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Por que super-heróis brasileiros não são mais sucesso?

Autores de quadrinhos e super-heróis nacionais não gostaram da iniciativa da DC de criar uma Mulher Maravilha brasileira? O nosso público desmerece a produção local e aplaude iniciativas estrangeiras mesmo utilizando nosso folclore? É a síndrome do vira-latismo nerd? Descubra sobre no texto do colaborador Jean Sinclair.

Autores de quadrinhos e super-heróis nacionais não gostaram da iniciativa da DC de criar uma Mulher Maravilha brasileira? O nosso público desmerece a produção local e aplaude iniciativas estrangeiras mesmo utilizando nosso folclore? É a síndrome do vira-latismo nerd? Descubra sobre no texto do colaborador Jean Sinclair.

Nesses últimos dias, ao ver a notícia de que a DC Comics utilizará do folclore brasileiro como base para sua nova Mulher- Maravilha, percebi um movimento dentro do círculo de autores de super-heróis brasileiros.

““”” O Meteoro é um dos super-heróis brasileiros mais populares, foi criado por Roberto Guedes.

Durante os anos 1960 até 1990, os super heróis brasileiros tinham um grande espaço nas bancas e dentro das editoras nacionais. Esse espaço foi gradativamente diminuindo nos últimos 25 anos e hoje, há uma produção constante desse tipo de material, mas que encontra-se dentro de bolhas e guetos que não conseguem mais atingir o grande público.
Ao meu ver, há diversas razões pra essa falta de sucesso:
– O fato do grande público ser preguiçoso mesmo;
– A grande mídia de cultura pop e as grandes editoras apenas entregarem o fast-food pra galera;
– Há o bairrismo e misantropia que muitos autores nacionais pregam e se orgulham por isso.
– Dentro desse gueto dos autores e obras de super-heróis brasileiro, é notório o teor reacionário ufanista que está impregnado nas obras e pior ainda, o teor bolsonarista/monarquista que os autores possuem e que impregnou de maneira nojenta esses trabalhos, e que me fez largar e parar de apoiar muitos projetos;
Dentro desses pontos que citei, existem as exceções. Há autores que estão batalhando diariamente, tanto nas redes sociais, como em diversos outros canais de divulgação, apresentando o seu material e utilizando muito bem as plataformas de suporte ao artista, como Catarse, e que entenderam muito bem que a missão do artista é ir ao público, é oferecer o seu trabalho e seu projeto para apreciação do maior número de pessoas possíveis, e só com esse trabalho diário e constante é possível furar a bolha e sair do Gueto que hoje se encontram a grande maioria dos quadrinhos de super-heróis brasileiros.
A grande mídia também precisa dar mais espaço. Ter jornalistas e resenhistas que tragam esses materiais pra divulgação também se faz necessário,separando o material que tem qualidade do que ainda precisa melhorar e do que é apenas lixo puro. Essa mesma postura também pode e deve ser adotada pelas editoras.
Eu entendo bem que cada artista escolhe a forma de produzir e divulgar o seu trabalho. Hoje vemos o grande público abraçando os super-heróis, graças aos filmes e diversas mídias onde esses personagens estão.
Há um vasto mercado a ser explorado e o que eu posso dizer, é que o artista é quem escolhe onde quer ficar. Ele decide lutar para conseguir o seu lugar ao sol ou ele apenas se recolhe ao seu cantinho e não fica de choramingos pela internet quando vê o sucesso dos outros.
Então, qual o caminho que você vai escolher?

Este texto é uma contribuição de Jean Sinclair.

Bernardo Aurélio
Sou desenhista, criador do Máscara de Ferro e autor do quadrinhos Foices & Facões. Sou formado em história e gerente da livraria Quinta Capa Quadrinhos