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Lista | 10 álbuns que mudaram a cara da história do rock

Conheça os álbuns de rock que moldaram o gênero e música mundial para sempre.
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Conheça os álbuns de rock que moldaram o gênero e música mundial para sempre.

Desde a sua concepção musical o rock passou por uma série de mudanças em sua estrutura, temas e melodia. Mas tudo, desde o passeio sem compromisso do rock n’ roll, até a opressão do doom metal, eles compartilham um ancestral comum: o blues. A evolução e divergência deste ponto de origem resultou em um genoma cada vez maior de maravilhas musicais que perduraram por todos esses anos.

Embora haja uma grande quantidade de discos que ajudaram a impulsionar a inovação e revolução musical do rock, houve um ponto específico no tempo que abrigou os sons mais influentes já concebidos. A música  que chamamos de rock como a conhecemos viu sua explosão criativa durante os anos 60. O movimento de contracultura dessa época mudou para sempre a forma como a música seria abordada e criada. Substâncias que alteravam a mente, a revolução política e social e um anseio por formas alternativas de vida, todos impulsionam a inovação musical que hoje chamamos de rock. Daquele ponto em diante, esse gênero mudaria para sempre a história da humanidade. 

Estes são os álbuns que mudaram tudo. Se você gosta de um mosh pit selvagem ou apenas uma bela melodia, esses discos são responsáveis pela mudança cultural que possibilitou todos os seus desejos musicais.

10. Paranoid – Black Sabbath (1970)

A estreia autointitulada do Black Sabbath introduziu uma nova forma de rock para o mundo. Tommy Iommi mascarou seus riffs inspirados no blues com muita distorção e uma guitarra afinada. O metal tinha acabado de nascer e, junto com ele, a forma de tocar uma guitarra mudaria para sempre.

Embora esse disco tenha aberto novos reinos do inferno musical, ele empalidece em comparação com o lançamento seguinte da banda. Se o Black Sabbath deu origem ao metal, então a Paranoid o transformou na besta dos sete infernos que inspira uma legião de pessoas até hoje. A sinistra desgraça e melancolia do álbum debut do Sabbath deram o tom, mas a banda moldou sua forma de tocar e cantar sobre a desgraça humana numa sintonia perfeita apenas no segundo álbum. Épicos como War Pigs, Iron Man e Paranoid eram tão cativantes quanto pesados. Além de contar com a faixa Planet Caravan que só ela daria uma ótima história a ser contada. Essa faixa é uma psicodelia infundida de blues, aumentada por uma pitada de música latina, graças a uma aplicação sutil de um tambor de conga. 

Em um momento você está flutuando pela felicidade musical, no segundo seguinte está lutando com uma fera diabólica sem precedentes. Metalheads, fãs de grunge e roqueiros alternativos, agradecem por este álbum todo santo dia. Sem contar que surgiu uma nova era de jovens querendo ser guitarristas surgiu bem aqui.

9. Disraeli Gears – Cream (1967)

O final dos anos 60 foi uma época incrível e criativa para a música. A cena musical de Londres estava repleta de guitarristas influentes trocando sons, melodias e batidas. Nunca houve tanta pressa para evoluir e inovar. Jimmy Page ainda estava para formar o Led Zeppelin, mas ele, Eric Clapton e Jeff Beckfez já eram guitarristas consagrados da banda The Yardbirds. Os Beatles ainda estavam juntos e sua música estava se tornando cada vez mais estranha para um público sedento por músicas mais pesadas. 

O segundo disco do Cream foi um marco seminal para o rock do final dos anos 60. Antes de Disraeli Gears, eles já eram famosos pelo o som que produziam, algo mais na levada do blues improvisado. Clapton era bem feroz na forma de tocar usando também escalas de blues. Ginger Baker era o baterista da banda e até hoje poucos músicos conseguem tocar a sua performance ao vivo. E, Jack Bruce era o vocalista e baixista. Essa banda foi uma parada sonora única e Cream é um monólito não só para a história da música, mas toda a contracultura inglesa.

Cream não foi apenas um álbum com músicas longas para época, os caras basicamente criaram o hard rock psicodélico. Foi uma aposta ousada e, de certa forma, um paradoxo. Já que o rock psicodélico em sua essência é carregar quem está ouvindo lentamente para os novos reinos de consciência. O grupo encontrou um equilíbrio nunca ouvido até aquele momento, Rock criado de mentes cheias de ácidos, porém as músicas eram rápidas e nítidas.

8. Ramones – Ramones (1976)

Se você fez parte da onda original do rock dos anos 70, da cena hardcore underground dos anos 80 ou do renascimento do pop punk dos anos 90, Ramones será a base de tudo.

Os Ramones estavam tocando o seu som numa cena de Nova York junto com bandas como os Talking Heads. Mas ninguém estava tocando tão pesado rápido quanto esses caras. Quando finalmente conseguiram um contrato de gravação, eles criaram o álbum mais importante do gênero.

