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Crítica | A Falange – Pericardium (2020)

Os piauienses da A Falange trazem um trabalho pesado, político da nova faceta do metal nacional. Simplesmente incrível.
A Falange

Os piauienses da A Falange trazem um trabalho pesado, político da nova faceta do metal nacional. Simplesmente incrível.

Antes de começar a falar sobre “Pericardium” o novo álbum da banda piauiense de metal A Falange, preciso primeiro situar um pouco a história da banda.

A Falange começou a nascer em 1999, surgiu da ideia de fazer música autoral, pesada e cantada em português. Alexandre Aquino (V) e Thomaz Jedson (G), os fundadores do projeto, tinham fortes raízes fincadas no pós grunge e com a entrada de Marcos Santana e Manoel Renato a banda tomou cada vez mais o rumo de um metal sempre agressivo e cheio de tendências progressivas, com “ênfase em contratempos e estruturas complexas tomando referências do groove, death metal como também do math rock” como disse Alexandre.

Com o advento da internet, a banda começou a lançar suas músicas independentes, seu primeiro EP saiu em 2008 chamado “O Parasita” e em 2009 experimentaram um clipe “Ontem o Diabo Esteve Aqui” que você pode assistir aqui. Foi graças a essas experiências que A Falange começou sua estrutura musical para lançar apenas em 2012 o primeiro álbum, “O Rogar dos Malditos”. Porém, por diversos motivos, a banda encerrou suas atividades em 2013.

2013 até 2019, Alexandre e Thomaz continuaram com ideias e lançaram o EP “Qual Sombra Infesta o Mundo?” com três faixas em abril daquele ano. Assim nasceu “Pericardium”, meio na teimosia, criatividade e muita paixão pela música.

“Não demorou muito tempo para que riffs… melodia e letras surgissem. Satisfeitos com o resultado e mudança de sonoridade” (A Falange)

A temática de “Pericardium” é sobre “como o indivíduo reage e de onde tirar forças para impor-se em uma sociedade tecnológica, polarizada e intolerante? Quão resistente será o escudo que protege os sentimentos desse ser que também é alguém lutando para não expor seus desejos”.

Pericárdio é “a membrana serosa que envolve externamente o coração”. Tal conceito serviu de ponto de partida para um sentido figurado de proteção. Será que os sentimentos humanos conseguem ser protegidos por essa membrana? É um álbum pesado, mas ele fala sobre segredos, racionalidade, amor. Dando bastante ênfase ao culto à personalidade, graças a tecnologia, as redes sociais, o homem não era mais apenas uma pessoa, ele era uma figura viva, a representação de uma pessoa viva.

O problema com isso é o mesmo de sempre. As pessoas são falhas. As pessoas falham e decepcionam. Eles envelhecem, tornam-se fracos. Eles estão repletos de contradições e deficiências que podem ser ampliadas por aqueles que discordam deles. Existe uma profundidade bem construída em “Pericardium”, principalmente quando a banda coloca uma luz no final do túnel sobre o valor da arte e como ela pode aproximar as pessoas.

Na verdade, eu sofri bastante para assimilar o álbum sem me perder em palavras complexas, mas quando me deram para escrever esse texto, eles sabiam com quem estavam lidando.

Quando se escreve uma música, principalmente metal pesado, muita gente imagina que será apenas pessoas fazendo barulho e gritando sobre morte, guerra e fim do mundo. Mas o bem da verdade é que construir uma música nesta linha, denota tempo, pesquisa, muita matemática e técnica.

Mas o que os caras da Falange pegaram toda essa matemática de notas jogou pela janela e deixou apenas a criatividade ecoar pelos poros de todos os músicos. “Pericardium” é uma dualidade dinâmica que vai do Stoner para o Death, com tendências progressivas suaves e agressivas. Na verdade, a nova tendência musical do metal pesado é que a Falange tá tocando.

Toda a proposta musical parece as duas faces da moeda, uma mais pesada, explosiva com o Alexandre fazendo seus grunts sobre frustrações humanas, egos e corações vazios para em seguida entrar linhas limpas de coros e metal progressivo com tudo que gosto do som melódico, sustentando para tudo não explodir novamente. É Surpreendente. Eles estão tão conscientes do tocam que tem duas faixas com mais de 13 minutos. E você não consegue passar para a faixa seguinte.

A banda está mais experiente, é palpável a diferença do som desse álbum para o “Rogar do Malditos”, as músicas estão cheias de clímax e estruturadas com começo, meio e fim. Cada faixa tem sua maneira distinta e empolgante, como direi, são cheias de substâncias tóxicas, mas são coisas reais. As composições são mais fluente, os ganchos se alojam mais profundamente e, no geral, um senso maior de coesão permeia o álbum.

Em 60 minutos de audição temos a sensação de que submetemos nossos ouvidos a um massacre sonoro, estamos diante de um verdadeiro som lotados de referências musicais brasileiras, sim, brasileiras e merece todos os elogios possíveis.

Eu simplesmente não consigo abordar cada faixa ou linhas instrumentais – é quase impossível, os caras do nada saem do progressive com cordas para o mais pesado black/death metal. É como se fosse literalmente um coração batendo e fazendo o corpo humano funcionar. “Pericardium” é uma experiência, você precisa parar para ouvir, assimilar a mensagem.

Música pesada, música experimental. Uma doce e sangrenta variedade de sons que assimila perfeitamente meus gêneros favoritos de metal e rock progressivo e tudo cantando em português. Simplesmente recomendo.

Ouça:

Pericardium é:

A Falange
A Falange

(Marcos Santana/ Alexandre Aquino)

1. Sob o céu de uma estrela só (Marcos Santana/ Alexandre Aquino)

2. Levante (Marcos Santana/ Alexandre Aquino)

3.O espaço que o tempo deixou (Marcos Santana/ Alexandre Aquino)

4.Tempo de sangria (Marcos Santana/ Alexandre Aquino)

5.O inimigo não é você (Marcos Santana/ Alexandre Aquino)

6.Uma canção esquecida (Marcos Santana/ Alexandre Aquino)

A FALANGE é:

Alexandre Aquino – Voz

Manoel Renato – Guitarra e vocais

Thomáz Jedson – Guitarra, teclados e vocais

Will Felipe – Baixo e vocais

Marcos Santana – Bateria e vocais

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PikachuSama
Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.