Segunda, 09 De Julho De 2018

Notícias sobre Filmes, Séries e Netflix

Entrevista com Abel Camargo guitarrista do HIBRIA

Hibria - Abel Camargo

HIBRIA é uma banda brasileira de Heavy Metal, criada em Porto Alegre/RS e que desde o lançamento de seu álbum de estreia, em 2004, trilha uma jornada de conquistas no Brasil e no mundo.

Atualmente a banda passa por um per√≠odo de reformula√ß√£o depois da sa√≠da de quatro dos cinco membros restando apenas o guitarrista Abel Camargo que vem se esfor√ßando para divulgar o sexto √°lbum do HIBRIA intitulado “MOVING GROUNDque foi lan√ßado oficialmente no Jap√£o em Fevereiro desse ano, pela gravadora japonesa King Records alcan√ßando uma excelente repercuss√£o, com vendas expressivas e √≥timas cr√≠ticas. No Brasil, o √°lbum foi lan√ßado em Maio pela Urubuz Records.

5C: Opa! Agradeço por nos disponibilizar um tempo para responder algumas perguntas.

Abel: Eu que agradeço a oportunidade de falar com os leitores da Quinta Capa. Muito obrigado pela oportunidade.

5C: Conte-nos um pouco de como se iniciou sua carreira musical.

Abel: Meus primeiros contatos com a m√ļsica se deram num ambiente evang√©lico, visto que praticamente toda a minha fam√≠lia √© ligada a esse meio. Foi uma bela escola para mim.

Comecei no violão como autodidata pelos meus doze anos. Descobria acordes e melodias de acordo com o que os meus ouvidos identificavam como agradável, e, também, vendo outras pessoas tocarem. Prestava atenção em cada detalhe de quem estava tocando. Observava como as notas iam se organizavam de forma a produzir sons que eu viria a reproduzir futuramente. Na sequência, tive aulas com uma professora evangélica, que me ensinou acordes e ritmos básicos de uma maneira bem simples e objetiva, sem muita explicação teórica.

Meu in√≠cio na guitarra se deu pelos meus 15, 16 anos quando comecei a tocar com alguns amigos do meu bairro, por divers√£o. A coisa foi ficando mais s√©ria quando formei a minha primeira banda com o meu vizinho e dois colegas de col√©gio do Florinda Tubino Sampaio, de Porto Alegre. Tinha uma galera que curtia Rock, Metal, e, de l√°, saiu muita gente boa na m√ļsica dessa √©poca. Foi nessa mesma escola que eu pisei em um palco pela primeira, e √ļltima vez com essa banda, ‚ÄúOs Alco√≥latras de Cristo‚ÄĚ. A banda logo se desfez e aprendi desde cedo que se a gente quer ser m√ļsico profissional tem que estar disposto n√£o apenas a tocar bem o(s) instrumento(s) escolhido(s), mas tamb√©m saber seguir em frente independente da escolhas dos demais, e foi exatamente o que eu fiz. Segui em frente em busca de outras pessoas que pudessem se interessar em tocar com um guitarrista iniciante, mas que j√° desde cedo compunha. O mais interessante dessa banda, de √ļnica apresenta√ß√£o, literalmente, √© que foi exatamente nesse mesmo show que eu decidi seguir em frente na m√ļsica custasse o que custasse, e aqui estou eu. Sempre curti, e ainda curto, compor, ensaiar , gravar, viajar, estar em cima do palco e essa experi√™ncia me proporcionou fazer a escolha que mudou a minha vida.

Seguindo em frente, na busca por gente disposta a tocar e levar a m√ļsica minimamente a s√©rio, fiz um outro show com uns camaradas, mas a banda tamb√©m n√£o foi para a frente. Mas para a minha sorte, e para a sorte dos f√£s do HIBRIA, foi um pouco depois dessa banda n√£o vingar que conheci o Marco Panichi, primeiro baixista da banda, em 1993, e pela primeira vez estava tendo contato com algu√©m que realmente tinha vontade e responsabilidade para estar num projeto mais profissional. Fomos n√≥s dois os caras que formaram o HIBRIA posteriormente, mas desde os primeiros contatos com ele dava para perceber que ele era um cara diferenciado. Devo muito a amizade e profissionalismo dele por muito do que o HIBRIA se tornou.

