Terça, 10 De Julho De 2018

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RPG: Pondera√ß√Ķes sobre a situa√ß√£o atual do Hobby

Este ser√° o √ļltimo Post sobre o assunto. N√£o porque eu estou cansado de falar sobre ele, mas sim porque eu estou ficando sem imagens de dados.

√Č s√©rio.
Bom, deixando minha vida de torador de brita da Nerdpoint de lado, gostaria de falar um pouco sobre como o mercado do RPG tem se encontrado hoje no Brasil, que depois de um tempo muito grande voltou a renascer.
Com a (re)publica√ß√£o de cl√°ssicos em novas edi√ß√Ķes como¬†Call of Cthulhu e Shadowrun pela New Order Editora, e¬†Castelo Falkenstein pela Retropunk, cheguei √† conclus√£o que: o RPG envelheceu junto das pessoas que o jogavam nos anos 90.
Digo isso porque, apesar de achar excelente a publica√ß√£o em territ√≥rio nacional, consigo notar que as publica√ß√Ķes (assim como em Quadrinhos) est√£o vindo cada vez mais caras e luxuosas, quase como em edi√ß√Ķes definitivas. E quase inacess√≠veis ao grande p√ļblico.
Compreendam, RPG é um hobby complicado. Especialmente quando se entra na faculdade. A divisão de tempo e dedicação necessários para se jogar uma campanha, especialmente presencial, é inimaginavelmente grande (acreditem, nós da Nerdpoint sabemos disso. Cobrem de nós um Podcast de RPG, por favor) e isso desestimula a jogatina depois de um certo tempo.
Isso faz com que a maior parte do pessoal endinheirado hoje, que antes jogava RPG, partisse para os Board Games, que permitem uma partida rápida e às vezes até nostálgica como o RPGQuest. Em um RPG de mesa, não se tem esse luxo. Em uma campanha, faltou o Clérigo, já quebrou o esquema da Dungeon.
luta-unicornio-dragao.jpg

Acabaram minhas imagens de dado. Fiquem com isso.

Partindo disso, unido a todos os fatores que j√° falei na √ļltima parte da minha s√©rie de textos sobre a hist√≥ria do RPG em terras tupiniquins, vemos que a gera√ß√£o mais nova certamente n√£o est√° interessada nestes jogos por enquanto. Ent√£o, quem √© o p√ļblico dessas luxuosas edi√ß√Ķes?
Os velhos. Todos aqueles livros que eles n√£o puderam pegar um dia, hoje eles est√£o conseguindo, em edi√ß√Ķes dur√°veis e luxuosas. Mas enquanto isso √© algo bom para reavivar o mercado, tamb√©m √© ruim porque n√£o renova o p√ļblico.
Poucos são os RPGs que você consegue comprar com 40 reais atualmente. E nenhum deles é uma compra inesperada, como um gibi em banca.
Embora pareça que o RPG, por mais caro que seja, ainda seja acessível porque é um produto para o grupo inteiro, e o custo pode ser dividido, mas eu discordo. Justamente pela ausência de chamativos para o produto, você acaba não sendo fisgado por ele. Você que vai pescá-lo. Isso é típico de comunidades de nicho pequeno, e que precisam do estímulo correto.
Eventos de Anime e de Jogos eletr√īnicos podem parecer uma boa op√ß√£o para o p√ļblico de RPG, mas n√£o s√£o. S√£o barulhentos e possuem muitas outras coisas a fazer fora ficar em uma mesa por horas seguidas.
√Č preciso esfor√ßo. √Č preciso que a comunidade antiga se abra para novos jogadores e d√™em o primeiro empurr√£ozinho. A Rede Globo, apesar de j√° um dia ter falado muito mal do RPG ap√≥s o caso de ouro preto, hoje j√° parece ter sossegado o facho em rela√ß√£o ao jogo e voltado √† falar e noticiar normalmente sobre o assunto, como pude constatar em eventos no Rio e em SP.
A Editora New Order parece estar se programando, junto com outros grupos de mestres para de fato efetivar programas e eventos para jogadores iniciantes; mas só o tempo dirá como a situação irá ficar.
Embora eu espere o melhor, sou realista. √Č muito dif√≠cil que o RPG retorne √† sua gl√≥ria dos anos 90, mas espero que ao menos a comunidade se fa√ßa mais presente daqui em diante.

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