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Crítica | Frozen 2: É o filme mais bonito da Disney que ficou fora do Oscar

Bonito, musical e com alma, 'Frozen 2' é a rara sequência que supera seu antecessor com coerência e uma história poderosa sobre igualdade e humanidade.
Frozen 2
Disney (Divulgação)

Bonito, musical e com alma, ‘Frozen 2’ é a rara sequência que supera seu antecessor com coerência e uma história poderosa sobre igualdade e humanidade.

Cinco anos depois de congelar todas as crianças do nosso planeta, Frozen está de volta. As crianças que torturaram os pais para “Let it Go” em loop agora estão no ensino médio. É a geração que passa o dia assistindo TikTok, não a Elsa. Mas Frozen 2 sabe disso. Sabe que seu público cresceu. Sabe que o mundo mudou.

Frozen 2 foi lançado nos cinemas americanos e grande parte do mundo, ainda em novembro passado, demorou um pouco, mas finalmente chegou nas salas brasileiras. É um espetáculo de luzes cintilantes, com estrondo emocionalmente de musicais dignos da Broadway. Mas no centro disso tudo, é um filme que conta uma história sobre o medo da mudança e a desconfortável coragem necessária para aceitá-la.

Esta é uma rara sequência que leva a sério a evolução, contudo, Frozen 2 procura entender sua própria identidade. Frozen (2013) era uma parábola esquisita sobre como se esconder do mundo, já Frozen 2 é um confronto das infraestruturas sistêmicas que definem invisivelmente a compreensão da pessoa.

Frozen 2 é um musical sobre família e sobre os males do colonialismo, sobre como isso causa dor por causa das mentiras que cria para se justificar. É sobre como as novas gerações, sem culpa alguma, se beneficiam dos privilégios da ignorância e da história caiada de branco. Frozen 2 aborda todos esses temas pesados e muito mais, com todos os bonecos de neve cantando, animais fofos e expressões bregas de amor que os fãs esperam.

Dirigido por Chris Buck e Jennifer Lee eescrito por Lee e Allison Schroeder (Estrelas Além do Tempo), coom músicas de Kristen Anderson e Robert Lopez, Frozen 2 começa logo após o final do primeiro filme. Elsa (Idina Menzel versão original, Brasil é dublada pela Taryn Szpilman) se estabeleceu como rainha de Arendell, mas, no fundo, ela sente que algo está errado.

Às vezes, Elsa ouve uma voz, uma melodia fantasmagórica cantando para ela. Quando os antigos espíritos de fogo, água, terra e ar despertam, os espíritos amaldiçoam o Reino de Arendell, tornando o reino inóspito. Na esperança de restaurar Arendell, Elsa viaja para uma lendária floresta que seu falecido pai jurou ser real. Assim começa outra aventura com Anna (Kristen Bell, Érika Menezes no Brasil), Kristoff (Jonathan Groff, Raphel Rossato no Brasil), Sven e Olaf (Josh Gad, Fabio Porchat no Brasil).

Há cantos, danças, espíritos mágicos com personalidades peculiares e animais fofos. Em sua superfície elegante, o Frozen 2 é tão congelado quanto o original. A música tema tocará em sua cabeça por semanas, suas vastas paisagens outonais rivalizam com Elder Scrolls e são alguns dos visuais mais impressionantes já exibidos no cinema, e o filme tem todos as pontuais e divertidos momentos que lhe conferem personalidade.

Frozen ganhou um bilhão, Frozen 2 está chegando em um bilhão e meio. As crianças que não estão prontas para entender as ideias nas entrelinhas do filme, ainda se divertem mesmo assim. É um filme para todas as idades. Mas para crianças adolescentes, Frozen 2 é um filme pesado. Arendelle foi criado dentro do universo da Disney sem vida, apenas mais um reino igual aos outros. Frozen 2 muda isso. Como todos os reinos nascem da subjugação de uma população, Frozen 2 está entre o primeiro, ou, pelo menos, o mais proeminente filme da Disney da memória recente, a explorar o colonialismo como parte dos assuntos externos de um reino.

Frozen 2
Disney (Reprodução/Divugação)

Frozen 2: Os personagens deixam sua cidade natal, conhecem diversas pessoas novas e descobrem uma dura verdade sobre o mundo – mesmo este ainda sendo um filme sobre duas mulheres brancas de pele muito clara, num ambiente com muita influência branca. Levando em consideração que é uma das camadas do enredo do filme, um dos diversos contrapontos que estão na cerne do filme. Por exemplo, os vizinhos de Arendelle têm pele mais escura, cabelos pretos e um estilo de vida muito parecido com nativos da América do norte.

E isso que faz Frozen 2 um bom filme. Ele cria várias emoções do que o primeiro filme. Ainda é muito sobre a irmandade de Elsa e Anna, que é posta à prova aqui – outro sinal de crescimento significativo desde que Anna pediu a Elsa para construir um boneco de neve. No filme Olaf é uma segredo bonito de assistir, nossa, como cresceu o personagem no segundo filme e tem uma das cenas mais bonitas. Tem uma coisa sobre crescimento que os filhos de vocês compreenderão e que será importante para eles. Um bom contrapeso é Kristoff, cujo arco é uma distração histérica dos lugares sombrios que os outros personagens vão.

Por fim, com músicas lindas e cativantes, emocional, Frozen 2 é a rara sequência em um mundo de sequências e spin-offs que eleva seu antecessor enquanto avança a si mesma e da animação. Tudo tão vasto quando as paisagens de Final Fantasy, profundo, com lições suficientes para eternizar esta obra. Depois de todos esses anos, Frozen ainda aquece o coração.

Em tempo, Frozen 2 apesar de tudo, ganhou apenas uma nomeação no Oscar: Para melhor canção. Entraria fácil também na fila das melhores animações.

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PikachuSama
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