Sábado, 04 De Agosto De 2018

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Resenha | ORKS (Nicolas Tacklan & Nicolas Guenet)

VOLUME DE LUXO DA MYTHOS ABORDA RAÇA DE VILÕES DE UMA FORMA DIRETA E NIILISTA, INDICANDO O FIM DE UMA ERA DE FANTASIA

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Muitos elementos de fantasia são de conhecimento do público em geral, como o herói em sua jornada, os elfos sábios e imortais, magos que vagam pelo mundo em busca de conhecimento e histórias de guerras que envolvem o conflito de muitas raças de seres mágicos. Em sua maioria, nesses conflitos, os que representam as forças do mal são os orcs, raça de seres deformados e brutais que lutam contra as forças do bem.

Porém, em ORKS, de Nicolas Tacklan e Nicolas Guenet, esse conflito entre raças é visto pela ótica dos quase sempre retratados como vilões, os orcs.

Em um mundo mágico onde os humanos, junto com os anões, avançam dia após dia sobre as florestas, usando de maquinário pesado e fazendo escravos pelo caminho para gerar lucros para os senhores humanos, os orcs tem que tomar uma decisão sobre como eles devem deter o avanço dos seus opressores.

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É inegável que o centro da história é a guerra que está chegando, deixando os personagens em segundo plano. E isso é uma vantagem para tornar a narrativa mais ágil e criar a apreensão no leitor, já que aquele conflito não pode terminar bem, pois não existiria meio termo, apenas a aniquilação de um lado.

Porém, esse foco no conflito pode desapontar o leitor que queira conhecer os personagens envolvidos na trama. Não que não existam figuras marcantes na narrativa de ORKS. Eles existem aos montes (o casal orc que vai para a guerra, o humano escravagista, o xamã orc que quer salvar seu povo, a embaixadora humana que quer parar o conflito, já que aquilo não é de interesse do rei, e o jovem rei orc, extremamente violento e manipulável que não aguenta mais viver sobre a opressão humana), porém, não são explorados devidamente devido à decisão do escritor em focar no conflito em si. Mas isso não é um demérito para a história contada, já que o panorama geral justifica a atitude do roteirista.

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Dessa forma, se a guerra é a principal figura em ORKS, ela é muito bem trabalhada, seja nos ataques dos humanos e dos anões aos seres das florestas (já que em determinado momento, os elfos também aparecem na trama), seja do ponto de vista religioso (há um momento em que o deus orc entra em conflito com o deus humano que é de tirar o folego, principalmente, por ser mostrado através de uma visão de um xamã orc). Tudo isso cria a impressão para o leitor de que ele está diante de uma história que vai significar o fim de era mágica.

E se a guerra é o principal da narrativa, então, que ela seja muito bem desenhada, correto? Isso é exatamente o que o desenhista Nicolas Guenet entrega. Mantendo a qualidade de volumes europeus como Elric, Réquiem, Cavaleiro Vampiro e Elfos, o trabalho em ORKS é soberbo, fazendo com que o leitor pare e fique apreciando aqueles momentos em que o conflito se desenrola, em especial os pequenos detalhes (note como os anões usam uma maquinário para ficarem maiores que os outros seres e poderem usar devidamente o chicote em que batem nos escravos).

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O volume gigante lançado pela editora Mythos, no selo Gold Edition, é muito adequado para acompanhar a história, valorizando a arte. Porém, é apenas protocolar no que trata acerca de conteúdo. A edição não traz uma biografia dos autores ou quaisquer extras, apenas as capas originais e os dois volumes (La Voix des Armes e La marque du Néant) que fecham esse arco lançado pela editora europeia Soleil. Não há qualquer informação se esses dois volumes originais fecham a história proposta (o que é bom, por dar um sentimento de fim ao que está sendo narrado, e ruim, já que há muitos elementos a serem explorados e deixados soltos na história).

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Contando com um roteiro que acerta ao focar na sensação de urgência da guera que está chegando, apesar de não aprofundar os personagens que estão no meio desse turbilhão, ORKS é um excelente e belamente desenhado quadrinho, lançado em um volume gigante muito bonito, mas desprovido de extras.

Ficha técnica:

  • Capa dura;
  • 116 páginas;
  • Editora Mythos;
  • Lançamento em 11 de maio de 2018;
  • Tamanho: 32 x 23 x 1,4 cm;
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