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Pipoca e Nanquim passará a editar 24 publicações por ano em 2020

Presente na Comic Con RS, o editor de quadrinhos e youtuber Daniel Lopes, um dos três integrantes do Canal e editora Pipoca e Nanquim, participou de um painel do evento para falar de seu trabalho, das novidades da editora e, claro, bater um bom papo sobre HQs. Em entrevista ao QUINTA CAPA, Daniel Lopes lembrou que esse tipo de ação eles vêm realizando há 10 anos, ou seja, aumentando a base de fãs, para ampliar o número de leitores de quadrinhos.

“Trabalhamos com tiragem de 5,6 ou 8 mil exemplares, o que não é nada para um país do tamanho do nosso”, disse.

Dessa forma, e sempre produzindo materiais de muita qualidade, que o pessoal do Pipoca e Nanquim espera continuar crescendo neste mesmo Brasil que assusta os brasileiros quando o assunto é economia. Confira a entrevista:

 

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5C: O público de quadrinhos tem reclamado muito dos preços de alguns materiais publicados no Brasil. Por outro lado, vocês estão aumentando o número de publicações todos os anos, e quase sempre batendo recorde de vendas. Como se explica isso?

Daniel Lopes: Na editora Pipoca & Nanquim a gente materiais bem específicos para colecionadores e para pessoas interessadas em obras mais atemporais. Além disso, achamos muito importante o acabamento. É legal ter uma edição definitiva de um cara como o Druillet (Lone Sloane), como Esteban Maroto (Cinco por Infinito). E não tem como publicar Cinco por Infinito, por exemplo, em fascículos, em revistinha de banca. Seria uma loucura fazer isso.

Tem alguns produtos caros no Brasil, mas também tem outros em conta. Tem um mercado de banca forte, ainda tem mangás, muita coisa de entrada, Mauricio de Sousa… que é o que realmente importa para trazer novos leitores com um preço bem baixo.

A editora Culturama está trazendo os quadrinhos da Disney, também, com um valor muito razoável. Então existem todas essas possibilidades. O mercado que o Pipoca e Nanquim trabalha é focado em um nicho mesmo. Edições bem caprichadas para obras que realmente merecem esse status.

E a gente também se preocupa com o valor. A nossa eterna discussão na editora é conciliar o melhor acabamento possível com o melhor preço. A gente tenta fazer isso de diversas maneiras. Quem apoia na pré-venda sempre compra com desconto, a percepção do produto é realmente aquilo que se pagou, ou seja, nunca ninguém vai pagar R$59, por exemplo, e dizer que o produto não vale esse preço.

Essa sensação de ‘não compensar’ acho que não existe em nenhum quadrinho do Pipoca. Agora, tem uma linha de mangá mais acessível que a gente optou pela capa cartão. Tem quadrinho nosso que foi vendido a R$ 49, tem um Esteban Maroto, capa dura, um formatão lindo, que a gente conseguir fazer a R$ 39 aumentando a tiragem (Os Mitos de Cthullhu). Mas tudo isso tem que se pensar porque cada produto é um produto.

 

 

5C: Como estão os planos de vocês sobre ampliação da editora? Novos selos, pensam em aumentar o número de edições por ano?

Daniel Lopes: Esse ano a gente vai fechar com 20 publicações. Ano que vem, pelo que a gente percebeu, vai ser saudável ficar em 24. E acho que vai ficar assim (com 24) por um bom tempo.

Dois quadrinhos por mês a gente dá conta de fazer. Já temos uma ideia de como crescer, mas um crescimento bem regrado, bem certinho, porque a gente não pode se dar ao luxo de dar um passo maior que as pernas.

Somos em três sócios, não temos investidores externos, não temos banco e nenhuma instituição fomentando o Pipoca e Nanquim. É tudo fruto do nosso trabalho. Então o crescimento tem ocorrido, mas muito paulatinamente.

Agora a gente contratou um editor novo, quando deu a gente contratou uma editora de vídeo, tudo para poder focar mais em produzir conteúdos e tentar crescer num Brasil que está completamente maluco.

 

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5C: Já que tocou neste ponto de crise na economia brasileira, como você vê esse aspecto dentro do mercado de quadrinhos? Dá para continuar crescendo? Tens algum receio de complicações?

Daniel Lopes: Não posso ter esse receio, se não, nem entraria neste mercado. Acho que tem um potencial ferrado. Tem pouquíssimos leitores no Brasil.

Nosso país é muito grande e tem pouco leitor de quadrinhos. A gente trabalha com tiragem de 5,6, 8 mil exemplares, o que não é nada perto do tamanho do Brasil. E o nosso trabalho sempre foi, seja no Youtube, nas nossas palestras, nas nossas publicações, de aumentar o número de leitores de quadrinhos… sempre foi isso.

Faz 10 anos que a gente ‘leva a palavra’ dos quadrinhos, vamos dizer assim, para o maior número de pessoas possível. Vamos continuar fazendo isso, tentar aumentar essa base.

Acredito que quando a gente aumenta a base de fãs, a gente também vende mais quadrinhos, uma coisa que alimenta a outra.

 

Marcelo Costa
Jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí com mais de 20 anos de atuação na área, sempre com destaque para área cultural, principalmente no campo das histórias em quadrinhos, cinema e séries.