O baixo de Dee Dee Ramone, em particular, criou a identidade da banda. Quase não há espaço entre as notas que ele tocava. Algo presente e que poucas bandas conseguiram fazer até hoje. As partes de guitarra de Johnny eram exclusivamente compostas por downstrokes agressivos. Sua técnica era rítmica e não havia espaço para solos rápidos ou riffs intrincados. As letras de Joey estavam repletas de contos sombrios de Nova York que eles ouviam na infância como prostituição, violência punk, pobreza a fascismo.

Embora artistas britânicos como Sex Pistols e The Clash estivessem ativos durante esse período, eles ainda não tinham lançado nenhum álbum. Depois que o som dos Ramones chegou na Inglaterra e aos seus ouvidos, eles souberam o que queriam tocar.

7. Horses – Patti Smith (1975)

Embora sua música ainda hoje seja diferente de como os Ramones tocaram, Patti Smith era a personificação do punk. A mensagem da banda era que qualquer pessoa poderia questionar a autoridade, tentando mudar o status quo por meio de uma revolução da mente. Enquanto grupos como os Stooges ou os Ramones destruíram sua inibição com som pesado e direto, Smith fez isso com suas letras. Era a poesia definitiva pela guitarra e o rock sem medo.

A faixa de abertura curiosamente era um cover, originalmente escrito por Van Morrison. Mas Smith deu seu próprio toque nas coisas, incluindo vários de seus próprios versos. Com as linhas “Jesus morreu pelos pecados de alguém, mas não pelos meus” e “Meus pecados são meus” (tradução livre), ela declarou seu desgosto pelo Establishment. A noção de pecado original e doutrina religiosa foi rejeitada em favor de uma forma de autodeterminismo. Esta faixa, por si só, diz tudo o que você precisa saber sobre Smith, ela era seu próprio mestre de sua mente.

Este álbum está repleto de momentos de reflexão quase sombria, rebelião e paixão. Horses é um jogo de palavras que lembra Bob Dylan com atitudes proto-punk e uma feminilidade empoderada. Em um gênero dominado por homens, Smith provou que as mulheres tinham inteligência e ferocidade para rivalizar com qualquer pessoa.

6. Abbey Road – The Beatles (1969)

Em 1969, os Beatles estavam bem estabelecidos como a banda mais inovadora de sua geração.

Você pode explicar que os discos que precederam Abbey Road  são obras seminais? Pode. Rubber Soul fez um pop ousado. Sgt. Pepper’s deu origem ao álbum conceitual, além do nascimento que o rock poderia também ser artístico e progressivo. O White Album é o White Álbum, né? Parecia que não havia fim na capacidade do quarteto em inovar musicalmente.

Abbey Road continua sendo uma virada da maré, não apenas na carreira da banda, mas no mundo do rock. O consenso geral era que este era um disco cheio de donos (Yoko Ono mandou aquele abraço) e uma sensação geral de desconforto entre os integrantes da banda. Mas essa não é a impressão que você tem ao ouvir as músicas do álbum. É muito mais coeso do que o White Album e parece muito mais contemporâneo do que Sgt.Pepper´s.

Tentar apreciar os sons deste disco sem as lentes dos anos 60 é quase impossível. Mas faixas como Come Together e Carry That Weight podem ser lançadas hoje e ainda parecem relevantes.

5. Highway 61 Revisited – Bob Dylan (1965)

Bob Dylan não mudou apenas o que era o rock, ele mudou o que a música poderia ser. Os artistas não se sentiriam mais confinados ao gênero que os tornou populares. Este disco influenciou a todos, de Jimi Hendrix aos Beatles.

Bob Dylan é um fã, talvez o maior de todos, da lenda folk music americana Woody Guthrie e isso o influenciou musicalmente para sempre, Dylan é famoso por tocar músicas com insights de questões contemporâneas, da tensão racial à guerra e pobreza. Ele se envolveu até em protesto, então achou que o folk music ficou pequeno para suas divagações poéticas..

Sua resposta para isso, foi ser menos político e abordar o tema com letras com muitas mais nuances. Mas a maior mudança no tom veio da mudança no próprio som. Dylan optou por trazer vários músicos de blues e rock n’ roll para recriar sua música.

Highway 61 Revisited foi uma mudança importante de direção, tanto para Dylan, mas também para a música moderna. Sem este álbum, tanto o Revolver dos Beatles quanto o Rubber Soul teriam soado muito diferentes. Bob Dylan criou o pós-punk, arto rock e o folk-rock. O cara é uma Lenda.

4. Nevermind – Nirvana (1991)

Há quase 30 anos, uma banda underground pouco conhecida de Seattle, Washington, mudou o mundo rock para sempre. Depois do grunge, o glam metal ficou embaraçoso até de ouvir. A música grunge era a nova tendência, e com ela veio a rejeição do comercialismo e o reconhecimento da emoção real.

