Domingo, 17 De Fevereiro De 2019

LOJA QUINTA CAPA

The Dragon Prince: Uma relação de amor e ódio

Finalmente saiu a primeira temporada de “O Príncipe Dragão” da Netflix, com os roteiros de Aaron Ehasz (Avatar: A lenda de Aang) e estas são as minhas primeiras impressões

A trama gira em torno de uma guerra e toma uma abordagem onde a inocência infantil é a única coisa que pode realmente fazer algo de bom no mundo. Em Avatar, isso era refletido na personalidade brincalhona de Aang, e em O Príncipe Dragão, vemos novamente um grupo de jovens que, não e encaixando no ideal de maturidade adulta, conseguem fazer alguma coisa para melhorar a situação do mundo.

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A universo de The Dragon Prince é apresentado rapidamente numa introdução no primeiro episódio e foca-se bastante no misticismo. No mundo da série Elfos, Humanos e criaturas místicas viviam em paz e harmonia em um único reino chamado Xadia, convivendo diariamente com magia que advinha das 6 fontes primárias de energia: O Sol, a Lua, As Estrelas, A Terra, O Céu e o Oceano. Naturalmente, os humanos fazem uma merda: descobrem uma sétima fonte de energia, uma que sugava a força vital dos seres (como a magia verde dos Orcs de Warcraft). Os elfos e os Dragões, horrorizados com o que presenciaram e com as consequências que aquilo poderia trazer, resolveram por um fim precoce aos experimentos e baniram os humanos para o oeste, onde fundaram o reino de Katolis.

No centro, o Rei Dragão protegia a barreira entre os dois reinos, e ainda mais insatisfeitos, os humanos (que não tem motivações claras fora “voltar para Xadia”) formam um exército e em uma de suas empreitadas matam o Dragão e quebram seu último ovo, o Príncipe Dragão. E claro que os elfos não se sentiram nem um pouco satisfeitos com isso, então quando a animação começa de fato, os humanos e os elfos estão em guerra.

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O episódio começa com uma pequena comitiva de Elfos da Lua preparando-se para assassinar o rei dos Humanos, e é aí onde conhecemos uma personagem importante: Rayla.

Os elfos na dublagem em inglês possuem um sotaque meio irlandês, o que foi bastante do meu agrado, especialmente na personagem Rayla. Ela, assim como os outros protagonistas; não se encaixa no padrão esperado dela pelos outros elfos, pois, apesar de ser extremamente habilidosa, não consegue cometer assassinatos à sangue frio.

No resto dos três primeiros episódios somos apresentados ao resto dos protagonistas e ao plot principal, que vou resumir o melhor possível para não estragar a experiência de ninguém: É descoberto que o ovo do Príncipe Dragão está inteiro e vivo; e resta a Rayla, a elfa ex-quase-assassina, Callum, filho mais velho e adotivo do rei, e Ezren, filho legítimo do rei; que estão bastante insatisfeitos com a situação do mundo nesta guerra sem fim, levar este ovo até sua mãe e parar a guerra.

Como levar um ovo de dragão até sua mãe pararia a guerra entre humanos e elfos, eu não faço a mínima ideia, e a série também não deixa claro.

Callum é o filho mais velho, que mesmo sendo adotivo ainda possui as mesas cobranças de um príncipe humano: Ele deve aprender a ser forte e manejar uma espada. Ele não é muito bom nisso, sendo estabanado, mais franzino e afeito à intelectualidade e magia.

Já Ezren, apesar de ainda ser uma criança, demonstra bastante carisma e presença nos episódios, estando sempre de bom humor e interagindo com Isca, seu sapo brilhante.

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A série possui as mesmas virtudes de Avatar, mas até aí, muitas outras coisas também…

Os personagens são carismáticos, e o cenário tem uma boa direção de arte e trilha sonora invejável, assim como o Design de personagens. O cenário de fantasia “medieval” parece ser bem mais extenso do que a pequena explicação dada no primeiro episódio; dando a entender que neste universo existe mais de um tipo de elfo; que provavelmente serão explorados nas próximas temporadas.

É impossível deixar de comparar esta série com Avatar, uma vez que é um grande trabalho do escrito. E assim muitas das virtudes da obra anterior do roteirista se mantém, e talvez alguns vícios narrativos possam, fazer com que a obra muito se pareça com um eco do que com um trabalho novo e original.

E isso não necessariamente é uma coisa ruim.

A sensação de aventura é presente em todos os episódios, onde uma faceta nova do mundo e dos personagens é explorada. Os núcleos da história possuem química, e embora o plot não tenha se revelado com muita força na primeira temporada, deixando algumas coisas ambíguas, ainda é um show extremamente divertido de assistir, e eu me sinto particularmente ansioso para ver como certos personagens irão se desenvolver.

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Não resisti à piada

OU NÃO!

O ponto mais fraco da série, definitivamente é a animação. Ele segue o padrão de animação em modelos 3D, que apesar de terem sido muito bem modelados, fazem com que algumas cenas se tornem um martírio de se assistir, pois parecem caminhar a 3 frames por segundo com lag de internet num jogo online.

Se a série não tivesse outros pontos positivos, eu teria dropado logo na segunda cena, o que é honestamente uma pena. O estúdio poderia ganhar muito ao investir numa constância de qualidade melhor para as animações.

Pontos Fortes:

O show é extremamente divertido e parece ter um universo profundamento, uma vez que investiram em pequenos detalhes, como na aparência dos diversos tipos de elfos; no curioso fato de que eles só tem 4 dedos e no sotaque. Os humanos também não ficam atrás, uma vez que são extremamente diversificados.

E diversidade é a palavra certa para ser usada aqui. Negros estão *muito* bem representados e temos até mesmo uma personagem muda que se comunica através de um intérprete; e todos são apresentados de maneira extremamente natural, sem parecer que estavam cumprindo uma “agenda”. Essa personagem muda se tornou uma personagem da qual eu espero que seja melhor explorada nas próximas temporadas.

A trilha sonora tem uma identidade própria, e as artes de cenário são de cair o queixo, tornando o continente um lugar absurdamente lindo.

Pontos Fracos:

O objetivo final dos protagonistas não é bem explicado, e várias vezes durante os episódios eu chegava a me perguntar “para onde eles estão levando esse ovo e como que isso iria parar a guerra mesmo?”. Apesar disso, ainda é divertido ver as aventuras do grupo pelo mundo.

A animação também é inconstante, tendo pontos de extrema fluidez e outros onde eu fiquei honestamente triste, porque era tão travado que me lembrou de tempos mais soturnos de minha vida onde os jogos que eu baixava no meu PC não rodavam direito…

Veredito final:

A primeira temporada de The Dragon Prince tem 9 episódios na Netflix, e ainda não disse muito bem a que veio. Embora tenha demonstrado MUITO potencial, ainda não parece conseguir se manter muito bem com as próprias pernas e definitivamente ainda tem muito no que melhorar.

Sinto-me ansioso para uma segunda temporada de The Dragon Prince, e desejo honestamente que o potencial da série seja melhor explorado.

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