5C: Quais suas principais influências?

Abel: O Steve Vai continua sendo o cara que eu mais admiro. N√£o s√≥ como m√ļsico, guitarrista, compositor, mas tamb√©m muito pela sua maneira de pensar. Esse cara √© genial.

No quesito banda, citaria o Metallica. √Č a minha favorita de todos os tempos, tanto musicalmente quanto no que diz respeito √† carreira espetacular que eles desenvolvem. Ter aberto o show deles com o HIBRIA, em 2010, Porto Alegre, foi um dos momentos mais emocionantes da minha carreira e da banda.

Apesar de admirar outros artistas, citei apenas as minhas duas principais referências por julgar que são elas que até hoje me influenciam de uma maneira ou outra. Mas, seria injusto da minha parte não mencionar minha segunda banda favorita, o Judas Priest. Curto demais o som, e o mais recente álbum deles, Firepower, está simplesmente sensacional. Ah, também acho a carreira solo e o trabalho do Slash no Guns ambos sensacionais.

Desde que eu comecei a tocar, nunca estudei nenhum guitarrista (nem mesmo o Steve Vai), mas sim sempre tentei absorver a musicalidade de cada um deles. Por um lado, eu acho interessante aprender a tocar certas coisas para o desenvolvimento musical. Por outro, acho que existe um grande risco para os guitarristas ficarem aprendendo muito de um guitarrista espec√≠fico e depois nunca mais conseguirem desenvolver um fraseado original. Do meu ponto de vista, acho mais interessante apenas ouvir e absorver m√ļsica, e a partir disso criar seus pr√≥prios riffs, licks e solos. Isso, naturalmente, vale para quem quer seguir na m√ļsica autoral.

Abel Camargo
Foto – Perfil Facebook Abel Camargo

5C: O que você gosta de ouvir? E o que tem ouvido ultimamente?

Abel: Eu curto v√°rios estilos de m√ļsica. Tento ouvir coisas diferentes justamente para absorver e entender outras maneiras de se compor.

Metal e Hard Rock são dois dos meus estilos favoritos. Hard tem uma vibe que me agrada muito, e o trabalho de guitarras é algo que curto muito no gênero. Jazz, Groove, Funk, Blues, também são algumas das coisas que eu escuto. Também curto Reggae. Tem um feeling que me agrada bastante.

Essa semana rolou por aqui: Halestorm, Judas, H.E.A.T, Slash, Extreme (O Nuno √© um guitarrista sensacional), Gotthard, David Lee Roth, Glenn Hughes, Van Halen, Papa Roach. Ou seja, eu realmente curto muito Hard Rock. ÔĀä

5C: Vamos falar um pouco sobre o Hibria. Recentemente houve uma separação dos demais integrantes permanecendo apenas você na banda. Em algum momento você pensou em por fim no Hibria e iniciar outro projeto?

Abel: Cara, certamente, √© o momento mais delicado de toda a minha carreira musical at√© ent√£o, mas tenho crescido muito com tudo isso. Tem sido uma experi√™ncia que mexe com muitas emo√ß√Ķes, √°reas da vida em geral, mas tenho aprendido a lidar bem com isso. Gostaria de citar o apoio do Beto Gonzalez. Ele come√ßou a trabalhar como produtor do HIBRIA um pouco antes do fim da mais recente forma√ß√£o, e apesar da sa√≠da de quatro de cinco membros, seguiu ao meu lado na miss√£o de reconstruir a banda passo a passo e com entusiasmo. Certamente, mais uma pessoa diferenciada que eu encontrei nessa estrada da m√ļsica. Isso tamb√©m n√£o seria poss√≠vel sem o apoio de algumas pessoas importantes da minha fam√≠lia, amigos pr√≥ximos, e at√© mesmo de pessoas que eu n√£o conhecia, mas que me param na rua para me dizer: ‚ÄúSegue em frente com o HIBRIA. Sou muito f√£ da banda. Tu vai conseguir‚ÄĚ. A todos voc√™s, o meu muito obrigado, de cora√ß√£o!

