Quinta, 21 De Fevereiro De 2019

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Quem é o Homem de Aço moderno? Parte 01 – John Byrne, Mark Waid e Leinil Francis Yu

Desde 1938 as histórias do último filho de Kripton são publicadas no mercado americano sem interrupção. No aniversário de 80 anos do Homem de Aço dos quadrinhos muitas origens foram contadas sobre Kal-El, seu nome no planeta Kripton, e suas aventuras para defender a liberdade e justiça no planeta terra e no universo. Mas, para o fã moderno, quais seriam as origens mais marcantes do Superman nos últimos 30 anos? E quais influenciam o personagem até hoje?
Obs: A presente análise não é centrada em debater todas as origens do personagem desde sua criação por Joe Shuster e Jerry Siegel, em 1938, mas, sim, destacar o que foi feito com o Superman nos últimos 30 anos e que influência as muitas origens tem até os dias atuais. A ordem de apresentação das origens do personagem não estão classificadas da melhor para a pior, sendo a apresentação feita pela ordem cronológica dos lançamentos.
01 – O Homem de Aço, por John Byrne. (1986)

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Propriedade DC Comics. Arte de John Byrne.

Após os eventos que reiniciaram seu universo em CRISE NAS INFINITAS TERRAS, obra de Marv Wolfman e George Perez, a DC Comics decidiu, também, reiniciar as histórias de seus principais personagens. Dessa forma,  Batman ficou a cargo de Frank Miller, Mulher-Maravilha teve sua origem contada pro George Perez e Len Wein, e o Superman ficou a cargo do maior desenhista dos quadrinhos americanos na década de 1980, o homem que revolucionou os X-men da editora rival Marvel Comics junto com Chris Claremont, o canadense John Byrne.
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Propriedade DC Comics. Arte de John Byrne.

Talvez, a origem mais aceita pelos fãs e a que mais durou do ponto de vista editorial, já que perdurou por quase duas décadas. Byrne nos apresenta um Clark Kent tão relevante quanto o homem que carrega o S no peito. Em Homem de Aço, minissérie em 06 partes lançada em 1986, a narrativa se divide em fases da vida do personagem e o leitor pode acompanhar novas interpretações de diversos acontecimentos por um ponto de vista atualizado, para a época, e mais pé no chão, levando em consideração fatos científicos.
Dessa forma, temos Kripton já a beira do colapso que a levará à destruição, sendo um mundo frio e sem sentimentos, ao contrário do planeta vivo e alegre que nos era mostrado em fases anteriores do personagem; o próprio Kal-El é colocado na nave que o salvará ainda como feto, sendo que seu nascimento verdadeiro só ocorrerá na terra; os super poderes vão se desenvolvendo aos poucos, não sendo mais o Superboy ultra poderoso que dividia aventuras com a Legião dos Super-heróis; e Lex Luthor mais parece um rei do crime da DC Comics do que o cientista louco de antigamente. Até a origem do vilão galhofa Bizarro tem uma explicação científica, sendo um clone defeituoso do Superman por ordens de Luthor.
É no transcorrer da história que nos é apresentado a relação com Lois Lane (afiadíssima personagem que rouba a cena a cada quadro), o emprego no Planeta Diário, a convivência com Luthor e seu domínio sobre Metrópolis, e o primeiro encontro com Batman. Tudo de uma forma bem natural e que serve à narrativa da origem que está sendo contada.
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Propriedade DC Comics. Arte de John Byrne.

Apesar de o Homem de Aço hoje ter diversos detratores, que afirmam que o Superman de Byrne não é um estrangeiro, e, sim, um americano 100%, ou que falam que o autor suprimiu muitas das características interessantes do personagem, como o passado como Superboy ou até mesmo a beleza que Kripton tinha anteriormente, essa ainda é uma das melhores origens para conhecer o Superman, já que o fator humano é muito presente e os fatos que levam ao desenvolvimento do personagem são contados de forma muito fluida.
Homem de Aço foi recentemente republicado na coleção DC GRAPHICS NOVELS Nº 08.
02 – O Legado das Estrelas, por Mark Waid e Leinil Francis Yu (2003)
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Propriedade DC Comcis. Arte de Leinil Francis Yu.

Com o intuito de revitalizar a origem do Superman, e acompanhar o sucesso da série Smallville, que contava as histórias do jovem Clark Kent, a DC Comics decidiu convocar um dos maiores apaixonados pelo personagem no mundo dos quadrinhos, Mark Waid.
Contando com os desenhos de Leinil Francis Yu, a dupla reconta a origem do último filho de Kripton, atualizando muitos fatos da passagem de John Byrne. Aqui, o mundo de Kripton tem um design bem diferente do que foi mostrado por Byrne na década de 1980, não sendo mais um mundo frio e asséptico. Kripton é um planeta que teve seu apogeu, dominando as estrelas e outros mundos no passado, mas, na época de sua explosão, é um planeta condenado que orbita um sol vermelho. Ou seja, o filme de Zack Snyder (O Homem de Aço) bebeu mais da história de Waid do que da de Byrne.
O bebê Kal-El é mandado à Terra já nascido, e, não, um feto ainda em desenvolvimento. A trama em si já começa com Clark Kent viajando pelo mundo, em especial, à África, para conhecer seu planeta adotivo e trabalhar em reportagens importantes. Ou seja, o ponto crucial da saga em 12 partes é que o Superman é um cidadão do mundo, não só dos EUA.
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Propriedade DC Comcis. Arte de Leinil Francis Yu.

Porém, a narrativa não tarda em mostrar sua chegada à Metrópolis e seu impacto no mundo como Superman. Waid não parece preocupado em alargar os horizontes do personagem dentro do universo DC, já que a história trata tudo dentro da própria cidade de Metrópolis, e da rivalidade entre Superman e o astrônomo e empresário famoso Lex Luthor. Não existem participações especiais de outros heróis, só meras citações a Batman e Besouro Azul, quando é falado o nome das empresas dos dois e só.
A relação de amizade e inimizade entre os dois é muito destacada, o que também era feito no seriado Smallville, mas Luthor mais parece o cientista louco de antigamente do que empresário inescrupuloso da fase Byrne. Waid destaca bem a presença de Clark Kent, sendo ele o disfarce trabalhão e covarde do Superman, não aquele repórter espirituoso e corajoso de Byrne.
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Propriedade DC Comics. Arte de Leinil Francis Yu.

As cenas de ação caem bem no traço de Yu, mas muito se perde pela insistência do desenhista em não trabalhar cenários de fundo para a história, fazendo algumas páginas parecerem mais capas de edições do que quadros da narrativa contada.
Infelizmente, Legado das Estrelas (Superman Birthright, no original) empalidece frente a outras origens do Superman, tendo seus efeitos inclusive sido esquecidos pela própria editora ao levar em conta os rumos do personagem, mas deixa uma boa lembrança nos leitores que tiveram a oportunidade de ter a obra em mãos.
Legado das Estrelas foi recentemente republicado em duas partes na coleção DC GRAPHICS NOVELS Nsº 57 e 58.

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