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LGBTQIAPN+ | 10 rpgs com conteúdo voltados à diversidade

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O mês do orgulho LGBTQIAPN+ pode ter passado, mas pra nós todo dia é dia de orgulho! E no RPG não é exceção: existem muitos RPGs que tem a temática como seu centro.  Embora haja grande interesse dos grandes da indústria para promover inclusão e diversidade racial, sexual e de gênero, é nos indies que a coisa realmente acontece!

Dito isto, trazemos aqui a nossa lista indicando 10 RPGs de mesa com conteúdo LGBTQIAPN+. Muitos destes títulos não se encontram no Brasil, mas não são difíceis de se conseguir. 

Vale lembrar que você não precisa necessariamente estar dentro do espectro LGBTQIAPN+ para jogá-los. Então joguem e se joguem! 

 

Monsterhearts 2

Monsterhearts 2 by Avery Alder — Kickstarter

Monsterhearts 2  fala sobre as vidas complicadas de adolescentes que são secretamente monstros; ele explora o terror e a confusão de ter um corpo que está mudando sem sua permissão. A monstruosidade desses personagens é literal: eles são vampiros, lobisomens, bruxas e muito mais. Mas sua monstruosidade é também alegórica, em representando experiências de alienação, vergonha, queerness e auto-destruição

Esta introdução(que traduzi livremente do original) já dá uma idéia do que os jogadores, munidos de seus personagens, vão lidar. Monsterhearts 2 é um jogo Powered By The Apocalypse (PBtA), criado por Avery Alder,  que mistura o drama adolescente com as emoções sombrias de arquétipos monstruosos. Esta mistura gera possibilidades dramáticas imensas. , além de conteúdos que exigem uma conversa muito cuidadosa, para estabelecer limites.

As mecânicas de Monsterhearts governam vários aspectos do jogo. Os diferentes arquétipos tem seus próprios moves(testes engatihados por siituações que podem trazer resultados interessantes). Cada arquétipo também tem um move relacionado à sexo. É importante ressaltar que, vendo que os personagens são jovens, o sexo e a intimidade é uma parte crucial de suas vidas. Portanto, parte das mecânicas.

Mas o que faz de Monsterhearts 2 algo digno de estar nesta lista é o fato de nunca procurar presumir que os personagens são heterossexuais. As mecânicas que envolvem sexualidade podem fazer com que um personagem descubra uma atração que  eles não esperavam(já que não escolhemos o que realmente nos atrai). Isso gera situações interessantes a serem exploradas. 

E sim, o espectro ace não foi esquecido. O livro oferece sugestões de como mecânicas voltadas para o aspecto sexual, possam ser modificadas para afetar de forma diferente personagens deste espectro.

O livro conta com uma grande seção sobre conteúdo queer e diversidade racial(até conta com autores convidados). O capítulo sobre segurança é uma grande aula, o que representa os esforços da autora em criar um jogo intenso, emocionante e seguro.

O pdf do livro pode ser adquirido neste site, que inclusive negocia em moeda brasileira também. Embora tenha havido financiamento coletivo para publica-lo no Brasil em 2019, o livro nunca foi de fato lançado.

The Watch

The Watch - Peach Pants Press | DriveThruRPG.com

Criado por Ash Kreider, The Watch é mais um PBtA e  acontece num cenário de fantasia, onde um inimigo chamado A Sombra corrompe e distorce os homens e fazem com que voltem-se uns contra os outros. Esta grande influência, no entanto, é resistida por mulheres. A guarda do título é uma força feminina capaz de resistir à influência da Sombra e capaz de combatê-la.

“Uau, é bem diferente mas… onde está a temática LGBTQIAPN+ nisso?”, você pode se perguntar. Bem, aí que tá o pulo do gato: personagens que se identifiquem como femininas também conseguem resistir à influência da Sombra, assim como pessoas que não se identifiquem em algum gênero binário. Este “twist” adiciona muita coisa à narrativa, oferecendo grandes possibilidades de jogadores poderem se expressar e contar uma grande história.

Embora o enredo traga a possibilidade de combates e situações tensas, são nos relacionamentos entre os jogadores que o jogo mostra a que veio. Levando em conta a situação horrível que vivem ao combater esse mal, as personagens podem desabafar umas com as outras, desopilar e com isso aumentar a camaradagem entre elas, fortalecendo laços e tornando-as aptas a lidar com os horrores que enfrentam. Esse ponto torna este algo à parte dos jogos usuais de fantasia, dando aos jogadores uma experiência bem única.

O pdf deste jogo pode ser adquirido através do site DrivethruRPG. Não há previsão de lançamento no Brasil.

