Terça, 16 De Outubro De 2018

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The Dragon Prince: Uma relação de amor e ódio

Finalmente saiu a primeira temporada de “O Pr√≠ncipe Drag√£o” da Netflix, com os roteiros de Aaron Ehasz (Avatar: A lenda de Aang) e estas s√£o as minhas primeiras impress√Ķes

A trama gira em torno de uma guerra e toma uma abordagem onde a inoc√™ncia infantil √© a √ļnica coisa que pode realmente fazer algo de bom no mundo. Em Avatar, isso era refletido na personalidade brincalhona de Aang, e em O Pr√≠ncipe Drag√£o, vemos novamente um grupo de jovens que, n√£o e encaixando no ideal de maturidade adulta, conseguem fazer alguma coisa para melhorar a situa√ß√£o do mundo.

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A universo de The Dragon Prince √© apresentado rapidamente numa introdu√ß√£o no primeiro epis√≥dio e foca-se bastante no misticismo. No mundo da s√©rie Elfos, Humanos e criaturas m√≠sticas viviam em paz e harmonia em um √ļnico reino chamado Xadia, convivendo diariamente com magia que advinha das 6 fontes prim√°rias de energia: O Sol, a Lua, As Estrelas, A Terra, O C√©u e o Oceano. Naturalmente, os humanos fazem uma merda: descobrem uma s√©tima fonte de energia, uma que sugava a for√ßa vital dos seres (como a magia verde dos Orcs de Warcraft). Os elfos e os Drag√Ķes, horrorizados com o que presenciaram e com as consequ√™ncias que aquilo poderia trazer, resolveram por um fim precoce aos experimentos e baniram os humanos para o oeste, onde fundaram o reino de Katolis.

No centro, o Rei Drag√£o protegia a barreira entre os dois reinos, e ainda mais insatisfeitos, os humanos (que n√£o tem motiva√ß√Ķes claras fora “voltar para Xadia”) formam um ex√©rcito e em uma de suas empreitadas matam o Drag√£o e quebram seu √ļltimo ovo, o Pr√≠ncipe Drag√£o. E claro que os elfos n√£o se sentiram nem um pouco satisfeitos com isso, ent√£o quando a anima√ß√£o come√ßa de fato, os humanos e os elfos est√£o em guerra.

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O episódio começa com uma pequena comitiva de Elfos da Lua preparando-se para assassinar o rei dos Humanos, e é aí onde conhecemos uma personagem importante: Rayla.

Os elfos na dublagem em inglês possuem um sotaque meio irlandês, o que foi bastante do meu agrado, especialmente na personagem Rayla. Ela, assim como os outros protagonistas; não se encaixa no padrão esperado dela pelos outros elfos, pois, apesar de ser extremamente habilidosa, não consegue cometer assassinatos à sangue frio.

No resto dos tr√™s primeiros epis√≥dios somos apresentados ao resto dos protagonistas e ao plot principal, que vou resumir o melhor poss√≠vel para n√£o estragar a experi√™ncia de ningu√©m: √Č descoberto que o ovo do Pr√≠ncipe Drag√£o est√° inteiro e vivo; e resta a Rayla, a elfa ex-quase-assassina, Callum, filho mais velho e adotivo do rei, e Ezren, filho leg√≠timo do rei; que est√£o bastante insatisfeitos com a situa√ß√£o do mundo nesta guerra sem fim, levar este ovo at√© sua m√£e e parar a guerra.

Como levar um ovo de dragão até sua mãe pararia a guerra entre humanos e elfos, eu não faço a mínima ideia, e a série também não deixa claro.

Callum é o filho mais velho, que mesmo sendo adotivo ainda possui as mesas cobranças de um príncipe humano: Ele deve aprender a ser forte e manejar uma espada. Ele não é muito bom nisso, sendo estabanado, mais franzino e afeito à intelectualidade e magia.

Já Ezren, apesar de ainda ser uma criança, demonstra bastante carisma e presença nos episódios, estando sempre de bom humor e interagindo com Isca, seu sapo brilhante.