Levou tempo at√© eu conseguir dimensionar o que estava acontecendo. Parar seria uma alternativa se eu n√£o tivesse mais amor pela banda que eu mesmo formei, juntamente com o Marco, e compus mais da metade da discografia (como assinamos com ‚ÄúHIBRIA‚ÄĚ as pessoas acabam n√£o sabendo quem comp√īs o que, e o quanto cada um contribuiu). Tamb√©m sou o cara respons√°vel pelo conceito l√≠rico de todos os √°lbuns da banda desde o ‚ÄúBlind Ride‚ÄĚ (terceiro da discografia), e envolvido diretamente na produ√ß√£o executiva da banda desde o Silent Revenge (quarto √°lbum). Antes, eu contribu√≠a de alguma forma nessa √°rea, mas outras pessoas estavam √† frente desse trabalho. Sem contar na grande quantidade de letras que escrevi desde o Blind Ride, e importante papel na lideran√ßa do grupo desde a forma√ß√£o da banda. Tirando o que eu fiz antes da forma√ß√£o da banda, desde ent√£o, a minha biografia √© a biografia do HIBRIA.

Faz anos que quero desenvolver outro projeto, e, vou. √Č uma quest√£o de foco. A minha aten√ß√£o no momento est√° voltada para retomar a carreira do HIBRIA com tudo e mais um pouco, mas no momento certo e da maneira correta. Est√° tudo sendo feito com muita seriedade, cautela, e a paci√™ncia √© uma das virtudes mais importantes nesse processo.

5C: Como está o processo de completar a nova formação?

Abel: Metade da miss√£o cumprida. J√° foram anunciados o novo guitarrista, Guga Munhoz, e o novo baterista, Martin Estevez.

No momento, estamos estudando o melhor caminho para completarmos a formação.

5C: Como tem sido a quest√£o de shows e divulga√ß√£o do √ļltimo √°lbum “Moving Ground”?

Abel: O lan√ßamento do √°lbum se deu no final de fevereiro no Jap√£o, e, como sempre, tivemos uma excelente divulga√ß√£o por parte da nossa gravadora l√°, a King Records. Desde o primeiro trabalho que lan√ßamos com eles (Blind Ride / 2011 ‚Äď terceiro Cd da banda), eles fazem um trabalho de primeira qualidade. No ‚ÄúMoving Ground‚ÄĚ, alcan√ßamos o terceiro lugar na pr√©- venda em um dos sites do Jap√£o que √© refer√™ncia em vendas l√°, o HMV, apenas atr√°s do Michael Schenker, e figuramos entre o mais vendidos tamb√©m.

No Brasil, o trabalho sairá pela Urubuz Records, em meados de maio, e a gravadora está trabalhando na divulgação do álbum juntamente com o Beto, produtor do HIBRIA.

A banda recebeu convites muito interessantes recentemente, mas o momento é de fechar e divulgar a nova formação para então partir para os shows de uma maneira consistente, de forma a oferecer o nosso melhor aos fãs da banda e atingir as pessoas que ainda não tiverem a oportunidade de ver o HIBRIA ao vivo.

5C: Fale um pouco sobre o atual trabalho ‚ÄúMoving Ground‚ÄĚ. O √°lbum tem uma pegada mais sombria e com uns toques mais prog que os anteriores. Pode nos falar um pouco sobre o processo de composi√ß√£o?

Abel: O ‚ÄúMoving Ground‚ÄĚ eh o √°lbum mais intenso da carreira do HIBRIA at√© ent√£o. A gente simplesmente colocou nele tudo o que sent√≠amos, e isso fez com que o trabalho se tornasse denso, com essa pegada prog e sombria que tu citasses. Ele tamb√©m traz algumas marcas registradas da sonoridade da banda como melodias muito bem trabalhadas, velocidade, peso, agressividade, e virtuosismo na medida certa.

Basicamente, esse trabalho foi composto da mesma maneira dos demais. As ideias, conceito das m√ļsicas partiram dos guitarristas, eu e o Renato, e os demais iam dando as suas contribui√ß√Ķes de acordo com os seus instrumentos, e o Iuri com as ideias de melodia vocal, com contribui√ß√Ķes do Renato, que tamb√©m produziu esse mais recente √°lbum com muita maestria. O Eduardo tamb√©m contribuiu com linhas de bateria que inspiram o desenvolvimento de ideias a partir delas.