Era o som da honestidade rebelde. Se você gosta do grunge é porque esta com dor ou chateado, ou está cansado de fingir o contrário. A estréia do Nirvana, Bleach (1988), foi um disco de sucesso misturando metal e punk rock. Nevermind (1990) era ainda mais poderoso, misturando muito mais melodia em todas as texturas poderosas de distorção.

Nos 30 anos desde o seu lançamento, não houve um álbum que representasse tal mudança no tom musical. Em meados dos anos 90, o Oasis e o Blur ajudaram a reacender o amor pelo indie dos anos 80, mas eram sons que já tínhamos ouvido antes. Os anos 2000 foram apenas uma continuação dessa tendência, o grunge foi o último gênero de rock verdadeiramente único e Nevermind foi seu farol flamejante.

3. Unknown Pleasures – Joy Division (1979)

Em 1979, o punk rock não estava, digamos, bem das pernas. Seus maiores proponentes se separaram ou se desviaram para novos gêneros. Os últimos vestígios do movimento recuaram para o underground, para lentamente se transformar no que chama-se hoje hardcore-punk.

Mas nos últimos anos de sua popularidade no mainstream, vários novos grupos foram informados pela abordagem DIY do punk – Do It Yourself  “Faça Você Mesmo” – e pela energia musical do gênero. Esses grupos  buscavam novas linhas de guitarras mais sujas e cheias de anarquia, mas o pós-punk nasceu e com ele veio uma série de novos sons alternativos.

Formado em Manchester, Joy Division passou a representar o sentimento de desesperança que tomou conta da Grã-Bretanha no final dos anos 70. O inverno do descontentamento em 78, viu o país perto do ponto de ruptura social econômica sem precedentes. O caos econômico foi agravado quando a Dama de Ferro  assumiu o cargo, aprofundando as lutas da classe trabalhadora.

Unknown Pleasures representou este momento sombrio. É triste e assustadoramente ameaçador, mas fala com uma determinação desafiadora em face da total desesperança. Após a morte do vocalista Ian Curtis, os membros restantes da banda formaram o New Order. Eles usaram as bases deixadas pelo Joy Division e seguiram o curso do rock e da dance music.

2. Revolver – The Beatles (1966)

Foi quando os Beatles começaram a fazer a transição de um mero grupo pop para uma força verdadeira da natureza artística. Os álbuns anteriores demonstraram a criatividade da banda, elevando-os acima de seus contemporâneos pop. Apenas dois anos após sua estréia, os Beatles tinham seis álbuns muito populares e de enorme sucesso em seu currículo, o que lhes deu a liberdade de tentar algo novo.

Revolver transformou de vez os Beatles numa banda de estúdio, passando centenas de horas gravando e testando novos sons. George Harrison emergiu como uma força mais proeminente, assumindo a liderança em duas faixas. Taxman foi uma crítica divertida sobre a política inglesa. Love You To, viu George Harrison incorporar estilos indianos clássicos. As letras foram em parte influenciadas pelas experiências de Harrison com LCD e filosofia oriental – influências que só se tornaram mais aparentes com os discos subsequentes.

Duas das maiores músicas de Lennon exploraram temas contraculturais, examinando os reinos das consciências com faixas como I’m Only Sleeping e Tomorrow Never Knows. Claro que McCartney estava em sua melhor fase criativa; notavelmente influenciando o aumento da popularidade do pop barroco, com a belamente trágica Eleanor Rigby.

1. Electric Ladyland – The Jimi Hendrix Experience (1968)

O terceiro e último álbum de Jimi Hendrix foi o mais ousado. Sua estréia, Are You Experienced, começou tudo sacudindo as próprias fundações do rock. Suas primeiras performances destronou Eric Clapton do primeiro lugar e inspirou Jack Bruce a escrever Sunshine Of Your Love.

Embora tenha influenciado seus contemporâneos, Electric Ladyland foi sua obra mais completa. Crosstown Traffic pegou tudo o que o Cream fez em três álbuns e condensou em uma faixa de dois minutos e meio. Você também tem  Voodoo Child (já ouviram essa faixa de fones de ouvido?). E, claro, a maior capa de todos os tempos: All Along The Watch Tower.

Hendrix capturou algo que Bob Dylan estava apenas insinuando com essa música. A versão de Dylan é uma maravilha estruturada musicalmente, bizarra; imagens ambíguas mas profundas e melodia emotiva. Quando Hendrix tocou a música, ele derramou seu brilho encharcado de ácido em cada intervalo, enriquecendo-o com uma psicodelia comovente e brilhante.

Hendrix era a expressão artística manifestada. Sua habilidade musical e aptidão para a melodia criativa só foi igualada por sua integração comovente com o violão. A guitarra era uma extensão de Hendrix, e só ele conseguia se emocionar de forma tão poderosa e eficaz através do instrumento. Sua guitarra neste álbum criou todos os gêneros do rock.

 

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PikachuSama
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