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A s√©rie possui as mesmas virtudes de Avatar, mas at√© a√≠, muitas outras coisas tamb√©m…

Os personagens s√£o carism√°ticos, e o cen√°rio tem uma boa dire√ß√£o de arte e trilha sonora invej√°vel, assim como o Design de personagens. O cen√°rio de fantasia “medieval” parece ser bem mais extenso do que a pequena explica√ß√£o dada no primeiro epis√≥dio; dando a entender que neste universo existe mais de um tipo de elfo; que provavelmente ser√£o explorados nas pr√≥ximas temporadas.

√Č imposs√≠vel deixar de comparar esta s√©rie com Avatar, uma vez que √© um grande trabalho do escrito. E assim muitas das virtudes da obra anterior do roteirista se mant√©m, e talvez alguns v√≠cios narrativos possam, fazer com que a obra muito se pare√ßa com um eco do que com um trabalho novo e original.

E isso não necessariamente é uma coisa ruim.

A sensa√ß√£o de aventura √© presente em todos os epis√≥dios, onde uma faceta nova do mundo e dos personagens √© explorada. Os n√ļcleos da hist√≥ria possuem qu√≠mica, e embora o plot n√£o tenha se revelado com muita for√ßa na primeira temporada, deixando algumas coisas amb√≠guas, ainda √© um show extremamente divertido de assistir, e eu me sinto particularmente ansioso para ver como certos personagens ir√£o se desenvolver.

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Não resisti à piada

OU NÃO!

O ponto mais fraco da série, definitivamente é a animação. Ele segue o padrão de animação em modelos 3D, que apesar de terem sido muito bem modelados, fazem com que algumas cenas se tornem um martírio de se assistir, pois parecem caminhar a 3 frames por segundo com lag de internet num jogo online.

Se a s√©rie n√£o tivesse outros pontos positivos, eu teria dropado logo na segunda cena, o que √© honestamente uma pena. O est√ļdio poderia ganhar muito ao investir numa const√Ęncia de qualidade melhor para as anima√ß√Ķes.

Pontos Fortes:

O show é extremamente divertido e parece ter um universo profundamento, uma vez que investiram em pequenos detalhes, como na aparência dos diversos tipos de elfos; no curioso fato de que eles só tem 4 dedos e no sotaque. Os humanos também não ficam atrás, uma vez que são extremamente diversificados.

E diversidade √© a palavra certa para ser usada aqui. Negros est√£o *muito* bem representados e temos at√© mesmo uma personagem muda que se comunica atrav√©s de um int√©rprete; e todos s√£o apresentados de maneira extremamente natural, sem parecer que estavam cumprindo uma “agenda”. Essa personagem muda se tornou uma personagem da qual eu espero que seja melhor explorada nas pr√≥ximas temporadas.

A trilha sonora tem uma identidade própria, e as artes de cenário são de cair o queixo, tornando o continente um lugar absurdamente lindo.

Pontos Fracos:

O objetivo final dos protagonistas n√£o √© bem explicado, e v√°rias vezes durante os epis√≥dios eu chegava a me perguntar “para onde eles est√£o levando esse ovo e como que isso iria parar a guerra mesmo?”. Apesar disso, ainda √© divertido ver as aventuras do grupo pelo mundo.

A anima√ß√£o tamb√©m √© inconstante, tendo pontos de extrema fluidez e outros onde eu fiquei honestamente triste, porque era t√£o travado que me lembrou de tempos mais soturnos de minha vida onde os jogos que eu baixava no meu PC n√£o rodavam direito…

Veredito final:

A primeira temporada de The Dragon Prince tem 9 episódios na Netflix, e ainda não disse muito bem a que veio. Embora tenha demonstrado MUITO potencial, ainda não parece conseguir se manter muito bem com as próprias pernas e definitivamente ainda tem muito no que melhorar.

Sinto-me ansioso para uma segunda temporada de The Dragon Prince, e desejo honestamente que o potencial da série seja melhor explorado.

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