Segunda, 17 De Dezembro De 2018

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Vocês já viram o Unicórnio?

Na √ļltima sexta feira (dia 10) aconteceu o pr√©-lan√ßamento do filme Unic√≥rnio, com a presen√ßa do diretor Eduardo Nunes, conforme divulgamos aqui.

J√° √© a s√©tima Sess√£o com Debate que o Cinemas Teresina oferece ao p√ļblico teresinense e foi uma exibi√ß√£o especial, com sala cheia. Dava para perceber a felicidade nos rostos de Douglas Machado (curador do cinema) e do pr√≥prio Eduardo Nunes, muito acess√≠vel e tirando fotos com o p√ļblico antes mesmo das filas se formarem.

Douglas Machado apresentou ao p√ļblico o estilo de cinema de Eduardo Nunes, citando o livro “Esculpir o Tempo”, de Tarkovski. E, mesmo conhecendo Andrei Tarkovski apenas de nome, j√° pude imaginar o que “Unic√≥rnio” seria: um filme longo, com lentos travellings, com cortes pontuais… E era isso mesmo, mas n√£o apenas isso.

Ainda antes da exibi√ß√£o, Eduardo Nunes nos adverte que o filme quase n√£o tem di√°logos e que n√£o tentou fazer uma adapta√ß√£o literal dos textos dos textos de Hilda Hilst, mas apenas uma equival√™ncia do que havia lido, advertiu que h√° sens√≠veis diferen√ßas. Pediu, inclusive, que o p√ļblico se deixasse levar pela narrativa, que pudesse experimentar a busca sensorial que o filme procura.

De fato, o filme busca a imers√£o do espectador. Por ser muito silencioso, todo o som ambiente do filme √© real√ßado: os ventos, os p√°ssaros, as folhas farfalhando, as √°guas golejando. A fotografia, ora muito aberta, ora muito fechada, oscilava entre um mundo colorido de grandes pared√Ķes ou campos abertos, com min√ļsculos personagens em cena, e em detalhes muito pr√≥ximos, com uma zona focal muito curta.

Existe algo de encantador nas imagens do longa. “O filme √© bem artesanal. As cores s√£o todas retocadas √† m√£o”, afirmou Eduardo Nunes, como que real√ßando nas matizes da “pel√≠cula” o car√°ter de f√°bula que a narrativa tem, afinal “a primeira cena √© um unic√≥rnio. Depois disso, a gente pode fazer qualquer coisa”, inclusive saturar as cores, dando certo ar fant√°stico √† proje√ß√£o.

Mas, afinal de contas, do que trata as mais de duas horas do filme? Novamente, Eduardo Nunes provoca: “n√£o √© f√°cil. √Č um filme longo que trata de temas dif√≠ceis. Se tiver de sintetizar, diria que √© sobre a descoberta da sensualidade”. N√£o √© mesmo um filme f√°cil, mas √© justamente este tipo de arejamento visual que Douglas Machado procura nessas sess√Ķes especial que o Cinemas Teresina prop√Ķe: algo diferente, um ponto fora da curva. Engra√ßado comentar isso porque Eduardo Nunes disse que adora todo tipo de cinema e que est√° empolgado para ver Megatubar√£o. Deve haver espa√ßo para todos os tipos de cinema.

Mas, voltando, como eu escreveria uma sinopse? Unic√≥rnio √© um filme que trata do relacionamento de m√£e e filha, que se descobrem vivendo sozinhas em casa, na aus√™ncia de uma figura masculina, que faz muita sombra, principalmente sobre a menina, uma garota de 13 anos, com enormes saudades do pai. Neste cen√°rio, surge um vizinho, um criador de cabras ex√≥tico, que come√ßa a despertar olhares da m√£e e curiosidade da menina, que n√£o sabe direito como reagir aos pr√≥prios sentimentos, diante de um novo homem t√£o pr√≥ximo, ou dos ci√ļmes que ele desperta tanto sobre √† m√£e quanto √† mem√≥ria do pai. √Č neste lento desenrolar, que Eduardo Nunes vai construindo uma hist√≥ria ao mesmo tempo buc√≥lica e bizarra, com suas estranhezas abertas a v√°rias interpreta√ß√Ķes.

Outro destaque fica por conta dos atores¬†Patr√≠cia Pillar, Z√© Carlos Machado, Lee Taylor e, principalmente, para a estreante B√°rbara Luz, que tinha os mesmos 13 anos da personagem que interpretou, ou seja, passava pelas mesmas “descobertas sensoriais” (como diria Eduardo Nunes) mas n√£o se deixou sair do papel, levando com singela naturalidade os problemas que enfrentava.

Barbara Luz

Eduardo Nunes disse que “espera tudo do p√ļblico, inclusive que ele saia da sala. Tudo bem. √Äs vezes, a pessoa n√£o est√° no tempo de se deixar levar…”

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