Segunda, 09 De Julho De 2018

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Catarse: t√° f√°cil fazer gibi?

√Č impress√£o minha ou t√° ficando cada vez mais dif√≠cil aprovar projetos de quadrinhos no Catarse?

Resolvi escrever isso ap√≥s meu irm√£o me avisar que o projeto Clean Break, do quadrinista Felipe Nunes, neste momento, est√° com apenas 68% da sua meta de R$15mil e faltam apenas 8 dias. √Č claro que na √ļltima semana o projeto deve dar uma bombada e √© bem poss√≠vel que o autor junte os R$4775 que faltam, mas √© de fazer pensar, ent√£o fui atr√°s dos √ļltimos projetos aprovados no Catarse na categoria que mais nos importa.

Dos 8 projetos que est√£o na reta final, apenas 2 conseguiram passar sua meta: Elo, de Rodrigo Freitas (com 121%, faltando 9 dias) e Carrapato 2, de Tony Brand√£o (com 113%, faltando 3 dias). Entre os 6 que faltam, est√£o o Clean Break (j√° citado aqui), al√©m de O Triunfo de Joana D’Arc (35%, 6 dias) e Horrores Mortais (74%, 1 dia).

Muitos motivos levam algu√©m a apoiar ou n√£o um projeto. √Č preciso muito cuidado para se elaborar uma campanha, desde o momento certo para lan√ß√°-la, o prazo correto, um pre√ßo justo, qualidade gr√°fica, pontualidade ou rapidez para enviar o produto, transpar√™ncia para negociar com os apoiadores e, claro, se seu gibi √© bom ou n√£o. Tudo isso √© envolvido ainda por uma boa apresenta√ß√£o do material: um bom v√≠deo, uma boa mostra do que ser√° produzido e tudo mais.

Ainda tem um detalhe crucial: quem é o autor do projeto.

Resolvi escrever esse texto porque minha √ļltima campanha (Foices e Fac√Ķes, atingiu R$12.516 ou 113% do que precisava, com 161 apoiadores) foi muito suada e eu tive que contribuir com R$3mil pra fechar a conta. Ou seja, o projeto era meu e do meu irm√£o, que tem a p√°gina Cantinho do Caio, com mais de 55mil curtidas e tivemos apenas 161 apoios (159, se a gente considerar que eu e minha mulher apoiamos e n√£o seria justo incluir nessa conta).

Estou colocando estes n√ļmeros apenas para dizer que algu√©m como meu irm√£o, que tem um bom p√ļblico que o segue diariamente em sua p√°gina, n√£o conseguiu converter 0,3% desse p√ļblico em mercado consumidor. E olha que n√≥s tentamos muita coisa: metas estendidas com impress√£o de gibi mais popular que o nosso Foices e Fac√Ķes (uma colet√Ęnea das tirinhas dos Cavaleiros do Zod√≠aco que ele fez), desenhos originais e v√°rios pacotes com outros quadrinhos que j√° hav√≠amos lan√ßado antes, como brindes.

E, voltando ao Felipe Nunes, que apesar da idade, n√£o √© mais nenhum menino! O cara tem trabalhos publicados nacionalmente pela Panini (A Floresta Encantada, Dod√ī) al√©m de ter ganho HQ Mix por outros t√≠tulos, como Klaus. Se n√£o conhecem o rapaz, vejam esse programa do canal Pipoca e Nanquim com uma entrevista com ele. Al√©m de ser muito bom, ter v√°rios trabalhos significativos publicados por grandes editoras, ainda apresentou um projeto bem bacanudo que √© esse Clean Break! N√£o √© justo, a essas alturas, seu gibi n√£o ter passado ainda dos 125%, no m√≠nimo.

Se você abrir a aba de projetos finalizados no Catarse (e isso não quer dizer financiados), encontrará 732 projetos. O que arrecadou maior volume de recursos foi Um sábado Qualquer, de Carlos Ruas, com R$284.891 e 569% alcançado na meta. Na verdade, Carlos Ruas é um acontecimento no Catarse, ele tem um projeto recorrente com 201 assinantes que lhe fornece uma renda de R$5.313,00 mensais, então, se tiver fácil para alguém no catarse, é para ele. Para terem uma ideia, o segundo melhor projeto arrecadou R$78.911, um valor R$205.980,00 a menos que o quadrinho do Carlos Ruas.

Infelizmente, o Catarse não oferece uma tabela de projetos apoiados por porcentagem. Seria muito interessante avaliar quais os autores que tiveram seus projetos financiados em torno de 100 e 120% para analisarmos quem são esses nomes que tiveram dificuldade para atingir um valor necessário com certa folga, porque essa diferença é quase sempre necessária para certos imprevistos ou reajustes na gráfica ou correios. Mesmo sem existir essa tabela, consegui pesquisar alguns desses nomes nessa margem :entre 100 e 120% .

S√£o eles: Cadu Sim√Ķes, Lady Comics, Gabriel Jardim (matrioska), Marcio Gotland (Greg O Contador de Hist√≥rias), Luciano Salles, Paulo Ramos, Caio Oliveira (meu irm√£o), Rafael Coutinho, Lila Cruz, Thiago Dornelas, Jos√© Aguiar, Gidalti Oliveira Moura Jr (Castanha do par√°), Gus Morais, Felipe Folgosi, Bernardo Aur√©lio (eu), Milena Azevedo, Toppi (Sharaz-De), Gabriel Arrais (NecroMorfus) e Jo√£o Azeitona.

Esses s√£o alguns que eu reconheci, mas h√° v√°rios outros. Nesta lista existe artista internacional, ganhador de pr√™mio Jabuti e autores de grandes experi√™ncia e v√°rias participa√ß√Ķes em festivais, mesmo assim eles realizaram seus projetos com a cordinha bem pr√≥ximo ao pesco√ßo.

Encontrei apenas 2 projetos na casa dos 90% financiados na forma Flex, onde o autor se compromete a realizar o projeto mesmo n√£o atingindo os 100%. Um do Ricardo Kuica (Nada Complicado, com 91%) e outro de Jayson Santos (Makai Mail, com 95%). Entre os quase 700 projetos onde procurei, nenhum na categoria “Ou tudo ou nada” (onde ou o autor consegue os 100% ou devolve toda a grana) foi abandonado na casa dos 80% e 90%. Isso quer dizer que: 1) ou seus projetos ficaram abaixo de 79% e n√£o acharam que valesse √† pena completar o recurso para garantir o valor j√° arrecadado ou 2) o autor do projeto ficou beirando os 100% e completou o recurso (que foi meu caso em Foices e Fac√Ķes).

 

Costumo sempre olhar as coisas com otimismo e tenho medo de tomar meus casos como regra, mas tamb√©m gosto muito de fazer essas compara√ß√Ķes. O que voc√™ acha? O catarse ainda √© um caminho v√°lido ou √© apenas uma impress√£o errada a minha de que as coisas parecem mais dif√≠ceis?

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