Dizem que quem é apaixonado por futebol, mas não sabe jogar bola, acaba sendo árbitro ou técnico. Só que, lá no fundo, o sonho de se tornar um craque continua sempre vivo. Infelizmente, para a grande maioria, o tempo de se tornar um bom jogador acaba logo, restando apenas ensinar aqueles que guardam esse talento.
No caso do jornalista Sidney Gusman, desde o início de sua carreira ele se mostrou um excelente técnico. Mas, assim como tantos outros sonhadores, nunca desistiu da ideia de atuar como um “craque no ataque”. E, em sua primeira apresentação, já nos brinda com um verdadeiro “gol de placa”.
Não é o caso de classificar Domingos (Pipoca & Nanquim) como uma obra shakespeariana dos quadrinhos, mas seu valor emocional é algo que chama muito a atenção. E isso não se constrói apenas com frases de efeito. É preciso dominar as técnicas de construção de um bom roteiro, compreender o tempo da narrativa, o ritmo e, sobretudo, ter muito talento.

A obra retrata momentos — sempre aos domingos — do relacionamento de Sidney “Domingos” Gusman com seu pai. São dias de muita alegria, mas também de conflitos e de acontecimentos tristes. Em pelo menos um deles (sem querer dar spoiler), para os leitores apaixonados por histórias em quadrinhos desde a adolescência, a identificação será imediata e contundente.
Certamente, o resultado não seria tão eficiente se esse roteiro não tivesse caído nas mãos de um artista como Jefferson Costa. Como o próprio Gusman comentou em algumas entrevistas, o desenhista fez questão de ser extremamente detalhista na ambientação e na caracterização dos personagens, mantendo fidelidade à maioria dos detalhes, o que fez total diferença.
Sem dúvida, poucas vezes vimos, no futebol, uma dupla atuar com tamanha maestria e entrosamento como neste caso. Mas, quando isso acontece, o resultado é sempre belo e deixa todos desejando mais e mais. Portanto, continuem. Façam mais gols como este. Estamos ansiosos por mais uma leitura como essa.














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