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Dica De Leitura | Tex Edição de Ouro n° 106 (Editora Mythos)

A determinação punitiva de um homem e a astúcia de outro são postas à prova (e em lados opostos) nesta tensa história escrita com maestria por Mauro Boselli e com arte soberba de Alfonso Font.

Aqui o protagonismo é entregue a Kit Willer, que descobre o paradeiro de um velho conhecido, Bronco Lane, ao passar pelos arredores de Phoenix. E decide ir ao seu encontro no alto Black Valley, perdido entre as montanhas, onde Lane pastora um rebanho. Mas a felicidade que a repentina visita causa no rústico barracão que abriga os vaqueiros é interrompida com a chegada do xerife Hugh Langdon e sua posse com mais de 40 homens.

Langdon vem de uma intensa caçada desde o estado de Utah aos assaltantes do banco local e está firmemente convencido que Kit e os outros são os responsáveis pelo crime. E nada irá demovê-lo dessa convicção. Começa assim uma perseguição que atravessa diversos territórios, até os limites do Novo México, pondo os envolvidos no limite de suas forças.

Entrementes, Tex é avisado por um xamã navajo, após um sonho premonitório, do risco que seu filho enfrenta, e parte imediatamente com Jack Tigre em seu auxílio. Boselli cria na figura do xerife uma das pessoas mais vis e cruéis a povoar as páginas do fumetti.

A arte de Font é certeira ao retratá-lo com o rosto duro, cheio de fincos, e impassível mesmo diante das piores adversidades. Nada irá pará-lo em sua obsessiva caçada, ainda que paire dúvidas entre seus homens que aqueles quatro sujeitos sejam mesmo os responsáveis pelo assalto em Utah.

Nesta história encontramos um Kit Willer destemido, fiel aos seus amigos e espelhando suas atitudes e escolhas na figura do pai. O prolongado cerco de Langdon o testa de diferentes formas, inclusive com o choque de perdas inesperadas…

Infelizmente, a experiência da leitura é afetada pela baixa qualidade gráfica do quadrinho, editado no famigerado formatinho e em papel jornal, com 228 páginas ao preço de capa R$ 29,90, por vezes não suportando o intenso uso que o espanhol Font faz do nanquim, num preciosismo que transita entre a composição de paisagens selvagens tomadas pela névoa e a apresentação de um simpático vilarejo às margens do deserto, com seus canteiros ricamente trabalhados pela população local.

Mas nada que tire o prazer da leitura. Para os fãs do ranger, é uma aventura de tirar o fôlego.

Rafael Machado
Parnaibano, leitor inveterado, mad fer it, bonelliano, cinéfilo amador. Contato: rafaelmachado@quintacapa.com.br