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Crítica | Itaewon Class é problemático do começo ao fim

Resenha crítica com spoiler do K-Drama da Netflix, Itaewon Class.
Itaewon Class
Imagem: Teoria Geek Arte: Mari Luques: (Netflix)

Resenha crítica com spoiler do K-Drama da Netflix, Itaewon Class. Se ainda não assistiu venha aqui depois de fazer isso.

Já falei diversas coisas sobre o poder das novelas coreanas e seu domínio global graças às plataformas digitais como a Netflix. Então vamos direto conversar sobre Itaewon Class já que tem bastante coisa.

Em Itaewon Class seguimos a história, segundo a sinopse oficial, de Park Saeroyi (Park Seo-Joon) e sua jornada no famoso distrito de Itaewon para criar seu próprio restaurante. Seu objetivo é transformá-lo na maior e mais bem-sucedida empresa de alimentos da Coreia e usar essa vantagem para se vingar de um inimigo.

Porém, Itaewon Class já está na plataforma desde abril e só tive interesse em assistir graças aos seguidores e amigos do twitter que indicaram, porque eu teria deixado para lá.

Completando a espinha dorsal de Itaewon Class estão Jo Yi-seo (Kim Da-mi) e Oh Soo-ah (Kwon Nara). É basicamente um triângulo amoroso que se desenvolve entre essas duas mulheres e Park Saeroyi.

Agora, não me entenda mal. Itaewon Class é muito mais do que um simples triângulo amoroso. Abrange uma ampla gama de ideias temáticas e substância em torno do orgulho, família, individualismo, apego às próprias crenças, ambição, sucesso e sacrifício.

No entanto, apesar de haver tantos elementos no enredo geral da história, tudo se resumia ao aspecto romance e ambição a cada episódio e que me deixou, como espectador, insatisfeito no final dos 16 episódios.

No primeiro episódio da série, somos apresentados a Park Saeroyi. A gente compreende que ele é uma pessoa calma, cheia de força e teimosia inacreditáveis ​​para se apegar ao que acredita ser ético neste mundo. Também somos apresentados a Oh Soo-ah, que Saeroyi conheceu na rua e, mais tarde, descobre que ela estuda na mesma sala que ele na nova escola.

Oh Soo-ah é uma menina órfã independente cuja principal mantra é viver colocando-se em primeiro lugar; viva sua vida e sua vida somente. Em seguida, como praxe nas novelas coreanas, ganhamos uma tragédia, o pai de Saeroyi acaba falecendo num acidente trágico pela pessoa que ele mais odiava, que é filho de um magnata do mercado de alimentos.

Por causa dessa tragédia, Park Saeroyi jura vingar seu pai, criar seu próprio negócio de alimentos bem-sucedido e derrubar aqueles que mataram a pessoa que ele mais amava e respeitava. Para piorar, a empresa encobre todo o acidente da mídia e da polícia.

Como uma pessoa comum que paga Netflix para o entretenimento, é correto para mim presumir que os dois primeiros personagens apresentados – Park Saeroyi e Oh Soo-ah – vão acabar juntos, especialmente porque ambos demonstram interesse romântico um pelo outro.

Sem mencionar que eles parecem o casal perfeito em sua química inegavelmente bonita de assistir. Também é certo para mim presumir que Park Saeroyi alcançará seu objetivo principalmente por meio de seus próprios esforços.

Avançando rapidamente a trama e alguns anos, conhecemos a digital influencer mais famosa de Itaewon, Jo Yi-seo. Ela é moderna, talentosa e arrogante. Ela tem conflitos na família, com amigos e pessoas. Andei lendo que muita gente defendendo a personalidade de Jo Yi-seo como a geração internet, mas para mim, é só arrogância mesmo.

Toda a trama se desenvolve pela perspectiva dos três. O que é mais importante: dinheiro, sucesso ou amor? Quando mistura essas três coisas no mesmo caldo, gera bastante conflito de interesse, opinião e personalidade.

Para encurtar a história, termina com Jo Yi-seo conquistando o coração de Park Saeroyi. Mas esse não o principal problema de Itaewon Class.

Em apoio à minha posição, Park Saeroyi e Oh Soo-ah deveriam ter terminado juntos.

