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Entrevista – Guabiras não perdoa ninguém!

Tava passeando pelo facebook e duas tirinhas que vi por lá me obrigaram a escrever este texto. Elas são de autoria de Carlos Henrique Santos, mais conhecido como Guabiras.

Ele é cartunista e jornalista do Jornal O POVO, em Fortaleza, desde 1998. Segundo seu perfil nas redes sociais, já publicou mais de 5 mil tirinhas nos mais variados veículos, como jornais, fanzines, livros e Internet. Em 2015, Guabiras ganhou o prêmio Esso de Jornalismo e em 2016 foi a vez de faturar o Angelo Agostini de Maior Cartunista do Brasil naquele ano.  Já participou de várias publicações como Tarja Preta (RJ), Escape (SP), Gibi Quântico (SP) e MAD (SP). O cara tem cartaz.

Como estava dizendo, as tirinhas dele que me trouxeram até aqui foram essas:

 

Particularmente, me identifico muito com o  “fã do omelete” feliz por ter conseguido uma indicação no HQ Mix (não vou dizer qual indicação já recebi porque estou com vergonha), mas todos os quadrinhos das duas tirinhas são muito espinhentas… e corajosas. Afinal, mexer em assuntos como o ego de seus colegas de profissão é cutucar um vespeiro com uma onça brava.

Você pode acessar o blog ou o perfil dele no facebook para conhecer mais trabalhos (particularmente, adoro as do gato Chuvisco).

 

Gato Chuvisco entrando no cio

 

Resolvi procurar o Guabiras para uma entrevista para começarmos a conhecê-lo melhor. Segue aí!

QUINTA CAPA: Aqui no Piauí eu sei o que é qualira. O que significa Guabira?

KKK… Guabiras (com s no final) vem de Guabirú., que é a ratazana cearense. Quando eu fazia a quinta série (meados dos anos 1980) gostava de desenhar na sala de aula. Então eu desenhava super rápido, sem rascunhos e tal, e ficava aquela galera ao redor, admirando, dando sugestão ou pedindo mais… Daí, um e outro colega passou a me chamar de Guabiru devido a esse meu ritmo…

QC: Vi que você tem uma campanha no apoia.se e não tem nem um real para manter a sua honra de cartunista pelo resto da vida, e nem tem R$1000 para manter a dignidade e o bem dos quadrinhos cearenses, suas metas no site. O que pensa deste tipo de campanha?

Cara, nem sei porque criei aquilo lá… KKK na época só divulguei uma ou duas vezes no facebook e pronto. Se não rendeu nada, depende muito de quem viu e do mercado atualmente. E da minha própria divulgação que não houve… Enfim, tentei deletar várias vezes (mas a desgraça não apaga!) e nem me importo se ainda existe ou não KKK… Até porque no fundo, no fundo, sempre fiz tudo sozinho mesmo.

QC: Vi que tem uma publicação sua chamada “Manual do Cartunista Mazela”. O que seria um manual para o cartum no Brasil hoje?

O meu manual é uma coletânea de tiras biográficas que mostram o quanto é complicado ser cartunista no Brasil. Lá estão todas as dificuldades como produzir, se enturmar, fazer parte do mercado, os contrastes entre o Nordeste e o eixo Rio/SP e a história do retorno financeiro, que é a mais pura ilusão. Acho que isso resume bem o que é o mercado brasileiro de quadrinhos, não só pra mim, mas pra muita gente.

QC: Você produz uma quantidade enorme de fanzines. O último que fiz foi em 2003. Não consigo ver o espaço dos zines impressos no mercado atual e por causa das mídias virtuais. Como vê tudo isso?

O espaço do zine continua o mesmo… pelo menos pra mim. Nunca deixei de fazer quadrinhos independentes. Eu até faço no papel couchê e tal, capa colorida, mas não gosto de chamar de revista. Prefiro continuar dizendo que é zine e pronto. KKK. Atualmente alguns artistas que antes faziam zines acabaram migraram para o produto de gráfica. Mas ao mesmo tempo em SP tem uma galera massa que continua produzindo zine assim como a Tina Curtis e o Felipe Bezerra.

QC: Em suas últimas tirinhas sobre o mercado de quadrinhos brasileiros você não dispensa crítica para todo tipo artista. O pessoal recebe isso com bom humor?

Sou um cartunista bagaceira. Nunca fui pelo lado correto da vida. Srsr. Ou seja, produzo o politicamente correto e o escatológico numa linha ácida. Procuro encontrar mazelas em determinadas situações do cotidiano, pensar e achar o além do normal… do quadrinho comum. Esse último, por exemplo,é apenas o lado podre do ser humano em comum. Erros, vacilos, mau caratismo e, o melhor de todos, a hipocrisia. Aqules quadrinhos que fiz criticando o mercado de quadrinhos é apenas 100% fiel ao cenário atual. E só.

QC: Como o cartunista lida com o “haterismo” de plantão?

Existem críticas e existe comentários filhos da puta. As vezes o cara só quer encher teu saco com alguma merda pra se sentir o fodão. Esse cara é carente. É um demente babaca que não se controla em apenas ver o trabalho de alguém e ficar na dele. Não, ele não produz nada e acha que tem direito de difamar quem produz. Porém, ao mesmo tempo não dou cartaz pra imbecil dessa natureza… tenho mais o que fazer. Srrs.

Bernardo Aurélio
Sou desenhista, criador do Máscara de Ferro e autor do quadrinhos Foices & Facões. Sou formado em história e gerente da livraria Quinta Capa Quadrinhos