Quarta, 26 De Dezembro De 2018

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Dica de Leitura | Black Panther by Christopher Priest.

Com o anivers√°rio de 20 anos do selo Marvel Knights e o grande sucesso do filme Pantera Negra, sempre bate aquela curiosidade de conhecer melhor o personagem. J√° publicamos aqui neste humilde site uma lista de curiosidades sobre o her√≥i, e duas boas dicas de leitura: “Uma Na√ß√£o Sob Nossos P√©s” e “Quem √© o Pantera Negra?”. E com a celebra√ß√£o destes vinte anos, √© justo falar de uma fase que n√£o foi t√£o celebrada ou lembrada quanto deveria. Eis que analisamos aqui Black Panther by Christopher Priest – The Complete Collection Volume 1.

Uma √Čpoca D√≠ficil Para A Marvel

 
A d√©cada de 90 foi cruel para os quadrinhos, tanto em mat√©ria de qualidade quanto de vendas. Era uma √©poca de Dentes Rangentes, onde muitos personagens acabaram se tornando mais sombrios ou substitu√≠dos por vers√Ķes mais extremas de si. E o fundo do po√ßo foi algo que ningu√©m poderia imaginar: a declara√ß√£o de fal√™ncia da Casa das Ideias.¬† Realmente eram tempos sombrios, tanto dentro quanto fora das p√°ginas.
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Basicamente, tudo da década de 1990 resumido em uma imagem.

Precisando se reinventar, a Marvel Comics se aproximou de Joe Quesada, que na época tinha a Event Comics(uma editora independente). A ideia era produzir uma linha de revistas à parte da cronologia, com personagens de baixo escalão, com foco na criatividade e experimentação. Daí surgiu o selo Marvel Knights.
 
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Fugindo de longos arcos presos à cronologia, o selo se concentrava nas histórias livres dessas amarras. Quesada chamou muito de seus parceiros da Event e até mesmo pessoas estranhas ao meio, como Kevin Smith(que até então era cineasta). O foco inicial era em novos títulos para o Justiceiro, Inumanos, Demolidor e o Pantera Negra.
E assim, iniciava-se uma revolução que daria à Joe Quesada a posição de editor-chefe da Marvel por muitos anos.
 

Pantera Negra e Christopher Priest

 
O personagem h√° tempos n√£o sustentava uma publica√ß√£o. Seu √ļltimo t√≠tulo havia sido uma miniss√©rie que se encerrou em 1991 e ap√≥s isso, ele praticamente apenas era coadjuvante em outros t√≠tulos. E, dada a hist√≥ria e conceito do personagem, ningu√©m era mais indicado para trabalhar com ele do que Christopher Priest(nascido James Christopher Owsley); afinal de contas, quem melhor para trabalhar com o primeiro her√≥i negro do que o primeiro autor afro-americano a trabalhar com exclusividade para a Marvel e a DC?
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Christopher Priest

Veterano dos quadrinhos, escreve desde 1983 e já trabalhou com vários personagens da Marvel e da DC, como Power Man and Iron Fist, o Falcão, Ray(DC), Lanterna Verde, entre outros; já foi escritor da editora Milestone, que trabalhava apenas com equipes criativas afro-americanas, com personagens afro-americanos; foi co-criador do título Quantum and Woody, hoje publicado pela Valliant; e finalmente retornaria à Marvel para devolver dignidade ao rei de Wakanda.
E ele o fez de três formas:

  • Enfatizando o lado pol√≠tico e mon√°rquico do personagem
  • Definiu o personagem como um “Batman”, sempre um passo adiante de seus inimigos
  • Um co-protagonista branco

Black Panther by Christopher Priest – The Complete Collection vol 1

 
O run de Priest permaneceu no ostracismo, assim como o autor, durante um bom tempo…at√© sua republica√ß√£o em 2015, sendo este o primeiro encadernado. Ap√≥s a introdu√ß√£o do personagem no universo cinematogr√°fico, era justo dar aos f√£s mais dele; e mais justo ainda que seja o run que definiu o personagem para os tempos atuais.

Conheçam Everett Ross, o narrador da série. Propriedade da Marvel Comics. Fonte: Vulture.

