Domingo, 23 De Dezembro De 2018

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Resenha | N√£o me abandone jamais (Kazuo Ishiguro)

Texto da Cynthia Osório.
N√£o me abandone jamais” al√©m de um trecho chiclete da m√ļsica dos Paralamas do sucesso (dsclp n pude evitar😂🙈) √© um filme adaptado do romance de mesmo t√≠tulo, e √© dele, o romance,¬† que “to fazendo arrudeio” pra come√ßar a falar porque n√£o sei fazer resenha. Mas vamos l√°. Minhas impress√Ķes.
Kathy H. narra suas mem√≥rias de inf√Ęncia adolesc√™ncia e recente passado da vida adulta, boa parte vividas num internato ingl√™s, Hailsham. Os acontecimentos aparentemente triviais, que a narradora-personagem conta, v√£o ganhando relev√Ęncia aos poucos, √© como o leitor vai entendendo do que realmente se trata a hist√≥ria. Sim, a narrativa nos “engana” de in√≠cio, n√£o h√° grandes reviravoltas, mas h√° pequenas surpresas que aparecem conforme a mem√≥ria da Kathy H. permite.
O autor, que eu n√£o conhecia, traz essas mem√≥rias de um jeito vago, impreciso, como de fato √© nossa mem√≥ria, que, √†s vezes, se confunde com sonhos e desejos. Achei h√°bil e sens√≠vel a sua precis√£o na imprecis√£o. Kazuo Ishiguro (o autor), √© japon√™s, foi viver na Inglaterra ainda crian√ßa, ganhou premio Nobel de literatura em¬† 2017. Vou me manter na dist√Ęncia segura de falar apenas isso sobre ele.
Ent√£o, kathy H. est√° com 31 anos, √© cuidadora h√° mais de 11, prepara-se para ser doadora e enquanto isso reencontra-se com sua pr√≥pria vida. Mas cuidadora de qu√™? De quem? Doadora pra qu√™, pra quem, de qu√™? “Que porra √© essa?”Essa pergunta a gente se faz logo de in√≠cio e √© ela que nos leva at√© o final do livro. √Č dif√≠cil dar esta resposta sem estragar as surpresas da narrativa, rica em¬† detalhes sensoriais e emocionais. Junto com kathy H., em suas mem√≥rias, aparecem principalmente Tommy e Ruth. Al√©m deles, outros colegas de internato e os ” guardi√Ķes”, uma esp√©cie de tutores do internato. Os alunos t√™m nome, o sobrenome √© escrito apenas com a letra inicial, √© um boa alegoria que o autor usa e que indica a desumanidade que os cerca.
√Č uma hist√≥ria triste. Contada com alegria e saudosismo sereno, porque a personagem tem esse temperamento. Ambientado num contexto de p√≥s-segunda guerra mundial (da d√©cada de 70 √† de 90), onde os avan√ßos das ci√™ncias m√©dicas e a preserva√ß√£o da vida ap√≥s o caos eram anseios, “N√£o me abandone jamais” √© sobre morte e vida, principalmente sobre o percurso entre uma e outra. A realidade no internato, e depois de l√°, √© limitada o que traz certa ingenuidade √†s personagens e ao mesmo tempo torna, no olhar deles, o trivial fundamental (por exemplo, a m√ļsica que Kathy costumava ouvir “never let me go”, t√≠tulo original do livro). O olhar deles para o mundo e para si, atrav√©s de Kathy, nos faz refletir sobre o que temos, sobre certezas e incertezas. O que me prende √† leitura: a reflex√£o e a curiosidade a respeito da natureza das sensa√ß√Ķes e sentimentos de kathy H. numa circunst√Ęncia dist√≥pica. √Č f√°cil se identificar porque sentir √© humano.¬† √Č uma boa viagem com kathy H. ao volante. Atentai bem ao percurso mais que ao final da viagem.
P.s. Ah, vi o filme depois, mas dá pra ler legal, mesmo tendo visto antes, porque apesar do roteiro parecer muito com o que a gente tende a fazer na cabeça enquanto lê, a riqueza de detalhes na leitura traduz muuuuuuito melhor a viagem. O filme é bom, emocionante, O livro é ótimo, mais real e mais dolorido também.
Está ótimo pessoal parou.

Foto: Cynthia Osório

Quem é PikachuSama

Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.

 

  

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