Sexta, 07 De Dezembro De 2018

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D&Dezembro| Como começar a jogar RPG

O RPG de mesa pode ser um ambiente intimidador para iniciantes que não possuem os amigos e contatos certos, mas você acabou de encontrar o link certo.

Normalmente os RPGistas de hoje são divididos em dois tipos: Os matusaléns que viveram a febre do jogo no Brasil que envelheceram mas jogam vez ou outra para matar a saudade; e os mais jovens que ou foram introduzidos no meio por um matusa ou que ouviram um podcast de alguma forma. De qualquer maneira, uma coisa é clara: A juventude que joga RPG hoje em dia dificilmente aprendeu simplesmente pegando um livro pra ler.

Porque dificilmente h√° um livro que realmente ensine a jogar.¬†Quando se convive no meio, voc√™ acaba absorvendo algumas v√°rias informa√ß√Ķes, mas caso algu√©m (provavelmente voc√™ leitor) esteja fora do meio e deseje jogar, dificilmente um livro ser√° escrito de maneira satisfat√≥ria. Para isso, n√£o temei, aspirantes a exploradores, pois eu e a equipe do Quinta Capa estamos aqui para que voc√™ n√£o dependa de ningu√©m!

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Primeiro passo: Tenha amigos!

Olha, eu sei que isso pode ser uma quebra de expectativa, mas vamos encarar os fatos: Ninguém joga RPG de mesa sozinho. Você precisa de amigos que tenham o mesmo interesse que você em jogar RPG de mesa, ou no mínimo no mesmo tipo de literatura que você deseja emular no seu jogo. Quer uma Fantasia de Espada e Feitiçaria? Pegue aqueles seus amigos estranhos que gostam de Senhor dos Anéis ou Guerra dos Tronos. Quer fazer um RPG de terror existencial como O Chamado de Cthulhu? Tente chamar alguns fãs de terror que você conhece e explicar como o mundo de Lovecraft funcionava.

Voc√™ tendo amigos interessados, acredite, voc√™ tem meio caminho andado. E mesmo que voc√™ n√£o tenha amigos, qual √©, vivemos num mundo de rela√ß√Ķes l√≠quidas, voc√™ consegue arranjar um em um grupo no Facebook f√°cil, f√°cil.

E de que servem os amigos, voc√™ deve estar se perguntando!¬† Bom, quando se joga RPG, existem dois tipos de lugar em que se pode estar: voc√™ pode ser um personagem ou um mestre. O dever dos personagens √© criar um tipo de persona (que ter√° suas habilidades quantificadas atrav√©s da ficha) que ele usar√° e interpretar√° enquanto estiver jogando. Interpretar n√£o quer dizer atuar! Embora jogadores veteranos gostem de criar vozes e trejeitos pros personagens, ningu√©m √© obrigado a isso em suas primeiras sess√Ķes. O outro lugar da mesa √© o Mestre. Basicamente, os personagens interagem com o mundo, mas… O que controla o mundo? Pois √©, √© isso que o mestre faz. Os jogadores declaram uma a√ß√£o e o mestre fala como o mundo reagiu a ela. Algumas vezes existe uma jogada de dados estranhas, mas isso falaremos mais tarde.

Embora pare√ßa tentador ser o protagonista de uma aventura √©pica acompanhado de seus amigos, lembre-se: O mundo que cerca eles tamb√©m √© t√£o interessante quanto eles! Eles v√£o querer explorar e conhecer as aventuras que voc√™ tem a mostrar, e isso te torna um protagonista tamb√©m. Estou partindo do pressuposto que voc√™ vai ser o mestre do seu grupo porque voc√™ tomou a dianteira em pesquisar sobre isso, ent√£o…

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Segundo passo: Equipe-se e conheça seu equipamento!

Como um jogador de RPG, você possui um equipamento peculiar que não é visto muito com pessoas não aventureiros: papeis estranhos, dados com formatos pouco usuais e livros que parecem tomos de conhecimento antigo e esquecido. E você vai precisar conhecer cada um deles.

Primeiro, os dados. Eles s√£o pouco usuais, mas voc√™ pode conseguir em lojas Geek (se a loja Geek mais perto de voc√™ n√£o pode pedir dados de RPG, ela n√£o √© t√£o legal assim), na internet, voc√™ pode tamb√©m baixar um aplicativo simulador de dados no celular¬†ou voc√™ pode adquiri-los na loja f√≠sica da Quinta Capa. Basicamente, cada jogo vai pedir que voc√™ role os dados de uma forma diferente dependendo da situa√ß√£o. Para isso, temos dados de 4, 6, 8, 10, 12 e 20 lados. Normalmente em livros de RPG a nomenclatura 1d20 quer dizer UM dado de VINTE lados. 2d6 quer dizer DOIS dados de SEIS lados. √Č uma forma mais r√°pida de falar como as coisas funcionam. Para ver o resultado de um dado de 4 lados (piramidal) voc√™ basicamente precisa ver qual o n√ļmero que caiu em p√© (no caso da imagem, o 4)

Diferentes sistemas usam diferentes tipos de rolagem. Em “O Chamado de Cthulhu” usa-se constantemente um dado de porcentagem ou 1d100. Claro, seria imposs√≠vel fazer um dado de 100 lados minimamente eficiente, ent√£o para isso, rola-se dois dados de 10 lados, um para as dezenas e outro para as unidades. Nem todos os livros usam todos os dados, ent√£o fique atento.

