Segunda, 17 De Dezembro De 2018

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RPG: Ponderações sobre a situação atual do Hobby

Este será o último Post sobre o assunto. Não porque eu estou cansado de falar sobre ele, mas sim porque eu estou ficando sem imagens de dados.

É sério.
Bom, deixando minha vida de torador de brita da Nerdpoint de lado, gostaria de falar um pouco sobre como o mercado do RPG tem se encontrado hoje no Brasil, que depois de um tempo muito grande voltou a renascer.
Com a (re)publicação de clássicos em novas edições como Call of Cthulhu e Shadowrun pela New Order Editora, e Castelo Falkenstein pela Retropunk, cheguei à conclusão que: o RPG envelheceu junto das pessoas que o jogavam nos anos 90.
Digo isso porque, apesar de achar excelente a publicação em território nacional, consigo notar que as publicações (assim como em Quadrinhos) estão vindo cada vez mais caras e luxuosas, quase como em edições definitivas. E quase inacessíveis ao grande público.
Compreendam, RPG é um hobby complicado. Especialmente quando se entra na faculdade. A divisão de tempo e dedicação necessários para se jogar uma campanha, especialmente presencial, é inimaginavelmente grande (acreditem, nós da Nerdpoint sabemos disso. Cobrem de nós um Podcast de RPG, por favor) e isso desestimula a jogatina depois de um certo tempo.
Isso faz com que a maior parte do pessoal endinheirado hoje, que antes jogava RPG, partisse para os Board Games, que permitem uma partida rápida e às vezes até nostálgica como o RPGQuest. Em um RPG de mesa, não se tem esse luxo. Em uma campanha, faltou o Clérigo, já quebrou o esquema da Dungeon.
luta-unicornio-dragao.jpg

Acabaram minhas imagens de dado. Fiquem com isso.

Partindo disso, unido a todos os fatores que já falei na última parte da minha série de textos sobre a história do RPG em terras tupiniquins, vemos que a geração mais nova certamente não está interessada nestes jogos por enquanto. Então, quem é o público dessas luxuosas edições?
Os velhos. Todos aqueles livros que eles não puderam pegar um dia, hoje eles estão conseguindo, em edições duráveis e luxuosas. Mas enquanto isso é algo bom para reavivar o mercado, também é ruim porque não renova o público.
Poucos são os RPGs que você consegue comprar com 40 reais atualmente. E nenhum deles é uma compra inesperada, como um gibi em banca.
Embora pareça que o RPG, por mais caro que seja, ainda seja acessível porque é um produto para o grupo inteiro, e o custo pode ser dividido, mas eu discordo. Justamente pela ausência de chamativos para o produto, você acaba não sendo fisgado por ele. Você que vai pescá-lo. Isso é típico de comunidades de nicho pequeno, e que precisam do estímulo correto.
Eventos de Anime e de Jogos eletrônicos podem parecer uma boa opção para o público de RPG, mas não são. São barulhentos e possuem muitas outras coisas a fazer fora ficar em uma mesa por horas seguidas.
É preciso esforço. É preciso que a comunidade antiga se abra para novos jogadores e dêem o primeiro empurrãozinho. A Rede Globo, apesar de já um dia ter falado muito mal do RPG após o caso de ouro preto, hoje já parece ter sossegado o facho em relação ao jogo e voltado à falar e noticiar normalmente sobre o assunto, como pude constatar em eventos no Rio e em SP.
A Editora New Order parece estar se programando, junto com outros grupos de mestres para de fato efetivar programas e eventos para jogadores iniciantes; mas só o tempo dirá como a situação irá ficar.
Embora eu espere o melhor, sou realista. É muito difícil que o RPG retorne à sua glória dos anos 90, mas espero que ao menos a comunidade se faça mais presente daqui em diante.

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