Esta primeira página já dá o tom que iremos encontrar no restante deste run. Toda a série é narrada de forma não-linear por Everett Ross, um agente do governo americano(e o mesmo Everett Ross interpretado por Martin Freeman, no universo cinematográfico da Marvel). Determinado a esclarecer o assassinato de uma garotinha que posou com ele para uma foto, o rei de Wakanda acaba por mergulhar em uma conspiração política tão traiçoeira quanto às de Game of Thrones.
Em meio a isso tudo, T’Challa encara vil√Ķes cl√°ssicos e novos. At√© mesmo Mephisto se envolve na hist√≥ria, por√©m sua influ√™ncia n√£o arrasta a hist√≥ria para o sobrenatural, servindo meramente de apoio para uma trama mais pol√≠tica do que heroica, Entre os mais conhecidos, al√©m de Mephisto, temos a vinda de Kraven e at√© mesmo o Homem-H√≠drico.

Everett Ross fazendo sala pro Mefisto. Propriedade da Marvel Comics. Fonte: Comicbook

Entre os novos, al√©m de Ross, temos: Hunter, um irm√£o adotivo¬† l√≠der dos Hatut Zeraze(C√£es de Guerra), grupo banido por T’Challa devido a seus m√©todos; e o Reverendo Achebe. Este √© um caso √† parte: antes um rival pol√≠tico com o qual T’Challa mantinha uma rela√ß√£o delicada, o personagem acaba se mostrando um advers√°rio astuto e obcecado, tornando-se uma misto de¬† Coringa e Ventr√≠loco para o Pantera Negra.
 
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Achebe. Propriedade da Marvel Comics. Fonte: Marvel.com

 

A História

 
Priest opta por fazer uma narra√ß√£o quebrada, utilizando Ross como guia. Ela(a hist√≥ria) √© ouvida por sua chefe e amante, Nicole Adams(que tem tamb√©m uma conex√£o com T’Challa), que fica incrivelmente irritada com a falta de foco narrativo do mesmo. “√Č como assistir Tempo de Viol√™ncia(Pulp Fiction) de tr√°s pra frente. Minha cabe√ßa vai explodir.”, reclama com raz√£o. Everett n√£o √© um agente frio, calculista e eficiente: √© medroso, azarado e desorganizado com os fatos.
Everett representa o homem comum, mais precisamente o f√£. De fato, Priest revelou que a inspira√ß√£o para Ross foi Chandler Bing, da s√©rie Friends. Ele se inspirou no epis√≥dio “Aquele do Blecaute”, onde Chandler ficou preso num caixa autom√°tico com uma supermodelo. “Respeitado e bem sucedido, Bing era o assustado peixe fora d’√°gua”, afirmou Priest ao exemplificar seu ponto. O personagem lembra aquele t√≠pico fracassado que Garth Ennis adora usar em suas hist√≥rias mas, embora ele seja a v√°lvuka de escape c√īmica, Priest trata o personagem com um m√≠nimo de dignidade.

Chandler Bing, a inspiração para Everett. Fonte: tumblr.

Embora seja uma narrativa interessante, ela fica cansativa ap√≥s o desfecho do primeiro arco. Simplesmente soa desnecess√°rio e meio que perde a gra√ßa. E um pouco mais de pesquisa sobre a Isl√Ęndia √© necess√°ria, pois em dado momento o autor retrata o pa√≠s como o p√≥lo norte. Mas nada que realmente manche o trabalho.
 

Arte

 
O run come√ßa muito bem com a arte de Mark Teixeira. Veterano do Motoqueiro Fantasma e do Wolverine, aqui ele se encontra bastante inspirado, com uma arte escura e pintada. Joe Jusko assume algumas edi√ß√Ķes e mant√©m o alto n√≠vel, ilustrando um excelente confronto com Kraven.
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O Bom, O Mau e O Medroso. Propriedade da Marvel Comics. Fonte: Black Panther Discussion and Appreciation

O nível infelizmente vai caindo com a entrada de Mark Bright, colega de Priest dos tempos de Quantum and Woody. Embora ele não seja um mau artista, a qualidade de sua arte não é a usual. Após o primeiro arco, entra Sal Velluto e aqui é o pior que o encadernado tem a oferecer.
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Como mencionado. Propriedade da Marvel Comics. Fonte: Digital Priest

 

Veredito

 
Embora fique repetitivo e a arte caia de n√≠vel no final, Black Panther by Christopher Priest – The Complete Collection Volume 1, vale muito √† pena. A obra definiu T’Challa para os tempos atuais, deixando pronto para ser adaptado para o cinema.
Como não há previsão de vermos esse material no Brasil, altamente recomendo a aquisição do encadernado americano. Segue o link para aquisição, tanto em papel quanto pelo kindle.
Black Panther by Christopher Priest – The Complete Collection Volume 1
 
 
 
 
 

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