Terça, 10 De Julho De 2018

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Resenha| Os Invisíveis Vol. 1

“Os Invis√≠veis” √© uma obra sobre tudo.

N√£o consigo me imaginar escrevendo qualquer coisa sobre esta obra do escritor Grant Morrison (Homem Animal, Kid Eternidade) sem deixar isso bem claro.
Na minha primeira leitura do volume 1 de Os Invis√≠veis, n√£o muitos anos atr√°s, tive um enorme √™xtase por toda a rebeldia e conceitos ali inseridos. Magia, anarquismo, teorias da conspira√ß√£o… Toda a obra parecia en√©rgica em mostrar o qu√£o ca√≥tico o nosso mundo poderia ser, e eu estava realmente ansioso para mergulhar nisso.
Para escrever essa resenha (que já havia prometido desde a primeira leitura, aliás) fiz questão de reler todo o primeiro encadernado da editora Panini Рque compila THE INVISIBLES #1 a #8 Рnovamente, e tive uma experiência no mínimo interessante.
N√£o sou do tipo que costuma voltar atr√°s e re-ler obras, (at√© porque acredito que nem idade eu tenho pra isso rs) mas com os Invis√≠veis abri uma excess√£o, para ter certeza que eu lembrava de todos os detalhes e me deparei com uma grata surpresa: N√£o s√≥ eventos dos quais eu nunca havia notado antes mas tamb√©m interpreta√ß√Ķes completamente diferentes me atingiram como um tapa de luva de cetim preenchida de cacos de vidro.
“Os Invis√≠veis” se passa em uma sociedade moderna nos anos 90, e seu primeiro arco ‘Na pior entre o c√©u e inferno’ segue as desventuras de Dane McGowan, um delinquente juvenil que possivelmente est√° passando pelas experi√™ncias mais insanas de sua vida. Sua m√£e n√£o o quer em casa e seu pai o abandonou quando era muito crian√ßa. Seu passatempo √© queimar bibliotecas, roubar carros e desafiar autoridades. O nome da obra se refere √† uma ‘Sociedade Secreta’ de Terroristas Anarquistas, que s√£o liderados por King Mob, que nada mais √© do que o Grant Morrison querendo entrar em seu pr√≥prio gibi (como j√° havia feito em trabalhos anteriores, como em seu run de Homem Animal).

Acredito que qualquer coisa dita ap√≥s isso √© um spoiler atr√°s do outro, ou no m√≠nimo uma descri√ß√£o incompleta e nebulosa da obra. Acredito que n√£o √© segredo pra ningu√©m, mas se for, aqui est√° o fruto do conhecimento: Grant Morrison se considera um mago, e fez quest√£o de deixar isso bem claro neste quadrinho, que est√° repleto de refer√™ncias diretas ao Tarot, simbolismos m√≠sticos e Magia do Caos. Este √© um dos charmes da obra, tal qual as m√ļsicas de Raul Seixas com refer√™ncias √† Thelema de Crowley.
Apesar de eu recomendar bastante uma leitura Wikipédica sobre o assunto antes de essa leitura, não é algo exatamente obrigatório, uma vez que o roteirista fez questão de atirar para todos os lados e fazer de Os Invisíveis uma obra acessível até para quem acredita em alienígenas.
Na verdade, especialmente para quem acredita em alienígenas.
Isso é algo que me causa um espanto de êxtase ao mesmo tempo que me faz pensar em desgosto: Grant Morrison fez uma obra acessível e adaptável à mente daqueles que lêem ou ele só atirou para todos os lados possíveis fazendo a trama mais absurda que conseguiu? Gênio ou canastrão?
Os Invisíveis é desenhado por diversos artistas, tal qual Steve Yeowell e Denis Cramer, que fazem trabalhos competentes na caracterização dos personagens.
Mas apesar disso, nem tudo s√£o flores: Os Invis√≠veis n√£o √© uma obra para todos os p√ļblicos, e se o primeiro arco n√£o te convence disto, o segundo “Arc√°dia” definitivamente o far√°. Uma mistura de viagem no tempo, literatura sadomasoquista e alien√≠genas mostra a que veio a obra: √Č necess√°rio prestar bastante aten√ß√£o e saber abstrair os di√°logos nonsense do autor para se ter o m√≠nimo de no√ß√£o do que est√° acontecendo.
Por fim, “Os Invis√≠veis” n√£o √© uma obra para todos, sua leitura exige mais concentra√ß√£o e energia do que boa parte dos leitores est√° acostumado a gastar; mas se voc√™ ainda sim estiver disposto a explorar esta obra, s√≥ posso avisar: Abra sua mente antes de come√ßar a leitura. Se n√£o fizer isso, a obra o far√° e √© bem prov√°vel que voc√™ fique at√īnito o resto do dia.
Antes de encerrar o post, sinto-me na obriga√ß√£o de explicar sobre a lend√°ria pol√™mica que estas primeiras edi√ß√Ķes de “Os Invis√≠veis” traz consigo: Como j√° afirmado anteriormente, a obra n√£o √© para todos e exige um gasto de energia consider√°vel. N√£o deve ser surpresa para ningu√©m que a revista vendeu relativamente mal, e estava √† beira do cancelamento quando Morrison fez algo que at√© hoje √© lembrado: Junto de uma edi√ß√£o de os Invis√≠veis, ele explicou que a revista estava passando por maus bocados e junto deste recado, estava um Sigilo (lembra da leitura sobre Magia do Caos que recomendei antes? Ent√£o) e um pedido: Para que todos os leitores batessem uma foderosa punheta olhando para aquele s√≠mbolo em um dia e hor√°rio marcados para evitar o cancelamento da revista. Claro, no pedido ele tamb√©m dizia para falar sobre Os Invis√≠veis com qualquer amigo que gostasse de coisas estranhas.
A revista foi cancelada, mas pouco tempo depois ganhou um segundo Volume para que o Morrison continuasse a escrever sobre suas loucuras, ent√£o… Funcionou?
E você? Tem algum comentário a fazer sobre esta polêmica revista? Acha que a magia do Morrison para continuar escrevendo funcionou? Escreva nos comentários!

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