamos em capa cartão, e foi postergado devido a resposta do mercado.

Para publicarmos o material antigo de BPDP, vai sempre depender do interesse do público, que até o momento não tem sustentado outros materiais do universo de Hellboy. Se a situação mudar, é claro que é de nosso interesse lançar todo tipo de material do Mignola, seja BPDP ou outros spin-offs como Lagosta Johnson ou Abe Sapien (um material que aliás, já fizemos uma tentativa de lançamento).”

 

Entendo que os títulos não são exatamente os mesmos (BPDP Origens não é Hellboy e o BPDP), mas Mignola e cia estão criando uma cronologia ali que ficaria bem bonito de organizar na estante. Edições que antecedem a coleção histórica com as capas vermelhas do personagem.

No mais, fica evidente que o público realmente não conhece o BPDP e que o título não tem muita força no mercado, principalmente com preços beirando os 60 ou 70 reais. Só posso desejar vida longa a essa coleção e dizer que estou adorando.

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