Não deixe de conferir nosso Podcast!

Crítica | Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis é o filme mais divertido da Marvel Studios

“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” é uma viagem muito divertida e envolvente de assistir.
Shang-Chi
Marvel Studios/Disney

“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” é uma viagem muito divertida e envolvente de assistir.

Por causa ainda da Pandemia, nunca mais entrei dentro de um cinema. Pelo menos até o momento penso que ainda não seja oportuno eu fazer isso. 2021 fez algo em mim que pensei que havia perdido: ser paciente. 

Estava com expectativas baixas para saber como a Marvel trabalharia sua fase quatro nas telonas, “Viúva Negra” foi abaixo da média  era uma história que não tinha peso em relação às tramas que envolve todo o UCM e “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” perdeu o brilho por causa do nosso momento sanitário. Ainda assim, os comentários sobre o filme e suas resenhas falavam que estávamos diante de um dos melhores filmes já feito pela Marvel Studios. Mas fui paciente e esperei ele ser lançado no Disney Plus já que eu poderia ter baixado na biblioteca do Paulo Coelho meses atrás.

Felizmente, o filme está disponível para todos assistirem na plataforma da Disney e ele é tudo que falaram!

“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” prega você no sofá nos primeiros seis minutos. As sequências de ação por si só, valem as duas horas de duração do filme. Este é a primeira produção  da Marvel em muito tempo em que não apenas a ação foi filmada com clareza, mas também houve um senso de ritmo e fluxo na coreografia que homenageou Jackie Chan, Jet Li e o Tigre e o Dragão. Houve algumas cenas de ação no filme em que  bati palmas de empolgação (na minha juventude era um fanático por filmes de kung fu shaolin). Essa empolgação era uma sensação que pensei que havia perdido assistindo um blockbuster de herói.

Mas, além da ação incrível, há uma história envolvente, simples e bem escrita que dá base ao filme. “Shang-Chi e a  Lenda dos Dez Anéis” conta como uma organização controlada por um homem imortal opera pelas sombras da história humana por mil anos. O seu líder , Xu Wenwu, recebeu seus poderes e sua capacidade de não morrer, graças a magia que controla dez anéis (braceletes), uma entidade poderosa, talvez de origem cósmica, que essencialmente domina a pessoa que a usa e concede a ela o presente da imortalidade.

O que faz a história se destacar é a forma como está estruturada. Em vez de mostrar ao público cada evento em ordem, temos a história de fundo dos Dez Anéis e como Xu Wenwu conheceu a mãe de Shang-Chi (Simu Liu), Ying Li. Ela é uma guardiã poderosa de outra dimensão chamada Ta Lo, local mágico e habitado por criaturas místicas. Quando corta para os dias atuais, vemos Shang-Chi em São Francisco como um adulto que ganha a vida estacionando carros. Ele é chamado de volta à sua antiga vida quando mercenários enviados por seu pai o atacam em um ônibus, iniciando uma sequência de ação emocionante onde ele revela que é um mestre nas artes marciais. É uma maneira fantástica de criar tensão ao longo do filme, pois as informações são reveladas gradualmente, em vez de mostradas cronologicamente.

A dinâmica familiar entre Shang-Chi, sua irmã Xialing (Meng’er Zhang) e seu pai impulsiona todo o pano de fundo da história. A mãe Shang-Chi acaba morrendo pelos ex-inimigos de Wenwu. Isso acaba levando Wenwu, e um jovem Shang-Chi, para o caminho da vingança e morte. Aos 14 anos, Shang-Chi é enviado para acabar de uma vez por todas com o homem responsável pela morte de sua mãe. É depois disso que Shang-Chi foge e acaba se escondendo em São Francisco com outro nome. Sua irmã, percebendo que Shang-Chi nunca mais voltará, também foge para Macau, onde montou um campeonato de lutas ilegais pela internet.

A motivação de Wenwu ao longo de toda a história é tornar sua família inteira mais uma vez, mas sem perder seus poderes como chefe de sua organização criminosa Dez Anéis. Tony Leung que interpreta Wenwu faz um belo trabalho de atuação, principalmente quando ele percebe que tinha  a capacidade de amar e envelhecer, desistindo de tudo por Ying Li. 

Porém, após a morte dela, ele escurece seu coração e mente, se tornando uma presa fácil para as forças das trevas. Wenwu está convencido de que o amor de sua vida está presa em Ta Lo.  Além disso, ele é bastante ressentido porque os habitantes de Ta Lo o consideram indigno de viver lá. Por isso que Ying Li desistiu de seus poderes para poder viver com ele como um casal normal.

Este conflito, enraizado em elementos de misticismo e temas de luto, faz de “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” diferente de outras origens da Marvel. Onde a maioria das histórias de origem tenta mostrar os personagens superando sua dor e se tornando os heróis que deveriam ser, “Shang-Chi” mostra como a dor separou uma família e como essa família pode se tornar inteira novamente. Ao fazerem isso, eles encontram seu verdadeiro eu. Não é a história original, mas certamente é muito eficaz para um filme baseado em um quadrinho.

Claro, o filme segue a fórmula da Marvel de ter uma grande luta CGI no terceiro ato, mas é uma luta CGI muito louca de assistir. Descobrimos que a força negra que manipula Wenwu é na verdade um monstro sugador de almas que quase destruiu Ta Lo uma vez. Essa criatura das trevas  foi trancada em uma montanha que era vigiada por milhares de anos pelos habitantes daquele local mágico, mas Wenwu, graças a seus anéis mágicos é capaz de libertar o monstro. 

Nesse meio tempo, descobrimos que existe um dragão protetor que, com a ajuda de Shang-Chi, faz uma das melhores cenas de ação da Marvel Studios até aqui. Também ajudou o fato do CGI ter sido bem filmado e intercalado com uma luta final muito pessoal e bem coreografada entre Shang-Chi e seu pai.

De forma alguma, “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” é perfeito. Ele tem alguns problemas de ritmo e, como disse antes, a história é bem simples e com clichês. Mas o filme tem uma origem muito bem feita com sequências de ação fenomenais que estabeleceram e aumentaram o padrão de ação no Universo Cinematográfico Marvel. É sobre a vida comovente e pessoal de alguém que ainda não sabe que é um herói, com um grande antagonista que será lembrado como um dos melhores em qualquer filme da Marvel. “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” é uma viagem muito divertida e envolvente de assistir. A espera valeu a pena demais.

P.S. Eu não poderia esquecer de falar de como Awkwafina se divertiu fazendo “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”. Na verdade, ela é o coração do filme e um dos nomes mais engraçados e espontâneos de Hollywood atualmente. Você não para de rir toda vez que ela abre a boca. 

PikachuSama
Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.