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A verdade não dita sobre o baterista do Foo Fighters Taylor Hawkins

O rock perdeu um dos mais versáteis bateristas de sua história e aqui está um pouco da história de Taylor Hawkins que morreu no último dia 25.
Taylor Hawkins

O rock perdeu um dos mais versáteis bateristas de sua história e aqui está um pouco da história de Taylor Hawkins que morreu no último dia 25.

O rock está de luto. Pouco antes de se apresentarem em Bogotá, Colômbia,25 de Março, o Foo Fighters anunciou o cancelamento do show de um modo doloroso para os fãs da banda e do rock. O baterista Taylor Hawkins morreu aos 50 anos. Nenhuma causa da morte foi divulgada ainda, embora o site Blabbermouth relate que ele se queixou de dores no peito no início do dia. Um comunicado da banda, postado no Twitter colocou uma nota: “A família Foo Fighters está devastada pela perda trágica e prematura de nosso amado Taylor Hawkins. Seu espírito musical e risadas contagiantes viverão com todos nós para sempre.”

Hawkins deixa sua esposa, Alison. Casados desde 2005 e com três filhos: Oliver, Annabelle e Everleigh.

Hawkins era o baterista do Foo Fighters – um papel notoriamente difícil de se estar, com o fundador Dave Grohl sendo um dos bateristas mais talentosos da história da música, conhecido por seu trabalho com o Nirvana.

Taylor Hawkins, nascido em Fort Worth, Texas, e criado no sul da Califórnia não era de forma alguma um baterista amador quando foi escolhido por Grohl. Na verdade, ele tocou ao lado da cantora e compositora canadense-americana Alanis Morissette. Hawkins conheceu o empresário de Morissette em 1995, quando ele tinha apenas 23 anos e foi convidado a fazer as faixas de bateria para o próximo álbum de Morissette naquela época.

Hawkins acabou deixando a banda de Morissette depois de alguns anos de gravações e turnês porque, como ele disse no podcast Triple M, sentiu que não combinava mais o estilo que Morissette estava seguindo musicalmente. Ele queria tocar mais pesado e rápido, e ela queria o contrário disso. Mas a amizade e respeito entre os dois durou por anos.

Taylor Hawkins tocava com o Foo Fighters desde 1997, substituindo o primeiro baterista da banda, William Goldsmith. O New York Times descreveu seu estilo como uma amálgama de Stewart Copeland do The Police e Roger Taylor do Queen. O cara era um monstro.

Hawkins tocava bateria desde os 10 anos de idade, ele sentiu que tocaria para sempre o instrumento depois de assistir a um show da Queen em 1982. “Mudou tudo, e eu nunca mais fui o mesmo por causa disso. Eu sabia que queria estar em uma grande banda de rock”, disse ele ao site Kerrang! em uma entrevista publicada no ano passado.

“Depois daquele show, acho que não dormi por três dias”, disse ele  “Eu estava começando a tocar bateria e Roger Taylor se tornou meu herói”, acrescentou Hawkins, referindo-se ao baterista do Queen, uma influência e fonte de técnica além de nomes como Phil Collins, Alex Van Halen e Neil Peart do Rush. Mesmo passando a maior parte do show do FF na bateria, Hawkins muitas vezes trocava de lugar com o frontman Dave Grohl para cantar a poderosa balada do Queen, “Somebody to Love”.

Em 2019, Roger Taylor tocou em “Get the Money”, álbum de Hawkins com sua banda The Coattail Riders. Os dois bateristas monumentais iniciaram uma amizade e, quando Hawkins morreu no último dia 25, Taylor, no Instagram, comparou a perda à perda de “um irmão mais novo favorito”, acrescentando que Hawkins se tornou um mentor de seu filho, Rufus.

Que perda, meus amigos. Que perda!

O que é mais estereotipado rock n’ roll do que um problema com drogas? Rockstars há muito mantém a reputação de festeiros, e tem sido assim desde os primeiros dias do rock. Johnny Cash, Ozzy Osbourne, todos do Aerosmith, Anthony Kiedis, você escolhe; todas as eras do rock tiveram seus usuários, e todas as eras do rock tiveram aqueles que foram levados cedo por causa disso. Por sua própria admissão, Taylor Hawkins quase se tornou um deles. “Eu não era como um viciado em si, mas…”, disse Hawkins ao site NME.

Por cerca de um ano por volta da virada do milênio, disse o baterista, ele caiu bastante nas drogas. Hawkins lembrou ter recebido “uma linha errada com a coisa errada”, teve uma overdose de heroína que o colocou em coma por duas semanas. Mas as drogas não eram novidade para o músico; como ele disse também ao Kerrang! “Eu costumava usar um monte de drogas.” Ele acrescentou: “Eu acreditei no mito de viver rápido, morrer jovem. Eu não estou aqui para pregar sobre não usar drogas, porque eu adorava usar drogas, mas eu fiquei fora de controle por um tempo e quase me pegou.”

A overdose de 2001 serviu como um alerta. Mesmo que Hawkins tenha dito que não aceitaria mais nada parecido com heroína, ele admitiu que começou a passar a maior parte de seu tempo livre andando de mountain bike em vez de ficar chapado – a atividade serviu como “uma chance de limpar sua cabeça”.