 

Thirsty Sword Lesbians

Thirsty Sword Lesbians

O sistema PBtA possibilita a interação de muitos tipos de histórias. Este jogo, lançado a pouco tempo no exterior, propõe um jogo capa e espada onde as protagonistas lutam contra as forças da injustiça e opressão, seja duelando com espadas ou flertando.

Criado por April Kit Walsh, Thirsty Sword Lesbians não só oferece um jogo empoderador e capaz de trazer uma narrativa queer divertida e emocionante, como também procura oferecer ferramentas para a criação de personagens trans e do espectro ace. E o glossário com termos LGBTQIAPN+ é a cereja do bolo, capaz de ajudar os jogadores não familiarizados com os termos a imergirem na proposta do jogo.

Com mecânicas minuciosas, arquétipos interessantes e muitas sugestões para diferentes cenários, Thirsty Sword Lesbians já conta com traduções em várias línguas, porém sem previsão de chegar ao Brasil. O pdf pode ser adquirido pelo DrivetrhuRPG e pelo site da Evil Hat.

 

Dungeon Bitches

An Interview with Some Dungeon Bitches – Madness Heart Press

Adivinha qual sistema este aqui usa??? Hehehehehehe esse mesmo! Versátil esse PBtA, né?

Criado por Emmy Allen, Mxtress Khan e Sarah Carapace e prestes a ser lançado(até o momento da elaboração deste texto, o pdf ainda estava em fases finais de conclusão), Dungeon Bitches propõe contar histórias de “lésbicas desastradas que se ferram em dungeons”. 

O jogo bota as Bitches(termo usado para definir as personagens jogadoras, pois simboliza sua insubmissão à sociedade heteronormativa) como um grupo de lésbicas sem lugar na sociedade e a exploração das dungeons é um modo de acharem um lugar seguro para si. É um jogo que explora temas fortes e consequências brutais; no entanto explora bastante(assim como Thirsty Sword Lesbians e The Watch) o relacionamento entre as Bitches.

O jogo também conta com várias ferramentas para a geração das Dungeons e a criação das cidades. Também discute sobre formas de transição(para personagens trans), a violência e os traumas dentro do jogo. Dungeon Bitches oferece uma experiência intensa de opressão e busca de lugares seguros, e requer também uma boa sessão zero.

Mais próximo de Monsterhearts, o sexo é um tema bem importante no jogo e envolve também mecânicas para quando acontece(os Sex Moves). Isso pode fortalecer ou prejudicar os laços entre as personagens.  Assim como Monsterhearts,  essas mecânicas podem ser modificadas, caso as personagens estejam no espectro ace(oque os transforma em Intimacy Moves). 

O jogo ainda está em vias de ser lançado e contará posteriormente com cenários criados por cada autora.

 

Glitter Hearts

Confraria de Arton: Glitter Hearts está chegando em financiamento coletivo

Eu vou pular a explicação do sistema(perceberam o padrão?) e falar logo sobre o que é: é um jogo que envolve super-heróis, mas inspirados nas garotas mágicas ao estilo Rayearth, Sailor Moon e pelo gênero super-sentai(ou Power Rangers, pros gaijin millenial aí). Mais do que combater o mal enquanto lida com os problemas cotidianos, Glitter Hearts procura incentivar o trabalho em equipe, o equilíbrio entre o mundano e o mágico e também que a violência não é o único caminho. 

Quanto ao conteúdo LGBTQIAPN+:

Ainda que garotas mágicas sejam o arquétipo mais comum nas séries animadas que serviram de inspiração para Glitter Hearts, ninguém está realmente preso a este consenso. Heroínes mágiques são um grupo diverso de pessoas: mulheres, homens, garotas, garotos, pessoas não-binárias e todos entre ou além destas categorias. Qualquer um pode ser ume heroíne, e qualquer ume pode ser escolhide para ganhar poderes mágicos e combater o mal. O único limite é sua imaginação

Glitter Hearts não é tão explícito em seu conteúdo inclusivo como os outros citados, mas o visual, o tema e as ferramentas gritam LGBTQIAPN+ !

O melhor de tudo? Já tá ganhando versão nacional em um bem sucedido financiamento coletivo pela Editora CHA! Confiram a campanha de financiamento coletivo!

 

Visigoths vs Mall Goths

Visigoths vs Mall Goths (game & weird 90s mall setting) by Lucian Kahn — Kickstarter

FINALMENTE um RPG que não usa o Apocalypse World Engine! Brincadeiras à parte, Visigoths vs Mall Goths se inspira em vários videogames(como Earhtbound, Dragon Age e The Sims) para criar uma atmosfera de simulador de encontros e comédia nonsense onde os saqueadores de Roma vem para um shopping do ano de 1996 e devem lidar com os góticos da época. 

