Segunda, 17 De Dezembro De 2018

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RPG| Alinhamento: Necess√°rio ou opcional?

RPG Piauí certamente é o grupo sobre RPG mais produtivo em que já estive.

“Dicas do Mestre” da Drag√£o Brasil s√£o peixe pequeno se comparadas √†s discuss√Ķes que este grupo t√™m. S√©rio. E a bola da vez foi um assunto bastante espinhoso atualmente dentro do Hobby: O Alinhamento.
Para quem n√£o sabe, o Dungeons And Dragons possui um sistema de “alinhamento” ou “tend√™ncias” para que o seu personagem escolha: 3 alinhamentos √©ticos: Leal (Lawful); Neutro (Neutral) e Ca√≥tico (Chaotic); e 3 alinhamentos morais: Bom, Neutro e Mal.
Com isso, temos um sistema de 9 “tipos” de tend√™ncias de personalidade que cada personagem pode seguir, uma vez que todos os personagens escolhem 1 alinhamento moral e 1 √©tico.
Por raz√Ķes de economizar tempo, irei botar duas imagens que resumem melhor todo este neg√≥cio de alinhamento do que eu:

harry-potter-dd-alignment.jpg

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Mas por que é um assunto tão espinhoso atualmente?

Assim como a religi√£o j√° foi uma grande pol√™mica dentro do Hobby RPG√≠stico, o espinho dos anos 200 √© a quest√£o do relativismo moral. D&D possui um sistema em que a moral de cada personagem √© objetiva; por√©m o que √© “bom” ou “mal” passa pelo crivo subjetivo do mestre.
Embora isso n√£o pare√ßa grande coisa agora, algumas classes eram umbilicalmente ligadas ao alinhamento, como √© o exemplo dos Paladinos, que precisavam sempre ser “Leal e Bom” sob pena de deca√≠rem e perderem seus poderes.
Irei descrever um exemplo exatamente como um participante do grupo escreveu, pois embora eu tenha comprado essa discuss√£o, n√£o consegui me expressar t√£o bem quanto ele em seu exemplo:

“Em Pathfinder, um Gnomo precisa sempre procurar novas emo√ß√Ķes, se n√£o eles v√£o literalmente perdendo a vida…

“…Certa vez meu irm√£o fez um gnomo alquimista e veio falar sobre o alinhamento do personagem dele, pois, para evitar o “bleaching”, que √© essa perda de cor at√© morrer, o personagem dele usava drogas.
“Da√≠, seria necess√°rio saber a posi√ß√£o, no mundo, sobre isso. Porque o personagem de uma maneira geral seria bom, se isso n√£o fosse algo considerado maligno, mas se fosse, ele ia ser neutro.”
Dito isso, deve ser bem fácil imaginar também que se um outro jogador ouvir isso, e interpretar seu paladino entrando num bordel para passar a noite e na manhã seguinte o mestre narrar que ele perdeu os poderes.
Quem est√° mais correto? Para isso, foram criadas regras alternativas para esse tipo de problem√°tica. Originalmente, os paladinos deviam seguir o que era moralmente “bom”, aceito pelo crivo subjetivo do mestre. A segunda edi√ß√£o de Pathfinder, por exemplo, vai mudar isso para: “O paladino deve seguir o c√≥digo de conduta para os membros da religi√£o que ele segue.”

O que podemos tirar disso?

Vivemos em tempos de esclarecimento, n√£o em tempos esclarecidos, √© provavelmente o que diria Kant numa situa√ß√£o dessas. Vivemos em tempos peculiares, e √© de certa forma, ben√©fico que as editoras tenham prestado aten√ß√£o das discuss√Ķes que este tipo de coisa e que tenham tomado atitudes em rela√ß√£o a isso.
Tirando o paladino ateu que é possível fazer na Quinta Edição de D&D. Aquilo é uma aberração.
Por fim, eu gostaria de agradecer a todos do grupo RPG Piau√≠ por essa discuss√£o (mesmo que com a presen√ßa de alguns sobressaltos) e por todo este maravilhoso conte√ļdo. Estejam sempre a√≠!
E você? O que acha deste tipo de problemática no RPG? Bote nos comentários.

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