Creio que o diferencial desse trabalho foi a dedicação de cada um para fazer com que esse registro fosse algo realmente marcante na carreira da banda em termos de sonoridade. Abordamos atmosferas bem diferentes para cada som, e não nos limitamos a nenhuma ideia pré-definida, mas sim a vontade de fazer algo genuíno, diferenciado.

5C: E sobre os temas abordados, os álbuns têm um tema específico ou cada faixa é independente e aborda um tema diferente?

Abel: Cada faixa conta a sua pr√≥pria hist√≥ria, mas todas t√™m uma liga√ß√£o, de uma forma ou outra, com o tema base do √°lbum que √© a imperman√™ncia, que tamb√©m originou o nome do √°lbum (‚ÄúMoving Ground‚ÄĚ).

Muitas coisas que a gente trabalhou duro por muitos anos para que desse certo, e desejou ardentemente que elas acontecessem, simplesmente, por uma raz√£o ou outra, n√£o se concretizaram, e isso mexeu muito com cada um de n√≥s. Comecei a ler sobre o Budismo de uns poucos anos para c√°, apesar de j√° ser simpatizante do mesmo h√° anos, e quando li sobre o conceito budista para imperman√™ncia, tudo fez sentido. Sugeri o tema para a banda e eu, o Iuri e o Renato n√≥s encarregamos de dar vida as melodias dos sons atrav√©s das nossas vis√Ķes contadas em cada uma das letras. Foi um trabalho intenso vivido num processo denso de composi√ß√£o no qual nos sentimos plenamente satisfeitos com o resultado tanto do ponto de vista l√≠rico quanto do musical.

Eu poderia sintetizar a mensagem principal do CD como sempre seguir em frente em busca do que se acredita, apesar da inexorabilidade da impermanência.

5C: Sabemos que voc√™s tem uma rela√ß√£o muito boa com o Jap√£o assim como outras bandas brasileiras como o Angra e o √Č o Tchan!, o p√ļblico presente nos shows por l√° parece ser sempre maior do que aqui no Brasil mesmo sendo o Hibria uma banda nacional. Do seu ponto de vista, quais motivos levam √† essa diferen√ßa?

Abel: O HIBRIA mant√©m uma rela√ß√£o excelente com o Jap√£o desde o lan√ßamento do debut, ‚ÄúDefying The Rules‚ÄĚ (2004). O p√ļblico japon√™s recebeu a banda de bra√ßos abertos e somos muito gratos por isso.

O porte do HIBRIA no Jap√£o √© bastante diferente do porte do Brasil, e creio que isso fique bem destacado se formos falar das seis passagens da banda pelo pa√≠s at√© ent√£o, sendo umas das duas bandas brasileiras de metal que mais tocaram no pa√≠s at√© o presente momento. Na primeira vez que tocamos l√°, em 2009, casas lotadas, e um convite para voltar e tocar l√° no mesmo ano, no festival Loud Park, refer√™ncia no Metal no Jap√£o e na √Āsia. Ap√≥s o Loud Park, tamb√©m tivemos a oportunidade de abrirmos o show do Megadeth, em Nagoya. Em 2011, gravamos o DVD ‚ÄúBlinded by Tokyo‚ÄĚ numa das casas mais espetaculares que j√° tocamos at√© ent√£o (Shinagawa Prince Stellar Ball), sendo a √ļnica banda brasileira de Metal a ter um feito desse porte no curr√≠culo, no que diz respeito ao Jap√£o (me corrijam se estiver errado). Quarta passagem da banda – mais uma vez tocando no Loud Park – para milhares de f√£s que curtiram o show entusiasmadamente do in√≠cio ao fim. Em ambos Loud Park (2009 e 2012) tocamos em um dos dois palcos principais numa sele√ß√£o de bandas que contavam com algumas das bandas de Metal mais influentes de todos os tempos como Judas Priest, Megadeth e Slayer, por exemplo. 2013 e 2015, lan√ßamentos dos CDs ‚ÄúSilent Revenge‚ÄĚ e ‚ÄúHIBRIA‚ÄĚ, respectivamente, e assim como nas turn√™s anteriores, em casas com excelente estrutura, p√ļblico, e sem banda de abertura.

