Não deixe de conferir nosso Podcast!

RESENHA | BATMAN. O PRÍNCIPE ENCANTADO DAS TREVAS 1 E 2

 

Os dois álbuns lançados pela Panini do Homem Morcego de Enrico Marini não reinventam a narrativa dos quadrinhos de super-heróis ou trazem uma história do Batman tão marcante quanto O Cavaleiro das Trevas, Ano Um, Asilo Arkham e outros clássicos. Mas contam uma boa história, cheia de ação e que prende a atenção, sendo a leitura indicada para um fã de HQs que quer conferir uma bela arte.

 

Resultado de imagem para batman enrico marini

 

Quando pensamos que o Batman é um personagem criado em 1939, fazendo 80 anos em 2019, temos a ideia da dificuldade que é para um autor trazer elementos que sejam realmente marcantes em um personagem que chega às bancas mês a mês ininterruptamente por 8 décadas.

Entre revistas mensais, edições especiais, séries de TV e filmes, o herói de Gotham City tem uma enorme bagagem de conceitos reutilizados de tempos em tempos. É assim que Batman tem que lidar com inimigos como Charada, Pinguim, Senhor Frio e Espantalho. Ou viver um romance com a Mulher Gato, desafiando seu senso de justiça, já que ela é uma vilã.

Então, fazer uma nova abordagem com o personagem pode ser um desafio dos grandes, mesmo ele sendo tão prolixo, como artistas como Paul Pope em Batman Ano 100 provam de tempos em tempos.

Mas esse não foi o caminho escolhido pelo italiano Enrico Marini em seus dois álbuns Batman. O Príncipe Encantado das Trevas, já que investe no básico, usando caras conhecidas do universo do morcego para contar uma boa história e só.

 

 

Utilizando do vilão mais famoso do herói, o Coringa, Marini faz uma trama bem feijão com arroz, onde o vilão sequestra uma criança, forçando o Batman a correr contra o tempo para localizar a menina.

Mesmo que dentro dessa história exista um fator surpresa, como uma possível paternidade de Bruce Wayme, alter ego do cavaleiro das trevas, tudo se passa com vários rostos conhecidos, como Comissário Gordon, Arlequina, Crocodilo e Mulher Gato.

E isso seria ruim, uma trama como muitas já lançadas nesses 80 anos do Batman em um formato gigante e capa dura? A resposta é rápida, como a leitura dessa boa história. Não!

Imagine que durante esses 80 anos de Batman muitas histórias ruins foram lançadas, e são até hoje. Então, uma boa história continua sendo boa mesmo não sendo marcante, como um clássico moderno. O que o leitor precisa é de boas histórias com mais frequência do que tentativas em vão de firmar novos clássicos, como a já citada Piada Mortal, que muitos tentam emular até hoje.

 

 

E se a trama de Batman. O Príncipe Encantado das Trevas é boa é porque a história flui bem e as caracterizações dos personagens estão ótimas. O leitor vai identificar de pronto o Batman com visual dos filmes de Critopher Nolan, já que até o uniforme escolhido por Marini é quase exato ao do ator Cristian Bale na trilogia de Nolan.

Seu Coringa, Arlequina e Crocodilo, apesar de ter um visual diferente do que estamos acostumado, e isso é ótimo, estão com suas personalidades muito bem trabalhadas, sem a necessidade de aprofundar muito, contando novas origens ou o que seja.

Esse é o objetivo de Batman. O Príncipe Encantado das Trevas: um boa história com clima noir (como o próprio autor fala em seu prefácio), sem precisar de muito aprofundamento, com fácil identificação com os personagens, podendo até ser encaixada em qualquer momento da cronologia do herói, como Jim Lee afirma na introdução do volume 01.

 

 

Mas há algo que diferencie Batman. O Príncipe Encantado das Trevas de outra história do Homem Morcego? Sim, a bela arte de Marini.

O italiano, conhecido pelo personagem O Escorpião, traz sua bela arte para Gotham City. Como dito, seu Batman tem o visual da trilogia estrelada por Bale. Suas cenas de ação fluem muito bem em belos painéis, onde o tom pastel é predominante em várias cenas, reforçando a ideia de uma trama noir, como toda história de detetive tem que ser, já que o Batman é um dos maiores investigadores do mundo.

 

 

O formato gigante (europeu) só ajuda na apreciação da arte, tendo a Panini acertado no formato, seguindo a publicação original em dois volumes. Apesar de ser capa dura e em formato gigante, as duas edições não seguiram a atual política da editora de preços altos, tendo os dois volumes o preço de R$ 25,00 (vinte e cinco reais). A edição 01 ainda conta com esboços de cair o queixo de Marini, uma singular introdução de Jim Lee e o prefácio de Marini.

 

 

Com uma boa história e uma arte deslumbrante, os dois volumes de Batman. O Príncipe Encantado das Trevas não se propõe a contar uma história marcante do Batman. Não, o intuito do Autor é criar uma trama simples, com elementos conhecidos e que funcione. E é esse o grande acerto de Marini. Afinal, tudo que os leitores de um personagem de 80 anos como o Batman querem é mais e mais histórias boas do Homem Morcego. E isso o autor italiano entregou com maestria.

 

 

 

 

FICHA TÉCNICA

  • Capa dura, com 84 páginas a edição 01 e 72 páginas a edição 02;
  • Editora Panini;
  • Lançamento: junho de 2018 a edição 01 e janeiro de 2019 a edição 02;
  • Preço de capa: R$ 25,00;
  • Tamanho: 33 x 21,4 x 1 cm.
  • 8/10
    Roteiro - 8/10
  • 10/10
    Desenhos - 10/10
  • 9/10
    Narrativa - 9/10
  • 8/10
    Edição Nacional - 8/10
8.8/10

Summary

O aclamado artista europeu Enrico Marini (Predadores) faz sua estreia nos quadrinhos americano com esta fabulosa e singular interpretação do Cruzado Encapuzado, em uma trama envolvendo o Coringa e sua ameaçadora companheira Arlequina. Com uma misteriosa conexão com o Batman, uma garotinha sequestrada pelo Coringa obriga o Homem-Morcego a mergulhar profundamente no submundo de Gotham em uma corrida contra o tempo para resgatá-la. As apostas são altas e para Batman este é um caso extremamente pessoal. Belissimamente ilustrada e pintada por Marini em seu estilo inconfundível, esta edição traz o Cavaleiro das Trevas e seus maiores adversários em uma radical recriação de sua mitologia.

Thiago Ribeiro
Thiago de Carvalho Ribeiro. Apaixonado e colecionador de quadrinhos desde 1998. Do mangá, passando pelos comics, indo para o fumetti, se for histórias em quadrinhos boas, tem que serem lidas e debatidas.