O romance de Park Saeroyi e Oh Soo-ah era mais real, eles mantiveram sua paixão um pelo outro por uma década inteira; eles têm um senso de respeito e apoio pela vida um do outro e a decisão de Park Saeroy de parar de gostar dela foi abrupta e irreal, pois aconteceu de repente nos últimos episódios.

Embora os fãs de Jo Yi-Seo neste triângulo amoroso possam argumentar que ela sacrificou sua vida pelos sonhos de Park Saeroyi, dedicou-se por mais de uma década a curar Park Saeroyi de seu amor não correspondido por ela e estava fisicamente perto dele do que nossa outra protagonista, isso não lhes dá a desculpa para proclamar que tais ações são amor.

Na verdade, eram sinais de um relacionamento tóxico em desenvolvimento, onde o amor por outra pessoa anula qualquer sinal possível de amor-próprio.

Antes de começar um relacionamento, a satisfação com a própria vida é vital. Nunca deve haver qualquer sensação de tédio com a vida ou negligência de viver antes de entrar em um relacionamento. Jo Yi-Seo mostrou tudo o que não deve fazer antes de seu desejo de um relacionamento com Park Saeroyi.

Até o fim, Jo Yi-seo era irritantemente mesquinha e irritantemente confiante de que roubaria Park Saeroyi de Oh Soo-ah. E ela fez.

Em relação às ambições de Park Saeroy, eu esperava que ele derrotasse seu inimigo com seu próprio negócio no final, não importa quanto tempo demorasse. Mas nada disso aconteceu.

No entanto, fiquei desapontado quando percebi que a única razão pela qual Park Saeroyi “alcançou” seu objetivo no final foi porque Oh Soo-ah o ajudou a expor a tentativa de seu inimigo de encobrir imoralmente o acidente de atropelamento por uma década e que ele não conseguiria ter realizado suas ambições sozinho.

Ao todo, Oh Soo-ah foi a verdadeira história de sucesso neste drama.

Itaewon Class foi um dos primeiros dramas coreanos que abordam claramente questões raciais e temas LGBTQIA+ mais abertamente. Mas os roteiristas tiveram medo de trabalhar melhor o assunto e acabou tudo bem genérico e superficial. Falando em roteiro, talvez tenha sido o drama com os maiores furos de trama que já assisti. De todos os problemas com isso, acho que a entrada de uma senhora agiota na trama foi a mais errada possível.

Primeiro, Itaeweon é apresentado nos primeiros minutos do drama como um distrito com os pontos de aluguel mais caros da Seul. O reduto da cultura noturna, o lugar de todas as cores e liberdade. Mas aparece a bendita senhora agiota que empresta dinheiro para pequenos comerciantes da região que estão com problemas financeiros. Claro, nem toda Itaweon é brilho, comida boa e glamour, mas essa senhora parece que comanda esse esquema ilegal e cobra muito caro daqueles que não lhe pagam em dia.

Em todas as cenas que ela aparece, sempre está vestida como uma senhora simples, só que do nada, ela se torna a mulher mais rica da Coreia do Sul, dona de praticamente toda Itaeweon e que investe muito dinheiro e tempo em negócios como o restaurante de Park Saeroyi. Ninguém explica nada, ninguém dá um contexto do motivo de ela andar como uma pessoa de classe baixa e ninguém explica como ela se tornou avó de um dos personagens da história que tem um passado muito triste.

E a coisa mais impressionante: Ela depois para de andar como uma senhora pobre. Durante todos os episódios é visível a falta de qualidade do roteiro e quando amarram as pontas soltas, fica tudo muito forçado e genérico.

É por isso que a única redenção que este K-drama poderia obter de mim é o fato de que Oh Soo-ah teve seu final feliz.

Ela gentilmente abandonou seu amor por Park Saeroyi, abriu seu próprio negócio e conheceu um possível novo interesse amoroso. Ela seguiu em frente. E se isso não representa força e sofisticação como mulher, coisa que o K-Dramas no de 2020 ainda tem medo de falar.

Mas tem uma coisa muito boa no K-drama, sua trilha sonora. É incrível.

PikachuSama
Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.