Os motivos que levam a essas diferen√ßas s√£o das mais variadas esp√©cies, a come√ßar pelo fato de morarmos em um pa√≠s que possui baix√≠ssimo incentivo a cultura local. Para muitos, dizer que tu √© m√ļsico, artista √© sin√īnimo de quem n√£o trabalha. No que diz respeito ao fato de acharem que m√ļsicos, artistas n√£o trabalham se deve ao fato dessas mesmas pessoas terem uma vis√£o distorcida do termo trabalho, e baixo n√≠vel cultural para se entender o que significa cultura. Se acham cultas, mas menosprezam artistas. Para mim, isso n√£o faz absolutamente sentido algum. Muitos m√ļsicos, artistas acabam vivendo com baixa remunera√ß√£o por muito tempo, alguns por uma vida inteira, justamente porque a maioria das pessoas n√£o reconhece o esfor√ßo e o talento dessa classe, e acaba n√£o frequentando os locais que essas pessoas tocam, apresentam a sua arte.

Entre tantas outras respostas que eu poderia dar para elucidar essa quest√£o da diferen√ßa entre o Jap√£o (ou qualquer outro pa√≠s de primeiro mundo) e o Brasil, para mim, tamb√©m est√° diretamente ligada √† maneira na qual a m√≠dia exp√īs/exp√Ķe o g√™nero no Brasil, privilegiando poucas bandas nacionais (independente delas lan√ßarem trabalhos relevantes ou n√£o), e enaltecendo o que √© feito fora do pa√≠s. Isso criou a cultura de que apenas essas bandas s√£o relevantes e que todo o resto n√£o √© merecedor de espa√ßo na m√≠dia, o que causa um impacto negativo direto na vida de todas essas outras bandas que n√£o fazem parte do interesse dessa m√≠dia parcial.

5C: E agora, o que a banda está planejando para os próximos passos? O que podemos esperar do futuro (próximo) do Hibria?

Abel: Primeiro passo é fechar a nova formação, paralelamente à divulgação do novo álbum.

Os próximos passos dependem muito do tempo que a nova banda estará na ativa. Tudo está sendo planejado com muita responsabilidade e entusiasmo, e vai levar o tempo que for necessário para se ter a banda em plena forma como os fãs estão acostumados a ver. O que eu posso afirmar é que o dia em que o HIBRIA estiver nos palcos novamente vai ser para dar continuidade a uma história vencedora feita com muito trabalho ao longo de mais de 22 anos.

Capa do √°lbum Moving Ground

5C: Uma pergunta recorrente nas rodas de conversa com m√ļsicos √© sobre o m√©todo de distribui√ß√£o e comercializa√ß√£o da m√ļsica. O que voc√™ acha do modelo de streaming?

Abel: O streaming tornou a m√ļsica acess√≠vel a muita gente, que antes n√£o conseguia ouvir por n√£o ter dinheiro para comprar CDs e afins, mas por outro lado desvalorizou a passos largos a remunera√ß√£o dos m√ļsicos, assim como a qualidade do material dos mesmos. A menos que estejamos falando de um artista com uma quantidade absurda de plays, a remunera√ß√£o da maioria dos outros √© ris√≠vel… Al√©m disso, a partir do momento em que se come√ßou a divulgar a m√ļsica em formatos de baixa qualidade, se deu margem para que √≥timos trabalhos sejam deixados de lado visto que muitas vezes a qualidade do streaming √© ruim, fazendo com que a obra exposta n√£o obtenha o devido reconhecimento. Sem contar que recebendo baixa remunera√ß√£o por um trabalho se torna invi√°vel produzir com qualidade. Muitos produzem do seu pr√≥prio bolso, mas essa l√≥gica deveria mudar. Se o p√ļblico come√ßar a apoiar os artistas locais, com certeza, ser√£o recompensados com trabalhos ainda mais legais.

Sinceramente, não faz diferença alguma ser contra ou a favor do streaming do ponto de vista prático. O que eu acho que faz alguma diferença é justamente o debate sobre as formas de financiamento da arte de forma que as pessoas se conscientizem minimamente de que se algo não for mudado logo, ótimos artistas vão parar de produzir, tocar ao vivo, por falta de recursos, enquanto a velha grande mídia vai ficar ditando o que eles querem que o povo ouça, visto que esses artistas ainda são financiados por grandes gravadoras, empresários.

