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Miguelanxo Prado E As Permanências Do Amor Que Finda Em “Tangências”

Tangência, ponto de contato entre duas linhas, ou no caso, de duas histórias, duas vidas, antes que se afastem outra vez. O espanhol Miguelanxo Prado apresenta em “Tangências” (Editora Conrad, 64 páginas, R$ 54,90) oito contos onde a ruptura do amor ou do desejo encontra seu termo, pondo os casais a refletirem sobre suas escolhas.

Como certos fins são inevitáveis, encontram os corpos um lampejo derradeiro de amor, uma expressão terminativa de desejo, antes que a história pregressa ou futura de cada envolvido volte a latejar como lembrança, derramando-se em palavras que justificam o que o coração já cala. Caminhos refeitos em busca da clareza que o sexo obscurece, pensamentos que afrouxam conforme a lucidez retoma. Lembranças que guiam o toque; certezas que forçam o adeus.

É assim com os amantes de conveniência, forjados pela vaidade que os afasta; com os enamorados que voltam ao lugar onde romperam 12 anos atrás; com o casal que parece recuperar o tempo perdido no presente, sob um novo status social; ou com o artista que projetava na amante uma solução de sua própria arte.

A individualidade que torna a vida desencantada, refletindo nos olhares sem brilho, que miram no horizonte a permanência do silêncio. Sem escândalos, dramas ou juras de uma eternidade a se resgatar. Apenas a vida seguindo, virando a página de vez. E, quem sabe assim, descobrindo o que se preserva além.

A bela edição da editora Conrad, em capa dura, formato maior e papel couchê de boa gramatura, traz, como extras, uma entrevista com o autor realizada por Sidney Gusman e uma biografia de Prado.

Rafael Machado
Parnaibano, leitor inveterado, mad fer it, bonelliano, cinéfilo amador. Contato: rafaelmachado@quintacapa.com.br