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Neil Gaiman | Adaptação de O livro do cemitério

O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman, foi adaptado por P. Craig Russel, e é um gibi excelente, que você deveria ler. Algumas adaptações podem, inclusive, ser melhor que as obras originais.

O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman, foi adaptado por P. Craig Russel, e é um gibi excelente, que você deveria ler. Algumas adaptações podem, inclusive, ser melhor que as obras originais.

Eu mesmo demorei muito pra ler, por dois motivos. O primeiro é que eu descobri que não tinha gostado muito da experiência de ler um romance do Gaiman enquanto tentava concluir a leitura de Deuses Americanos. Leitura que continua inconclusa.

O fato é que a prosa do Sir Gaiman não me apeteceu entusiasmo e foi esquecendo os livro pelos cantos. Portanto, desde Deuses Americanos, só procuro ler de Gaiman os seus gibizinhos.

O segundo motivo que me fez demorar a leitura de O Livro do Cemitério é porque se travava de uma adaptação literária e durante muito tempo sofri de preconceito com adaptações literárias. No geral, achava que elas sempre seriam muito resumidas ou engessadas. Curiosamente, o que me mudou neste quesito foi 1) a leitura da adaptação Dois Irmãos, que foi muito prazerosa e 2) consequentemente, me aventurar em outra adaptação que foi, desta vez a versão em quadrinhos de Deuses Americanos.

De Dois Irmãos, falo em outra ocasião. Sobre Deuses Americanos em quadrinhos, fiz uma live imensa com o colega Thiago Ribeiro explicando porque achei que o Gaiman ficou melhor adaptado para quadrinhos  do que como romance. Tá aqui o link do instagram com a live, se você quiser ver.

Depois dessas duas experiências bem sucedidas com adaptações literárias e Neil Gaiman, decidi ler O Livro do Cemitério. Uma coisa que precisa ser dita é que não li a obra original do Gaiman, que dizer, não li romance, mas a impressão que tenho, depois de ter lido essa adaptação, é a de que não preciso ler o romance original.

O fato é que o quadrinhista P. C. Russel, responsável pela adaptação do roteiro e pelos esboços (layouts) de todas as páginas (da mesma forma como fez em Deuses Americanos) se confirma grandioso neste tipo de serviço.  Como não li O Livro do Cemitério, não sei se trata-se de uma boa adaptação como é o Deuses Americanos, onde o gibi se torna melhor que o original, mas o fato é que esta nova adaptação de Russel é muito gostoso de ser lido, funciona muito bem, nem parece ter sido adaptado de nada, parece uma obra original.

E eu não fazia qualquer noção do que tratava o livro do Cemitério, mas eu gosto de cemitérios. Quando visito um, tenho vontade de fotografar vários túmulos. Já fiz isso, na verdade, tenho um álbum no meu facebook só com fotos que fiz em algumas visitas ao cemitério de minha cidade natal (você pode ver, clicando aqui).

O que eu percebo nos cemitérios, e que os senhores Gaiman e Russel trabalharam muito bem, é que ali está cheio de vida. E é o que descobrimos lendo esse gibi, que também é uma história fantástica sobre amadurecimento e reconhecimento do nosso passado coletivo e sobre comemorar a morte.

o livro do cemitério vol 1 e 2
Capas de O Livro do Cemitério vol 1 e 2, da editora Rocco

Sem entrar muito em spoilers, uma criança, com pouco mais de 3 ou 4 anos, é adotado por um casal de fantasmas de um cemitério da Inglaterra que também é uma espécie de reserva que precisa ser preservada.  Então, o cemitério é um longo campo, bem grande, com vários cenários onde uma criança viverá inúmeras aventuras. Essa criança vive ali, convivendo (se é que poderia usar esse termo) e conhecendo os segredos dos mortos. E, claro, existe magia e o inexplicável, como toda boa narrativa do Gaiman. Essa criança vive ali quer saber quem matou seus pais e porque ele ainda corre risco de morte.

Tudo isso, decorado com criaturas do submundo, como vampiros e lobisomens, mas de uma maneira que passa longe dos clichês que você pode estar imaginando. Vale muito a pena.

E o melhor é que esses dois volumes sempre estão bem baratinhos na Amazon.

Obs: a capa da edição 2 é um spoiler safado… (se  conseguir ler sem olhar a capa, você iria gostar).

Bernardo Aurélio
Sou desenhista, criador do Máscara de Ferro e autor do quadrinhos Foices & Facões. Sou formado em história e gerente da livraria Quinta Capa Quadrinhos