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Crítica | Tudo Bem Não Ser Normal (Netflix)

“Tudo Bem Não Ser Normal” é um dos poucos dramas que aborda sobre a saúde mental de frente. Você pode fingir que é apenas mais uma novela romântica, mas é mais do que isso.
Tudo Bem Não Ser Normal
Netflix

“Tudo Bem Não Ser Normal” é um dos poucos dramas que aborda sobre a saúde mental de frente. Você pode fingir que é apenas mais uma novela romântica, mas é mais do que isso.

Quando eu fui assistir “Tudo Bem Não Ser Normal”, fiquei na dúvida se seus protagonistas seriam maiores que a própria série, já que estamos falando de Seo Ye-ji e Kim Soo-hyun, que são famosos no oriente. Porém, me enganei nos primeiros 20 minutos desta série de 16 episódios com 1 hora e meia cada que teve uma das maiores estreia de um drama coreano na Netflix.

Ko Mun-yeong (Seo Ye-ji) é uma famosa autora de livros infantis. No entanto, nos bastidores, ela é a própria encarnação da misantropia, petulante e sempre com raiva de tudo e todos. Além de trabalhar sozinha quando o assunto é seus livros que mais parecem contos de terror. Seu editor, o Sr. Lee, estava sempre pronto para pagar às pessoas que ela ofenderia com seu comportamento tóxico. Um dia, durante o grande lançamento de seu último livro, as circunstâncias a levaram a agir com violência em público. Este escândalo fez com que ela desaparecesse do público e voltasse para sua antiga casa fora da cidade de Seongjin, chamada de Castelo Amaldiçoado.

Moon Gang-tae (Kim Soo-hyun) é um cuidador em hospitais psiquiátricos. Ele também era o guardião dedicado de seu irmão mais velho autista, Moon Sang-tae (Oh Jung-se) desde que sua mãe faleceu. Por causa da curiosa aversão de Sang-tae às borboletas, os irmãos estavam constantemente em movimento sempre que chegava uma determinada época do ano. Dessa vez, os dois se mudam para sua cidade natal, Seongjin, por causa da amiga de infância dos dois Nam Ju-ri (Park Kyu-young), que conseguiu uma emprego para Gang-tae no hospital onde ela trabalhava.

Esse hospital que tem o nome engraçado, se chama Hospital Psiquiátrico OK e ele acaba se tornando o principal cenário de toda a série, além de ser lindo e localizado em uma colina com vista para o mar. O diretor do hospital se chama Dr. Oh Ji-wang (Kim Chang-wan), que tem alguns métodos não convencionais de tratamento para seus pacientes derivados de seu cuidado genuíno com a condição deles. A Sra. Park Haeng-ja (Jang Young-nam) lidera a eficiente equipe de enfermeiras, que incluía Ju-ri. A mãe de Ju-ri, Kang Soon-doek (Kim Mi-kyung) é a cozinheira na cantina do hospital. Entre os pacientes esta Ko Dae-hwan (Lee Eol), o pai milionário de Ko Mun-yeong.

A premissa conceitual da série foi muito arriscada – é sobre saúde mental. Dramas coreanos as vezes soam um pouco bobos e com temas genéricos, mas “Tudo Bem Não Ser Normal” fez a coisa certa onde poderiam errar feio. Todos os personagens principais têm algum tipo de problema sério de saúde mental que atrapalha seu dia a dia e a convivência com outras pessoas.

A própria Ko Mun-yeong esta sofrendo de algum tipo de transtorno de personalidade antissocial, o que a faz criticar as pessoas de que não gosta, sem se preocupar com as consequências dessas ações. Moon Gang-tae sempre vive sobrecarregado com pesar e pela culpa autoimposta, principalmente relacionados ao cuidado de seu irmão, o que também o impede de desfrutar o que muitos chamariam de uma vida normal.

No primeiro episódio quando ficam sozinhos, Mun-yeong tenta furar Gang-tae com uma faca do nada – definitivamente não era o início típico do que deveria ser um relacionamento romântico, e provavelmente foi isso que prendeu os espectadores esperando para ver como as coisas poderiam acabar.

Seo Ye-ji e Kim Soo-hyun são atores atraentes, bonitos até demais e carismáticos que tiveram uma química muito boa em todos os capítulos. No entanto, você sabe na hora que as coisas não seriam fáceis entre eles. Houve atrito nos 16 episódios de “Tudo Bem Não Ser Normal”!Mas existem cenas muito emotivas e bonitas no decorrer da trama entre os dois que vale muito a pena.

Porém, a grande estrela da série foi Moon Sang-te, talvez o maior papel da vida de Oh Jung-se. Com certeza foi desafio para qualquer ator interpretar. Além de ser autista, ele também sofre de transtorno de estresse pós-traumático por causa de um evento que testemunhou quando criança. Por trás de suas deficiências comportamentais e psicológicas, ele tem um talento notável para as artes e ilustrações.

Oh Jung-se, que também estava no “Para Sempre Camélia” com um papel totalmente oposto ao que ele faz em “Tudo Bem Não Ser Normal”. É realmente incrível como os atores coreanos parecem muito diferentes em seus diferentes papéis. Oh ganhou os prêmios de Melhor Ator Coadjuvante nos prêmios KBS Drama e Baeksang por “Camélia”. Não ficarei surpreso se ele trouxer para casa TODOS o que for nomeado por seu papel aqui, por sua consistência e conexão com seu personagem problemático.

Eu tenho parentes autistas e quando assistia Moon Sang-te de Oh Jung-se meus olhos marejavam. Era tudo bem real.

Além do drama familiar pesado, drama psicológico, drama romântico e drama policial, “Tudo Bem Não Ser Normal” tem seus momentos cômicos principalmente dos personagens do editor furtivo Lee Sang-in (Kim Joo-hun), a indomável e fofinha assistente de Lee Yoo Seung-jae (Park Jin-joo) e o melhor amigo pegajoso de Gang-tae, Jo Jae-su (Kang Ki-doong).

O equilíbrio também é proporcionado pela maneira como o Dr. Oh conduz a terapia de seus pacientes com um brilho nos olhos, ou pela maneira como a Sra. Kang cozinha sua comida com devoção maternal. O senso de moda elegante, mas exagerado, de Ko Mun-yeong é divertido por si só. Apesar de tudo que falo, existe um problema que encontrei que foi o papel de Nam Ju-ri, ela vai perdendo espaço do meio para o fim e acaba se tornando apenas uma NPC.

A sequência de introdução da série como se fosse uma fantasia em preto e branco com destaques escarlates e música assustadora representou o mundo em assistiríamos esses 16 episódios de “Tudo Bem Não Ser Normal”. As sequências de terror refletindo os pesadelos e psicoses dos personagens, bem como o perigo da vida real, todas traziam um pavor sombrio e assustador.

Além de amarrar todas as pontas soltas de todos que conhecemo, o final foi muito emocionalmente satisfatório com seu retrato sincero de humildade e maturidade entre Mun-yeong, Gang-tei e Sang-tei, especialmente a maneira inspirada de seus relacionamentos foi espelhado pela bela animação das encantadoras ilustrações do livro de Sang-tae.

“Tudo Bem Não Ser Normal” é com certeza um drama que vale muito a pena e me tirou dezenas de litros de água pelos olhos. É lindo visualmente, sua narrativa é idílica, porém, mostrando que todos nós temos problemas e precisamos saber lidar com eles.

“Tudo Bem Não Ser Normal” está disponível na Netflix.

PikachuSama
Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.