Outra quest√£o que me chama muito a aten√ß√£o √© o fato das pessoas j√° h√° muito tempo n√£o ouvirem mais √°lbuns, mas sim m√ļsicas tocadas aleatoriamente. √Č como se ao inv√©s de lermos um romance do in√≠cio ao fim, l√™ssemos apenas alguns cap√≠tulos. Assim como um livro, um √°lbum tamb√©m foi concebido para contar uma hist√≥ria. Vivemos em uma era na qual as pessoas est√£o est√£o ansiosas, que se perdeu o prazer de escutar um CD inteiramente e apreciar coisas como o tracklist, mixagem/masteriza√ß√£o, arranjos, sonoridade, timbres, efeitos de cada m√ļsica, letras, etc. Em suma, a conex√£o entre os sons que √© o que forma a obra em si. Eu ainda mantenho esse h√°bito de ouvir tudo do in√≠cio ao fim, e sempre incentivo os meus alunos a fazerem o mesmo.

5C: Alguma lembrança de algum show marcante ou situação inusitada ou engraçada que você gostaria de nos contar?

Abel: O HIBRIA tem uma carreira vitoriosa, e são muitos os momentos de profunda realização que eu vivi com a banda até o presente momento. Entre eles, gostaria de destacar a abertura para o Metallica em Porto Alegre. Ter a chance de abrir o show da sua banda favorita de todos os tempos, uma das mais importante da história do Metal, e na sua cidade natal, não tem preço. Eu fiquei, literalmente, uns dois, três dias, simplesmente, anestesiado. Não acreditava no que tinha acontecido e ficava repassando cada um dos momentos. Além do show em si, que foi uma emoção inenarrável, ter conhecido a banda antes do show deles e ter podido apertar a mão de cada um, e poder registrar esse momento, foi sensacional.

Outro show memor√°vel foi a grava√ß√£o do DVD ‚ÄúBlinded by Tokyo‚ÄĚ, no Jap√£o. Lugar espetacular e um p√ļblico sedento por ouvir a banda. Foram momentos de pura realiza√ß√£o tanto do lado profissional quanto do pessoal. Tocar no Jap√£o sempre foi um sonho. Gravar um DVD ao vivo para uma casa lotada de f√£s da banda √© simplesmente surreal de t√£o emocionante. Esse registro √© um orgulho muito grande para mim e para a forma√ß√£o que gravou esse DVD. Ensaiamos por meses para fazer um show em alt√≠ssimo n√≠vel e eterniz√°-lo atrav√©s dos tempos.

Por √ļltimo, mas n√£o menos importante, tocar no Rock in Rio 2013. Festival que eu assistia pela TV antes mesmo de pensar em aprender um instrumento, ter uma banda e que sempre me encheu os olhos e os ouvidos. Ter sido convidado para tocar num evento dessa grandiosidade, e repercuss√£o mundial, certamente est√° entre os pontos mais altos da carreira do HIBRIA at√© ent√£o.

5C: Alguma consideração final para a galera que acompanha o trabalho de vocês ou que estão conhecendo agora?

Abel: Mais uma vez, gostaria de agradecer pela oportunidade de entrar em contato com os leitores do Quinta Capa.

Gostaria de reiterar que o HIBRIA está sendo reconstruído com muita paixão e responsabilidade, e, que no momento oportuno, os fãs verão uma banda com muita determinação, garra nos palcos novamente.

Aos que ainda n√£o conhecem o trabalho do grupo, fica o convite para curtir o clipe mais recente da banda, ‚ÄúMoving Ground‚ÄĚ:

Fiquem ligados nas novidades nas mídias sociais da banda (Facebook, Instagram, Twitter).

Um forte abraço e até a próxima.

Acompanhe as novidades do HIBRIA:

Facebook

Twitter

Instagram

Youtube

Spotify

Quem é timEU

Um indiv√≠duo entre outros 7 bilh√Ķes que comp√Ķe uma √ļnica esp√©cie entre outras 3 milh√Ķes de esp√©cies j√° classificadas que vive num planetinha que gira em torno de uma estrelinha que √© uma entre outras 100 bilh√Ķes de estrelas em uma gal√°xia entre outras 200 bilh√Ķes de gal√°xias num dos universos poss√≠veis e que vai desaparecer.

  

Posts Relacionados