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Conheça o Power Metal brasileiro de Flávio Brandão Stratosphere Project!

Conheça a banda brasileira de Power Metal Flávio Brandão Stratosphere Project! Conversamos também um pouco seu criador, confira!
Flávio Brandão Stratosphere Project
Divulgação/Reprodução

Conheça a banda brasileira de Power Metal Flávio Brandão Stratosphere Project! Conversamos também um pouco seu criador, confira!

A primeira vez que ouvi Power Metal na minha vida foi um dia de sábado, há 22 anos, era de manhã, quase na hora do almoço. Estávamos na era da internet discada, mas já existia arquivo de música em mp3, baixar uma música de 5 M demorava a quantidade de tempo que eu demorei para escrever esse texto, ou seja, muito tempo. Eu estava na fase mais rebelde da minha vida, muito jovem, burro e achando que iria mudar o mundo, mas apesar de tudo isso, eu já estava entregue de corpo e alma a livros de fantasia e RPG. Imagina um jovem fascinado por fantasia ouvir pela primeira vez Black Dragon e Legend of Steel do álbum King of The Nordic Twilight do Luca Turilli?

Eu não lembro de muita coisa naquele dia porque tudo na minha vida mudou depois de ouvir essas duas faixas. A minha mente expandiu-se, algo dentro de mim explodiu. Foi amor à primeira ouvida, coisa que eu ainda escuto sempre por todos esses anos. Além disso, eu simplesmente não sabia que ele era guitarrista Rhapsody. A banda de Power Metal que mais ouviria na vida.

Flávio Brandão
Reprodução/Divulgação (Twitter)

Flavio Brandão Stratosphere Project é um projeto de Power Metal, o gênero normalmente canta música sobre fantasia, mas além disso, é um gênero composto por músicos incríveis que bebem de diversas referências para contar suas histórias fantásticas, suas fantasias. 

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No seu perfil do Amazon Music, eu escutei na seguinte ordem: Immortal Eyes, Stratosphere, Lifesteanling Life, Depersonalization e Las Survivor. E para falar do som nada mais democrático e correto deixar o próprio criador contar para gente sobre seu projeto num entrevista rápida e muito significativa:

O projeto começou quando? Você comenta que já tocava numa banda carioca de metal ainda nos anos 90. Explique o processo.

O projeto foi idealizado no final de 2019 quando comecei a compor músicas do Stratosphere, meu primeiro álbum. A ideia inicial era poder publicar as músicas que tinha criado sozinho. Aliás, foi todo um processo de aprendizado, desde de voltar a compor músicas completas totalmente sozinho até gravar e produzi-las meio que no escuro. Ninguém vira produtor da noite pro dia certo? Então houve muito estudo, muito treino, muitas gravações que nunca serão publicadas..

Porque investir tempo num projeto solo? Quem são os músicos que influenciaram teu som.

Flávio Brandão: “A ideia partiu do meu retorno à música lá em 2017. Eu tive alguns hiatos na música devido a problemas pessoais e familiares. Retornei brevemente nos anos 10 (2010) e precisei me dedicar a outros aspectos da minha vida. Em 2017 eu comecei a me equipar sem ter muita certeza de onde ir até que surgiu a ideia de estudar produção musical e até mesmo regravar as músicas da minha antiga banda de power metal do underground carioca Lifestealing. Como eu disse, foi todo um processo de mudanças, estudos e adaptações. E eu queria passar por toda essa experiência sozinho. Não queria formar uma nova banda, ter que lidar com todo o caos que é o relacionamento interpessoal e a tormenta de ideias que se tem em bandas. O que eu queria era algo mais introspectivo.”

Demorou a produção das gravações, edição e mixagem? Você teve algum apoio privado ou foi tudo do seu bolso?

Flávio Brandão: No geral, as gravações foram super rápidas. Eu gravei 16 músicas em 2 meses e meio. A produção foi um pouco mais demorada até porque eu precisava de vocalistas. Cheguei a fazer vários testes com a minha própria voz, mas cantar nunca foi meu forte. Eu ainda preciso estudar muito canto pra chegar lá só com a minha voz. Então decidi procurar os vocalistas para auxiliar no projeto.

Onde conheceu e quem são os convidados do projeto?

Flávio Brandão: Os primeiros vocalistas que procurei foram no fórum r/MusicInTheMaking do Reddit. Mas lá o pessoal é muito mais voltado ao metal extremo! Ainda na busca de um vocalista, um dos usuários me recomendou procurar em plataformas colaborativas como o Kompoz. Postei a música Fury e Stratosphere do primeiro álbum e deixei 1 mês por lá. Acabei esquecendo por um tempo e quando voltei o Ivar Bergelin (da Espanha) tinha enviado 2 demos que ficaram excelentes. Combinamos o que precisava ser acertado e ele mandou muito bem nas duas músicas.

