Quarta, 12 De Setembro De 2018

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Resenha | Mr. Mercedes: A história de detetive de Stephen King que deu certo

√Č uma pena que deixei esta s√©rie passar batido em 2017 e somente agora, um ano depois de de ela passar na TV americana que tive o prazer de assistir.

Audience Network/DirecTV

 

‚ÄúMr. Mercedes‚ÄĚ come√ßa logo com uma cena que, se n√£o for, uma das mais legais dos √ļltimos de uma s√©rie do g√™nero, chegou bem perto. A cena √© uma inspira√ß√£o real, quando uma mulher dirigiu seu carro para uma multid√£o em uma feira de empregos do McDonalds, a s√©rie da Audience Network fez o favor de recriar o crime com detalhes terr√≠veis.

 

Embora a cena não seja em uma cadeia de fast food, ela é mais sombria e misteriosa que o evento citado, além disso, tem um homem com uma máscara de palhaço sentado no volante de um sedã Mercedes. Ele chega nessa fila de pessoas, que estão esperando para uma feira de emprego. O motorista simplesmente corre o carro para essa multidão de mulheres, homens e crianças, no final, ninguém sai vivo.

 

Como descrito, esta √© uma cena profundamente perturbadora. Na era da ‚Äútoo much TV,‚ÄĚ a necessidade de causar uma primeira impress√£o retumbante √© compreens√≠vel, mas Mr. Mercedes trata o incidente em um Thriller policial incr√≠vel do come√ßo ao fim da primeira temporada. A s√©rie √© uma adapta√ß√£o do romance de Stephen King.

 

King, embora seja mais conhecido por hist√≥rias de terror e um dos escritores mais ativos da exist√™ncia, n√£o adere a um g√™nero espec√≠fico quando escreveu seu romance de 2014, ‚ÄúMr. Mercedes‚ÄĚ √© muito mais que uma hist√≥ria de crime e estudo de car√°ter. O primeiro de uma trilogia que acompanha o detetive de pol√≠cia aposentado Bill Hodges e sua procura fren√©tica por um assassino louco. O livrou tamb√©m quebrou o estigma que King n√£o sabe escrever outra coisa, se n√£o, terror. Erraram todos.

 

A série é estruturalmente similar a outras séries de TV do gênero policial. Mas ela dá mais ênfase aos personagens principais, sua perseguição de gato e rato e todo o aspecto psicológico que cada um apresenta durante a primeira temporada. Na verdade, a série dá uma aula sobre a temática e traumas do passado.

 

Audience Network/DirecTV

‚ÄúMr. Mercedes‚ÄĚ √© sobre a persegui√ß√£o de Hodges (Brendan Gleeson) ao assassino de dezenas de pessoas que usou um carro e n√£o deixou pistas de seu paradeiro. A hist√≥ria centra quando ele se aposenta e deixa este caso em aberto, algo sem solu√ß√£o que mesmo depois de anos o deixa sem dormir. Quem estava por tr√°s da m√°scara de palha√ßo n√£o √© um mist√©rio para o p√ļblico. Harry Treadaway (‚ÄúPenny Dreadful‚ÄĚ) interpreta Brady Hartsfeld, um cara que conserta computadores a domic√≠lio em uma franquia que vende aparelhos eletr√īnicos.

 

Ele √© praticamente um escravo da empresa. Dando enfase aos problemas sociais que a classe que trabalha nessa linha econ√īmica americana vem passando nos √ļltimos anos. Seu chefe √© um estere√≥tipo corporativo: faminto por poder (e levemente louco), ele cita ‚Äúo cliente tem sempre raz√£o‚ÄĚ como um mantra, al√©m de pegar bastante no p√© de Brady e sua colega de trabalho por serem ‘estranhos’. Brady por ser bastante anti social e sua colega por l√©sbica que n√£o leva desaforo para casa.

 

Esse chefe é fácil de odiar, e, nas mãos certas, esse tipo de figura enlouquecedora combinada com tempo e uma figura estragada como Hartsfield que tem uma família para lá de destruída, transforma o personagem numa alegoria assustadora e convincente sobre o quanto muitas pessoas passam por isso. Isso tudo não é razão para Brady ser um assassino psicótico, o cara simplesmente gosta de fazer maldade.

 

Audience Network/DirecTV

Mas essa motiva√ß√£o deve ter sido considerada complexa demais para existir por conta pr√≥pria durante a s√©rie, mostrando um Hartsfield profundo, sombrio e desagrad√°vel. No entanto, um efeito colateral n√£o intencional √© a sua total aliena√ß√£o. Sim, os espectadores passam a entend√™-lo ‚Äď por meio do familiar motiva√ß√£o do personagem serial killer ‚Äď, mas ainda, ningu√©m t√™m empatia com ele. Sua introdu√ß√£o e a√ß√Ķes arru√≠nam qualquer chance que o p√ļblico tenha de se identificar com Hartsfield como um americano mediano.

 

A série pode ser focada entres esses dois personagens, mas ela ganha bastante na atuação e roteiro quando Mary-Louise Parker (finalmente) aparece.

 

O drama dá a série é uma combinação desagradável ou não dos mais terríveis momentos de terror de Stephen King transformados em uma linha dura de gênero policial. Não ganha muito com a violência, mesmo com um bom roteiro e ideias convincentes. Porém, os atores, diálogos e o processo que culmina com o final da temporada produziu uma série que vale a pena assistir.

 

 

Quem é PikachuSama

Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.

 

  

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