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Crítica | Para Sempre Camélia é sobre a força femininas dentro de uma sociedade preconceituosa

Para Sempre Camélia
Netflix/KBS

“Para Sempre Camélia” une um romance doce com a força da mulher coreana que é mãe solteira.

A Netflix anda fazendo os fãs de K-dramas felizes nos últimos anos, basicamente já faz parte da programação da plataforma garantir os melhores nomes dessa indústria nos seus lançamentos mundiais. Isso quer dizer que escreverei bastante coisas sobre dramas da terra do Kimchi daqui para frente.

O último que assisti foi o divertido e bonito “Para Sempre Camélia” (When the Camellia Blooms) que foi lançado mundialmente em setembro de 2019 em parceria com o canal sul-coreano KBS. “Para Sempre Camélia” já foi premiado lá fora com diversos prêmios, já que ele combina efetivamente um romance realmente doce com um toque moderno e um drama policial de suspense.

Quando me refiro ao “toque moderno” é sobre uma mãe se apaixonando por um homem que não é pai de seu filho, o que não seria particularmente novo em qualquer série ocidental, mas que para os padrões da TV coreana bem tradicional, esses temas não são retratados.

Oh Dongbaek, interpretada pela sempre querida Gong Hyo-jin (Pasta) muda-se para a pequena (fictícia) cidade de Ongsan como uma mãe solteira ainda com seu filho bebê. Isso já é surpreendente para aquela pequena cidade, mas ela ainda abre um bar – uma mulher abrir um bar na Coreia também é uma coisa muito mal vista pela sociedade. Uma mulher fazer isso é uma sentença para fofocas.

Esse bar que se chama Camélia acaba virando um problema para Oh Dongbaek que se torna alvo de fofocas das mulheres da comunidade. Já que ela faz bastante sucesso na região. Seis anos depois, ela já estabelecida ainda é vista pela sua comunidade como uma mãe solteira. Porém, as coisas mudam quando Kang Jong-ryul (Kim Ji-seok), o pai de seu filho Pil-gu, finalmente a encontra. Ele se tornou um famoso e rico jogador de beisebol profissional e fazendo um reality sobre seu casamento perfeito com a modelo Jéssica.

Ao mesmo tempo, somos apresentados a Hwang Yong-sik (Kang Ha-neul, que tem o sorriso verdadeiro e engraçado) é um policial que foi criado em Ongsan, mas estava atuando em outra cidade há anos. Agora ele está de volta, causando problemas para sua mãe, seus superiores policiais e para os criminosos locais. Ele é apaixonado em salvar e resolver as coisas e isso causa mais problemas do que soluções para todos ao seu redor.

Ele se apaixona fortemente por Dongbaek quando a vê se defender de um cliente rude e começa a cortejá-la. E quando ele percebe que um antigo assassino em série que está investigando pode ter motivos para atacar Dongbaek, ele torna a resolução do caso sua prioridade (apesar de ser um oficial subalterno cujas responsabilidades residem mais no reino de pequenos furtos e disputas com vizinhos).

Apesar de querer manter Dongbaek seguro (de clientes bêbados, vizinhos rudes, assassinos em potencial), Yong-sik muito raramente corre para salvá-la. Dongbaek na maioria das vezes, resolve seus problemas sozinha. Ele tenta fazer amizade com Pil-gu sem parecer um estranho dando em cima de sua mãe ou presunçoso sobre isso. Yong-sik é um personagem ingênuo, inocente, mas sempre é honesto e nem por um minuto despreza ou tem pena de Dongbaek. Além disso, tem um dos sorrisos mais gentis dos K-dramas.

Kang Ha-neul começou sua carreira no teatro musical e continua a intercalar papéis no palco com cinema e TV. Eu acho que isso mostra uma certa ludicidade em seu estilo de atuação, bem como um ótimo timing e presença cômica. Eu não conhecia outros trabalhos dele, por isso, achei uma feliz surpresa ser tão grande ator.

Dongbaek, que significa “camélia” em coreano, é calorosa e generosa, mas para ela, isso acaba se transformando numa tarefa complexa e as vezes dolorida. Ela dirige um negócio de sucesso (embora esteja trabalhando de cinco da manhã até meia-noite) e ela dá a outra face para a fofoca. Mas o destino lhe entrega Hyang-mi, uma mulher que chegou no seu restaurante quase como uma morada de rua e acaba se transformando em sua melhor amiga. E depois ficamos sabendo que elas tem uma história sombria e infeliz na infância.

O cenário de uma cidade pequena é perfeito para esse tipo de drama. Todo mundo conhece todo mundo, o que cria uma sensação de conforto ou claustrofobia dependendo das circunstâncias. Também convida personagens e momentos cômicos, principalmente em torno das mulheres que trabalham no “beco do caranguejo”, uma rua aparentemente conhecida em toda a Coreia por seus restaurantes de caranguejo. Todas essas pequenas empresas são dirigidas por mulheres e seus maridos raramente são vistos ou mencionados. Isso faz de Dongbaek “parte” mesmo com as piadas dessa família de mulheres fortes.

Tenho a impressão de que ainda existe um estigma significativo sobre a maternidade solteira na Coreia. Não pesquisei mais a fundo sobre isso, uma das razões apresentadas para Yong-sik não se importar com o fato de Dongbaek ser uma mãe solteira é que ele também foi criado por uma mãe sem marido. No caso dele, seu pai morreu em um acidente enquanto sua mãe estava grávida, mas em flashbacks vemos que ela também foi julgada por escolher lidar com o negócio da família sozinha. Uma coisa de que gostei é que este drama ensina que parte desse estigma é apenas para mostrar como é real a vida de mulheres chefes de casa. Além disso, existe uma mensagem muito bonita sobre se você se isolar dos outros, eles encontrarão algo pelo que julgá-lo. Mas se você se tornar parte da comunidade, eles o aceitarão de qualquer maneira.

Kim Kang-hoon, que interpreta Pil-gu, faz uma boa atuação infantil. Ele é irritante e / ou entende do lado errado às vezes, mas também é um ator incrível e faz um bom trabalho em algumas cenas muito emocionais. No entanto, alguns dos atores adultos não entregam seus papéis de uma forma satisfatória, mas felizmente, os protagonistas são incríveis o suficiente para que todos os grandes momentos dramáticos funcionem.

“Para Sempre Camélia” tem alguns outros defeitos. A linha do tempo às vezes é confusa, pois salta muito (ao contrário da maioria dos K-dramas, a maioria dos muitos flashbacks não são repetições de cenas de episódios anteriores, mas sim a história real pré-2019). Existem muitas pistas falsas e outras formas de desorientação usadas para efeitos positivos, mas que levam o expectador a becos sem saída. E na segunda metade dos 20 episódios, eles deixam o tema central para usar referências cafonas e roteiros preguiçosos, mas acho que isso acontece em quase todos os K-dramas.

Existem algumas histórias mais adultas que estão implícitas em vez de ditas diretamente. O que às vezes é frustrante quando o que parece ser uma informação importante não é realmente explicado. Mas acredito que isso foi proposital para mostrar que eles queriam fazer uma linguagem mais feminista e menos pudica da sociedade coreana.

É triste que, a indústria de dramas da coreia agora que esteja falando de temas onde a mulher, conceitos de maternidade solteira seja retratado como chocante, mas talvez a representação deste drama de Dongbaek como uma heroína, uma mãe dedicada e uma mulher de negócios bem-sucedida ajude a combater estereótipos negativos.

Para Sempre Camélia vale a pena do começo ao fim.

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PikachuSama
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