Os convidados como o Ludvik, o Michael Hos (Ulisses), Scott Hines, Schell Oldham e Volker Siefert vieram da mesma plataforma. Já pro Depersonalization, eu fiz um approach um pouco diferente. Eu procurei o paulista Lean Van Ranna (Melodius Deite, Excalibur, Kin Wagon) que fez grandes projetos nacionais e internacionais e convidei para participar de 2 músicas. Ele ouviu as músicas e aceitou. E pelo instagram eu conheci a banda Dagor Sorhdeam do Gus Castro, também paulista, e o convidei para cantar Silver Line. O resultado ficou muito bom! Já para o Lifestealing Years, eu trouxe algumas pessoas da plataforma e de fora dela. Eu trouxe as meninas, a estadunidense Rebecca Riss ( Rebecca e Ricardo Delirium), a piauiense Bruna Soares (Alirya Project, Sonora Fantasma), o paulistano Lean Van Ranna e Gus Castro, o curitibano Ricar do Janke (Sefirot) e o manauara Aldeir Donovan (Beyond Fire, Chrysalid, DonLean) e o meu amigo antigo guitarrista da Lifestealing Claudio Mendes.

O cenário do metal nacional, apesar de grandes músicos, sofre bastante. Não existe um calendário fixo de eventos de médio e grande porte. Como está o feedback do público em seu projeto e você vê uma saída para a falta de apoio de patrocinadores e público?

Flávio Brandão: Por ser um projeto 100% estúdio/internet eu tenho recebido ótimos feedbacks. Meu público ainda é muito espalhado, temos muitos ouvintes na Alemanha, Estados Unidos, França, Brasil, Itália, Reino Unido, Austrália. Então chegam comentários de várias partes do mundo. Entretanto, com o lançamento de Lifestealing Years eu estou tentando um foco maior no público brasileiro.

Projetos solos de Power Metal sempre tem um viés mais fantástico com enredos e personagens como é o caso do Avantasia, Aina ou mesmo Krusader com o álbum “Angus”. No seu projeto observei que existem diversos elementos como literatura, ficção científica e questões filosóficas. Como você cria suas músicas e qual mensagem você quer passar para quem está ouvindo?

Flávio Brandão: Eu uso o Stratosphere Project como um sistema de escape da realidade, mas que ao mesmo tempo eu falo sobre a minha pessoa e sobre as coisas que aconteceram comigo ao longo dos anos. Eu sou muito fã de documentários de ciência, literatura fantástica e também de temas psicológicos e de auto-ajuda. Acho que o projeto é uma mistura de tudo isso entregue em pacotes diferentes.

Deixe uma mensagem para os leitores!

Flávio Brandão: Ouçam o Stratosphere Project! Ouçam as bandas nacionais, o underground está cheio de novas bandas com uma qualidade incrível esperando apenas que o público abra uma janela daquela sua semana super atarefada! Hoje nós temos que concorrer por espaço no ouvido do fã, ele tem pouco tempo pra tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo então pra se tornar relevante e até mesmo uma opção precisamos nos destacar em muitas coisas simultaneamente. Então você fã de metal, tente abrir 1 horinha ou 30 minutos da sua semana pra ouvir coisas novas, bandas que estão chegando, adicione naquela sua playlist cheia de bandas conhecidas fortaleça a cena underground!

Projetos musicais existem aos montes, eu escuto Power Metal todo santo dia por 22 anos, projetos assim tem em cada esquina na Europa. Mas isso significa que é fácil? Nunca será. O alemão Tobias Sammet, criador Avantasia levou 20 meses para escrever, gravar, editar e produzir o primeiro Metal Opera. E hoje Avantasia se tornou sinônimo de metal project bem sucedido. 

Projetos assim no Brasil as vezes passam despercebidos,  é importante que mais pessoas conheçam artistas como o Flávio. Do que ouvi Stratosphere Project, comparo apenas o projeto Krusader, William Shakespeare’s Hamlet e Soulspell em qualidade musical, edição e produção. Músicos de um modo geral no Brasil, precisam ter muita coragem e acreditar no que estão fazendo para seguir adiante com seus planos. Quando falamos do cenário do metal, mesmo com toda a qualidade, técnica e anos de estudos e pesquisa, a coisa só ainda funciona pelo boca a boca. Por isso a importância de que as pessoas precisam divulgar e incentivar mais projetos como Stratosphere Project.

Eu comecei meu texto falando do Luca Turilli porque eu senti em quase todas as músicas do Stratosphere Project  o quanto o Luca foi um dos grandes influenciadores do Flávio Brandão. Claro que eu senti muitos elementos do próprio Stratovarius, Kamelot, Avantasia, mas a marca do Luca Turilli é mais evidente. Eu sei o que estou falando. Não estou aqui para comentar cada faixa, não daria tempo, o texto ficaria enorme, mas posso falar que todas elas são uma ode a era de ouro do Power Metal. As faixas Stratosphere e Immortal Eyes são devastadoras e um exemplo incrível da importância da gente aplaudir de pé Flávio Brandão Stratosphere Project!

PikachuSama
Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.