Segunda coisa, os livros. Cada livro √© escrito de uma forma diferente com regras diferentes, dependendo da proposta dele. Call of Cthulhu por exemplo √© um sistema que voc√™ pode morrer com um ou dois tiros, enquanto um D&D pode fazer com que um personagem sofra diversos danos sem maiores penalidades. Mais sobre estilos de jogo aqui. Livros normalmente s√£o bem caros, mas algumas editoras publicam suas regras abertamente em pdf, inclusive nacionais como a Redbox faz com o Old Dragon (que √© um sistema que parece com D&D) e a Jamb√ī faz com o Defensores de Tokyo (que tenta emular um jogo estilo anime). √Č bom que todos estejam a par de algumas das regras b√°sicas do jogo antes de pular direto na a√ß√£o.

Como mestre, voc√™ tamb√©m tem sua parte! Normalmente livros possuem uma sess√£o exclusiva para o mestre onde voc√™ √© ensinado como criar NPCs (Non Playable Characters), armas m√≠sticas e toda sorte de aventuras e armadilhas que seus personagens encontrar√£o! Normalmente h√° tamb√©m um besti√°rio, isto √©, um livro dos monstros que voc√™ pode usar. D&D normalmente tr√°s essas tr√™s coisas em livros separados, mas isso n√£o √© regra. Call of Cthulhu e Old Dragon, por exemplo, traz a parte do mestre e o besti√°rio tudo no mesmo livro. Pathfinder tr√°s a parte do mestre e do jogador no mesmo livro e o besti√°rio em outro. √Č bom que voc√™ esteja a par de como o livro funciona e como o sistema funciona, pois assim voc√™ conseguir√° criar desafios justos e aventuras interessantes.

E por √ļltimo: fichas. Todo RPG (ou uma esmagadora maioria) tem fichas de personagem. Isto serve para quantificar as habilidades de cada personagem e influenciar nas jogadas de dado. Por exemplo, em Old Dragon (onde a l√≥gica √© que voc√™ deve jogar para dar um n√ļmero baixo), se voc√™ tem 18 de for√ßa e quer mover uma pedra, voc√™ joga o d20 para dar um n√ļmero igual ou inferior a 18. Ou em D&D, onde a l√≥gica √© jogar o dado para dar um resultado alto, ent√£o voc√™ joga o d20 e soma com o modificador do atributo que voc√™ usou. De qualquer forma, quanto maior o n√ļmero no atributo, melhor voc√™ √© naquilo.

Novamente: todo jogo tem uma forma diferente de decidir os atributos e de como jogar os dados. Por isso faz-se necessário ler os livros e testar elas para ver se você entendeu bem.

Algumas pessoas jogam com miniaturas, alguns jogos tem regras para se jogar com miniaturas, mas no Brasil isso n√£o √© muito popular, ent√£o jogamos somente na imagina√ß√£o utilizando o chamado “teatro da mente”.

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Terceiro passo: Entendendo a proposta do jogo.

Certo. Agora você tem os amigos, você tem os livros e o equipamento. Você tem o dia, você tem a casa. Você está com a faca e o queijo na mão. O que resta? Bem, talvez existam alguns conceitos que você precise entender antes de iniciar suas aventuras:

A proposta de um RPG √© criar uma narrativa envolvente, onde os personagens consigam fazer o que bem entenderem desde que isso tenha alguma l√≥gica no universo em que se passa o jogo (“eu vou voar para longe” pode n√£o funcionar caso voc√™ n√£o tenha a magia “voar”). Ent√£o, caso os jogadores estejam querendo fazer algo que parece estranho, mas que n√£o quebra nenhuma lei da f√≠sica, eles provavelmente podem, e resta a voc√™, o mestre, saber e arbitrar qual regra usar. N√£o diga que o personagem n√£o pode “subir na √°rvore” porque n√£o existe a a√ß√£o “subir √°rvore”. Fa√ßa um teste de destreza, por exemplo. As regras de um livro de RPG s√£o regras gerais e que tentam englobar o m√°ximo de a√ß√Ķes poss√≠veis. As regras de um jogo s√£o meramente uma forma de quantificar como as coisas funcionam.

Talvez, a um olhar iniciante, possa ocorrer a impressão de que os jogadores estão contra o mestre ou vice versa. Na realidade, o mestre está provendo um desafio aos jogadores que desejaram explorar um mundo perigoso com seus personagens. Se o mestre quiser, ele pode matar cada um dos jogadores com um raio na cabeça, mas isso não seria divertido. O mestre arbitra e tem a palavra final, mas RPG não é um jogo competitivo, mas sim algo colaborativo onde todos devem ter a diversão do grupo como objetivo final.

Claro, somos humanos e eventualmente encontramos uma mesa problemática aqui ou ali, mas estas são (ou devem ser) a minoria das vezes. Jogar RPG é como qualquer outra atividade: ficamos melhores a medida que ficamos mais experientes.

Nem sempre um mestre precisa usar todas as regras do jogo também. Regras de dureza de materiais, resistência de portas, ou cavar buracos podem ser facilmente ignoradas em prol da narrativa divertida.

√öltimo passo: Entre na comunidade.

V√°rias coisas que eu disse aqui podem ter dado uma luz ou confundido ainda mais a cabe√ßa de um jogador inexperiente. Mas como j√° diria o ET Bilu: busquem sempre conhecimento. