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Em Seu Novo Trabalho, Caio Oliveira Revela Facetas De Um Artista Em Formação

Observar a evolução de um autor de quadrinhos é sempre interessante. Mudança de temas, técnicas ou abordagens narrativas; diversas são as transformações e curiosidades que podemos encontrar em trabalhos que se propõem como um mosaico do artista quando jovem.

Caio Oliveira, a gema dourada de Piripiri, conquistou fama e fortuna com suas tiras no perfil do Instagram Cantinho do Caio, sendo reconhecido por sacadas improváveis do mundo de super-heróis, explorando em poucos quadros e com roteiro afiado o ridículo de Batman, Superman e outros tantos que salvam o dia em seus colantes.

Mas Caio também alimenta uma produção autoral de grande valor, como atesta a coletânea “Curtinhas do Caio“, recentemente financiada no Catarse, que reúne breves contos quadrinhísticos produzidos nos últimos 20 anos. São historietas lançadas em revistas, projetos inacabados e “experiências” em que o gênio se propôs a trabalhar temas de interesse juvenil, como vampiros, sentimentalismo emo e RPG.

Os jogos de tabuleiro inspiram um bom espaço na publicação, provando ser um gosto pessoal do autor explorado sob diferentes perspectivas. A verve humorística pela qual Caio é reconhecido está presente, ainda que de modo incipiente mas eficaz, sendo “Velha Guilda” o melhor trabalho dessa safra.

Mesmo a vergonha alheia “Herança Sangrenta” tem seu valor, ao revelar o esforço de Caio em trabalhar a mitologia das criaturas sanguessugas. Mas o tesouro mesmo ficou guardado para o final: “Sobre a ponte” e “Jaqueteiros” são histórias que mostram uma maturidade precoce.

Esta última, por sinal, é um vislumbre de algo que implora uma atenção maior: uma realidade em que super-heróis perambulam por Teresina e agem como um versão amadora dos Vingadores no bairro Saci, por exemplo. Ela tem cor e sabor únicos, locais, que chamam atenção do leitor, curioso pela próxima aventura do nosso querido Barrão.

As tirinhas que concluem o volume, de um período mais recente, registram Caio com sua inventividade mais apurada, adaptando clássicos de Chico Buarque, Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana em quadrinhos, com um toque todo seu. É mais uma prova que a caixinha de ideias de Caio Oliveira é inesgotável, nos deixando ansiosos pela próxima empreitada.

 

Rafael Machado
Parnaibano, leitor inveterado, mad fer it, bonelliano, cinéfilo amador. Contato: rafaelmachado@quintacapa.com.br