Segunda, 23 De Julho De 2018

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Réquiem para a Srª J Рuma celebração para a morte.

Uma das melhores coisas a se fazer quando sa√≠mos de uma sess√£o de cinema √© encontrar com amigos que estavam na mesma sess√£o e batermos um papo acalorado sobre nossas impress√Ķes acerca do que acabamos de ver. Definitivamente, n√£o era o que eu queria fazer quando terminou a proje√ß√£o do R√©quiem para a Sr¬™ J, que assisti hoje, numa bela manh√£ de domingo.

Essas matinês no Teresina Shopping sempre trazem algum filme diferente e curioso para se ver. Na grande maioria das vezes, vale muito à penas ir ao cinema domingo de manhã.

Me perdoem se não trago aqui nenhuma informação exata sobre o filme em questão: quem é o diretor, atores, ano de produção, onde se passa, se ganhou algum prêmio ou algo assim. Isso não importa. Apenas, assistam ao filme se tiverem oportunidade (acredito que deve entrar em cartaz no Teresina Shopping na semana, mas esse tipo de filme nunca passa mais que 7 dias na programação).

Do que trata? A protagonista √© uma mulher madura, m√£e de duas filhas, uma adulta e uma crian√ßa. Eles vivem em um pequeno apartamento em algum lugar que deve ser na R√ļssia, e dividem com uma senhora mais velha, av√≥ das meninas.

Existe um clima f√ļnebre no filme, por causa do anivers√°rio da morte de 1 ano do marido da Sr¬™ J, que nunca superou a perda do homem que amava. Em profunda depress√£o, tudo que a Sr¬™ J quer √© a morte, deixando tudo ao seu redor sucumbir ao descaso: a casa, a fam√≠lia… Ela decide se matar e o filme narra sua jornada para a prepara√ß√£o de sua morte, desde a encomenda para l√°pide, a prepara√ß√£o do seu √ļltimo gole de cerveja ou primeiro trago de cigarro na vida, at√© conseguir os recursos necess√°rios para efetivar seus planos: ou uma bala, ou um coquetel espec√≠fico de rem√©dios que a levaria √† √≥bito.

Por incr√≠vel que parece, existe algo de c√īmico no filme, principalmente envolvendo todos os entraves burocr√°ticos que ela precisa passar at√© conseguir uma simples receita m√©dica para comprar rem√©dios que formariam os ingredientes de sua morte,¬†e √© claro que n√£o posso entrar em mais detalhes sobre o que vi. Posso elogiar, entretanto, que o longa surpreende em sua beleza e tem uma fotografia muito bem cuidada, deixando c√Ęmeras paradas o suficiente para estudarmos tudo ao redor que sua lente registra.

Quando a tela escureceu, antes de aparecer o cr√©dito do diretor (imagino que seja, pois devia estar em russo), eu j√° estava saindo da sala e fui eu quem abri as portas para deixar a sala e meia d√ļzia de conhecidos que estavam l√° dentro. Todo o filme ainda estava ressoando muito forte em mim e, pela primeira vez, n√£o queria dividir o que estava sentindo com ningu√©m.

Sai do shopping. Entrei no carro. Não liguei o som, procurando evitar quaisquer outros ruídos. E vim pra casa.

A morte foi criada para celebrar a vida.

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