Domingo, 22 De Julho De 2018

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Resenha: Batman РA Piada Mortal. Edi̤̣o Especial de Luxo (Alan Moore e Brian Bolland)

Na década de 1990 eu não era um leitor assíduo da DC, lendo mais os heróis da Marvel, como o Homem-Aranha. Porém, tudo veio a mudar quando comprei um título chamado MELHORES DO MUNDO, ainda da editora Abril, no qual continham as histórias da mais famosa equipe da editora, a Liga da Justiça. Essa era uma passagem que muito me chamou atenção, já que eu nunca tinha visto tramas tão malucas e a ação era bem desenvolvida. Foi justamente nessa trama que me foi apresentada uma personagem do universo do Batman, a hacker Oráculo.
Já a conheci em uma cadeira de rodas e me foi contado que antigamente ela vestia o manto da Batgirl e o vilão Coringa atirou na coluna dela, incapacitando-a. Definitivamente, essa brutalidade por que passou a personagem era inédito para mim que a pouco conhecera os quadrinhos.
Justamente nessa época (1999), a editora abril lançou uma republicação chamativa da história que contava como a Batgirl ficou em uma cadeira de rodas, A PIADA MORTAL. Porém, infelizmente, devido a distribuição nas bancas da minha cidade, não pude comprar o quadrinho.
O tempo passa, eu mudo de cidade, e em 2006, após a Marvel e a DC passarem para o manto de publicação da Panini Comics, vejo um grande encadernado em bancas chamado GRANDES CLÁSSICOS DC Nº 09 – ALAN MOORE.
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Admito que era uma edição caríssima e penosa para mim que não trabalhava, já que a edição custava R$ 36,90 (trinta e seis reais e noventa centavos), o mesmo valor de 06 revistas mensais da época. Mas decidi comprar, não por PIADA MORTAL, e, sim, por a cada dia ouvir mais e mais o nome ALAN MOORE entre os fãs de quadrinhos que eu conversava. E, hoje, posso afirmar, que compra correta eu fiz. Dentro dessa edição pude encontrar histórias que mudaram meu ponto de vista sobre o universo DC, sendo elas PARA O HOMEM QUE TEM TUDO e O QUE ACONTECEU AO HOMEM DO AMANHÃ?
Mas nada me chamou mais atenção do que aquela história macabra com a qual finalmente me deparei: A PIADA MORTAL.
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Foi um choque de realidade imenso ao ter essa obra em mãos e poder lê-la pela primeira vez. E se engana que o impacto nasce da cena em que Barbara Gordon (Batgirl/Oráculo) é alvejada por um tiro do rei palhaço do crime, a obra é perturbadora em diversos aspectos.
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A trama gira em torno de uma nova fuga do Coringa do Asilo Arkham. Porém, dessa vez, o palhaço está determinado a mostrar para o Batman que o limite que separa uma pessoa sã de um louco é apenas um dia ruim. Usando brutalidade, o vilão usa o maior aliado do Homem Morcego no combate ao crime em Gotham para provar seu ponto de vista, o Comissário James Gordon. Bárbara Gordon, filha do Comissário, é baleada na coluna, fotos são tiradas dela nua, o Comissário sofre humilhações e é exposto a uma loucura brutal.
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Porém, a obra não para por aí, mesmo possuindo apenas 46 páginas de quadrinhos. Ao leitor é mostrado a origem do Coringa, já que o escritor britânico Alan Moore faz um paralelo com uma histórias antiga da cronologia do morcego e interliga a origem do vilão com a de outro, o Capuz Vermelho.
Pode-se afirmar que A PIADA MORTAL é um clássico da editora DC, transpondo a simples imersão de um quadrinho normal, como muitos trabalhos que foram lançados na década de 1980, sendo muitos deles feitos por Alan Moore. Os desenhos são belíssimos e feitos pelo também britânico Brian Bolland. O esmero com essa obra é tão grande que o desenhista levou 02 anos para finalizar as 46 páginas da história. As cores ficaram por conta de John Higgins, que também foi responsável por colorir outro clássico de Alan Moore, WATCHMEN.
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Porém, como a maioria dos clássicos dos quadrinhos, a obra foi revisitada pelo próprio desenhista, Brian Bolland. O editor da DC Bob Harras chamou o desenhista inglês em 2007 para escrever sobre a obra. Mas Bolland, que nunca escondeu que o trabalho de colorização de Higgins era destoante do que ele pretendia com a história, se prontificou a recolorir tudo.
É essa edição que o leitor brasileiro pode adquirir agora. Contando com 88 páginas, formato 17×26 cm, capa dura e preço de capa de R$ 22,90 (vinte e dois reais e noventa centavos), essa é a 4º republicação da obra no Brasil e a 2º vez que é lançado com as cores de Bolland.
É inegável a mudança, principalmente, para o leitor que conheceu a obra na colorização de Higgins.
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A colorização original dá um tom de loucura e estranhamento para as cenas, como se o leitor entrasse naquela espiral que o Coringa lança o Comissário Gordon e o Batman. Não que o trabalho de Bolland seja ruim. Longe disso. O que o desenhista faz é captar de outra forma as cenas, dando enfoque em outra situações, como nas páginas em flashblack, que são quase preto e branco, com destaque apenas a alguns objetos.
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Isso mostra que dois coloristas diferentes, quase 20 anos após a primeira publicação, conseguem capturar novas formas de interpretação da história. Ou seja, a qualidade de PIADA MORTAL é inegável, seja pelo roteiro, seja pelos desenhos extremamente detalhistas e dinâmicos, ou seja pela sua nova colorização.
Ao leitor que não possui essa obra e é fã da DC ou do Batman, aqui, vai encontrar a história definitiva do Coringa, e umas das suas origens, talvez, a mais aceita.
A edição da Panini ainda conta com um prefácio do desenhista TIM SALE, o posfácio por Brian Bolland, a história SUJEITO INOCENTE, publicada em Batman Black and White 04 de 1996 e, por último, a primeira aparição do Coringa em BATMAN 01 de 1940. Infelizmente, não consta no encadernado a história que liga o Coringa ao Capuz Vermelho e que Moore referencia, publicada em Detective Comics 168.
Coringa
Infelizmente, essa foi a última história criada por Alan Moore para a DC, já que o escritor inglês brigou com a editora pelos direitos de WATCHMEN logo após PIADA MORTAL. 
Atualmente, apesar da PIADA MORTAL ter sido assimilada pela cronologia da editora, muito da obra foi desfeito pela DC, pois Barbara Gordon voltou a ser a Batgirl, a origem do Coringa é recontada de tempos em tempos e até mesmo citações à obra são mal vistas, principalmente, pelo teor de violência presente contra a heróina.
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Mas nada que roube o brilho dessa história que faz 30 anos em março de 2018, pois, mais do que nunca, PIADA MORTAL é um conto atemporal de loucura e o que torna uma pessoa sã, seja no roteiro magistral, seja na arte detalhista ou na colorinização, usando cores mais sóbrias ou mais vibrantes.
 
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