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Entrevista com Michel Borges, desenhista do mangá de Jaspion

Mesmo se você for um adolescente de 12 a 15 anos já deve ter se deparado com alguma referência ou imagem de Jaspion por aí. O personagem, junto com os Changemen, fizeram a cabeça da garotada em meados dos anos 80 e a paixão pelos tokusatsus fixou no cotidiano das gerações seguintes com uma tonelada de séries semelhantes.
A editora JBC, sabendo que existe grande nostalgia em torno do personagem, anunciou um quadrinho do Jaspion inteiramente brazuca, desenhado por Michel Borges e escrito por Fabio Yabu (ambos trabalharam juntos no sucesso Combo Ranger, gibi nacional que fez muito sucesso na internet, nas bancas e no site de financiamento coletivo Catarse).
O anúncio deste mangá veio na esteira da expectativa criada após a divulgação que de que o personagem teria um longa metragem para cinema também produzido no Brasil.
Por aliviar nossa curiosidade, procuramos o desenhista Michel Borges para um bate bate-papo introdutório sobre esse mangá que todos já amamos.
Quinta Capa: Como foi que você começou a trabalhar com o Fábio Yabu?
Em 2001 meu irmão me mostrou (e quando digo “mostrou” não foi compartilhado em rede social, foi chamando pra ver o monitor de tubo do computador, estávamos a eras antes do Orkut) uma notícia sobre o Yabu estar precisando de artistas para os Combo Rangers. Enviei alguns desenhos reimaginando os personagens dele e assim recebi o convite pra integrar a equipe como colorista. O que chamou mais a atenção dele foi o capacete que fiz para o Fox e principalmente o casaco do Tio Combo, que fui a única pessoa a conceber uma versão fechada da vestimenta.
Combo Ranger, de Fabio Yabu e Michel Borges
QC: O que diferencia o Michel Borges de Combo Ranger desse Jaspion, com relação a perspectivas no trabalho, estilo?
A produção dos três volumes dos Combo Rangers foi crucial para que eu desenvolvesse mais meu traço e técnicas de desenho. Além dessa trilogia, em paralelo ainda houveram vários capítulos da versão em quadrinhos do game Elsword. Foram mais de trezentas páginas que me ajudaram a ter mais consciência e controle como desenhista. A principal diferença será o design dos personagens e também a finalização. Em Combo Rangers os personagens são mais caricatos, seguindo características do estilo original do Yabu, já em Jaspion  as proporções serão mais realistas o nanquim também será feito mim.

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QC:Você tem muitas ilustrações com personagens de Tokusatsu publicadas nas redes sociais. O quanto eles influenciaram você como artista?
Pois é, sou da geração que levou o impacto das séries na TV Manchete, então os heróis japoneses alimentaram muito minha imaginação e através dos anos sempre algum tempero dos tokusatsus surgiam em minhas criações, como robôs gigantes contra monstros, grupos de vilões interplanetários invadindo a Terra e heróis em armaduras hightech derrotando inimigos com golpes de espadas.
QC: Você recentemente tentou financiar uma publicação com sua arte pelo Catarse. Pensa em tentar novamente?  
Ainda pretendo publicar uma versão impressa da coletânea de meus desenhos que publiquei semanalmente, que batizei de Sexta Sentai, mas ainda preciso estudar se seria mais uma vez via financiamento coletivo. Assim que terminar o trabalho no mangá do Jaspion, acho que volto a me focar nisso.
QC: O que pode nos adiantar sobre a história do mangá? Será uma reintrodução ao personagem?
A história vai ter mistério, nostalgia e acontecimentos pouco ou nunca explorados na série. Personagens que vimos pouco na série vão ter papel importante na trama e alguns novos acrescentam situações para os heróis fazerem o que sabem de melhor. Se com “reintrodução ao personagem” você quer dizer recontar a história da série orginal, não, mas se quer dizer trazer o Jaspion de volta para o público, de certa forma sim!
Quanto aos desenhos, veremos o Jaspion que conhecemos de volta, com todas as suas características, potencializadas pela linguagem dinâmica dos mangás que nos empolgam a tanto tempo. Acredito que todo mundo que tem carinho pelos personagens que vimos na TV, quando leu o primeiro mangá de ação, mais cedo ou mais tarde ficou imaginando como seria poder ver os heróis do tokusatsu daquela forma. Isso não foi diferente comigo, então estou realmente empolgado com essa possibilidade!

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QC: O Jaspion que veremos no mangá se passará ainda na década de oitenta? Ou o veremos no mundo moderno, com smartphones e redes sociais?
Se a versão atual do roteiro for aprovada pela Toei, posso dizer que vai ter um pouco de tudo isso que mencionou na pergunta, e mais algo além do que conhecemos hoje! hahahaha
QC: A produção desse HQ tem alguma relação com a realização do filme que deve se realizado aqui no Brasil? Um tipo de prequel do longa? Quais suas expectativas com relação ao filme?
A princípio o mangá é algo independente, sem ligação com o longa, mas como o próprio Sato disse, nada impede que em algum momento essa HQ servir de base pro roteiro do filme. Assim como todos os brasileiros que estavam diante da TV Manchete naqueles anos, estou bem ansioso para ver como vai sair essa produção! Vai ser algo histórico por vários motivos.
QC: Jaspion tem uma pitada de fantasia espacial que sempre me lembrou Star Wars. Podemos esperar algum tipo de Daileon participando de batalhas espaciais?
As referências a Star Wars eram bem claras na série mesmo, bem mais que nos antecessores de Jaspion, mas pro mangá, nossa preocupação é pelo menos ser o equivalente ao que episódio 7 foi para a franquia Star Wars!
Bernardo Aurélio
Sou desenhista, criador do Máscara de Ferro e autor do quadrinhos Foices & Facões. Sou formado em história e gerente da livraria Quinta Capa Quadrinhos