Às vezes é estranho quando vemos músicos entrarem no mundo do cinema. Alguns deles fizeram isso com sucesso, enquanto outros, como Taylor Hawkins do Foo Fighters, têm apenas seus proverbiais 15 minutos de glória na tela. Em 2013, Hawkins teve a oportunidade de retratar o vocalista do The Stooges e o “Padrinho do Punk” Iggy Pop no filme “CBGB”.

Além do trabalho no cinema, a morte de Hawkins deixa um abismo não apenas em uma grande banda, mas na própria cultura do rock. O vazio deixado pela morte de Hawkins será profundo. Dave Grohl falou sobre seu amigo no livro que escreveu “The Storyteller”: “meu melhor amigo, um homem por quem eu levaria um tiro”, acrescentando: “Sou grato por termos nos encontrado neste tempo de vida.”

Outros membros proeminentes da comunidade musical mundial expressaram seu choque e tristeza pela morte prematura de Taylor Hawkins. Liam Gallagher, do Oasis, postou no Twitter: “Absolutamente devastado ao ouvir as tristes notícias sobre Taylor Hawkins, meus pensamentos e orações estão com sua família e amigos, irmão RIP”. O próprio Mick Jagger também opinou, twittando: “Tão incrivelmente triste ao saber da morte de Taylor Hawkins. Meus pensamentos estão com sua família e a banda neste momento”.

No show da Miley Cyrus no Lollapalooza Brasil foi um dos maiores momentos para lembrar da partida de Taylor Hawkins. A cantora chorando muito fez uma homenagem linda ao músico com o público e falou:

“Essa música não é 100% apropriada, mas o Taylor era também um rockstar, ele ia entender”

Show da Miley Cyrus no Lollapalooza Brasil (Reprodução)

Quando ele não estava com Dave Grohl, Nate Mendel, Pat Smear tocando no FF centenas de shows e gravando mais de 10 álbuns de estúdio, Taylor Hawkins encontrou tempo para fazer muita música em vários outros projetos paralelos. Em 2006, 2010 e 2019, Hawkins lançou álbuns solo sob o apelido de Taylor Hawkins and the Coattail Riders, com o último álbum envolvendo uma série de músicos convidados, incluindo Chrissie Hynde dos Pretenders, Nancy Wilson do Heart, Joe Walsh do Eagles, Duff McKagan do Guns N’ Roses e a cantora country LeAnn Rimes.

De acordo com a Rolling Stone, Hawkins também tocava na Chevy Metal,  ele chamava de “banda de covers de rock sujo dos anos 70” que tocava covers de músicas semi-obscuras de alguns de seus artistas de rock clássico favoritos, como Queen, Rolling Stones e Black Sabbath. Dois membros do Chevy Metal, o baixista Wiley Hodgden e o guitarrista Mick Murphy, também se juntaram a Hawkins para criar o trio Birds of Satan, que lançou seu único álbum em 2014. Em 2020, Hawkins montou outra banda de três membros, NHC, um supergrupo com o nome das iniciais de seus membros: Dave Navarro do Jane’s Addiction e Red Hot Chili Peppers, Hawkins e o baixista do Jane’s Addiction, Chris Chaney.

Por mais de 20 anos, Taylor Hawkins foi um dos músicos mais famosos do mundo. Ele quase sempre parecia estar se divertindo no palco e nos vídeos, tocando sua bateria. E isso inspirou diversos músicos (jovens, adultos e idosos) ao redor do mundo.

Em 22 de março de 2022, o Foo Fighters deveria tocar no Asuncionico Festival no Paraguai, mas o show foi cancelado por causa de uma tempestade. A baterista paraguaia de nove anos Emma Sofia não conseguiu ver o Foo Fighters, então, em vez disso, informada por um amigo da família, correu para o hotel que a banda estava hospedada. Sofia trouxe sua bateria, montou-a e tocou meia hora de músicas do Nirvana e do Foo Fighters para uma multidão que aplaudiu tão alto que chamou a atenção de Hawkins. Ele saiu, pediu desculpas aos fãs pelo show cancelado e procurou Sofia. Hawkins tirou uma foto com ela e eles conversaram por um tempo. “Ela disse que aquele dia estava prestes a ser o pior dia de sua vida e de repente se transformou no melhor dia de sua vida”, disse o pai de Sofia.

Taylor e Sofia
Taylor e Sofia (Reprodução)

Com um show no Canyon Club em Agoura Hills, Califórnia, em junho de 2021, de acordo com a Variety, o Foo Fighters fez seu primeiro show com capacidade total desde que a pandemia de coronavírus começou mais de um ano antes. A banda exigia que os espectadores mostrassem comprovante de vacinação contra o COVID-19 para comprar um ingresso, uma maneira de limitar a propagação da doença. Essa atitude firmemente pró-vacina estava um pouco em desacordo com os pontos de vista tacitamente aprovados pelo baterista do Foo Fighters, Taylor Hawkins, anos antes.

Em 2013, a banda paralela de Hawkins, Chevy Metal, doou seus serviços para um show beneficente em Los Angeles em apoio à Generation Rescue, uma organização de pesquisa do autismo. Essa organização perpetua a noção, refutada pela ciência, de que as vacinas são uma causa de autismo em crianças.

O Foo Fighters, durante os anos em que Hawkins tocou bateria para a banda, apoiou o Alive and Well, um grupo controverso que sustentava que o HIV não causava AIDS e que, em última análise, era inofensivo.

PikachuSama
Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.