Criado por Lucian Khan, esse conceito maluco objetiva criar conflitos e romances entre essas duas tão díspares facções. A introdução do livro já avisa: há muitos bissexuais. Case closed. É LGBTQIAPN+.

Os personagens do jogo contam com habilidades e também com informações sobre seus relacionamentos iniciais. Os conflitos são solucionados com a rolagem de 2d6 somados a um atributo relevante e a balança pende para quem tem o valor mais alto. Incrivelmente simples. 

O jogo obviamente não se resume a isso, mas o livro não é grande e supre todo o necessário para garantir sessões divertidas para os jogadores. Sem previsão para chegar ao Brasil, o livro pode ser adquirido através da página do autor no itch.io . Eu já mencionei que o jogo recebeu ENnie(premiação importante sobre RPG) de melhor escrita em 2020

 

Mutant Monster Machine Girls

MUTANT MONSTER MACHINE GIRLS: TWISTED EMBRYO EDITION by babblegumsam

Criado por Sammuel Mui(vulgo Babblegum Sam), Mutant Monster Machine Girls foi muito influenciado por filmes de vingança coreanos(como Old Boy) e filmes exploitation japoneses (Tokyo Gore Police). O jogo se passa em uma realidade ultra capitalista onde tudo foi privatizado. As garotas do título são um grupo queer de desajustadas que sofreram experimentos horríveis e agora querem vingança.

O jogo usa um sistema parecido com o PBtA, mas com algumas idéias do autor. O tipo de história aqui contada é o mesmo de suas influências: sessões lotadas de violência, horror e vingança, sem muito espaço para os tipos de história anteriormente mencionados.

Não é um jogo para qualquer um. Da forma como se encontra, Mutant Monster Machine Girls ainda é um projeto em desenvolvimento, que o autor ainda planeja expandir em um futuro próximo.  Ele pode ser adquirido como Pague O Quanto Quiser na página do autor no itch.io.

 

Our Travelling Home

Our Traveling Home by Ash Kreider by Ash Kreider — Kickstarter

Do mesmo criador de The Watch, Our Travelling Home é um jogo de fantasia inspirado nos animes dos estúdios Ghibli, sobre romance LGBTQIAPN+, sobre família encontrada e alcançar o alívio através do pertencimento a algo. 

Diferente dos jogos anteriores, Our Travelling Home é um jogo sem mestre, onde cada jogador assume um arquétipo e juntos procuram contar uma história. O sistema visa seguir um esquema de perguntas simples e evocativas para contar uma história em conjunto. 

Our Travelling Home já foi lançado agora em junho, mas apenas para quem participou de seu financiamento coletivo. Após a entrega do material físico, é bem provável que seja disponibilizado para o público.

Dream Askew

Dream Askew | RPG Item | RPGGeek

Criado também por Avery Alder, Dream Askew estabelece um ambiente pós-apocalíptico ao estilo Mad Max. Os personagens são um grupo queer que busca refúgio e solidariedade no meio do caos. 

Um jogo sem mestre e sem dados, ele foca na descrição colaborativa, nos relacionamentos, nos conflitos e nas escolhas dos jogadores para conduzir a história. Além do conteúdo LGBTQIAPN+, o livro também inclui temas de opressão, gangues e violência, cabendo ao grupo decidir no que focar e o que evitar para uma experiência positiva e segura. 

O jogo conta com um um playkit introdutório no site da editora(a mesma de Monsterhearts). O pdf oficial do jogo também inclui o jogo Dream Apart, que funciona da mesma forma mas com uma temática judaica.

 

Basic Witches

Enfeitiçar o patriarcado é a norma aqui. As personagens são bruxas modernas que enfrentam predadores sexuais e procuram manter as boas notas, com o poder de sua magia, sexualidade e feminismo. Em sua seção sobre como conduzir o jogo, a autora já avisa para manter o foco no conteúdo queer, tornando uma grande indicação para o público LGBTQIAPN+. 

Criado por Alicia Furness, Basic Witches usa uma variação do PBtA usando apenas 1d6, mas com escala de sucessos similar. Bem minimalista, é basicamente um panfleto de duas páginas, dando só o necessário para que o grupo bote sua imaginação pra funcionar com o material dado. 

Basic Witches pode ser adquirido no site itch.io . O jogo também conta com uma versão avançada.

 

Erico Campos
Formado em administração e radiologia, professor por vocação e geek de coração!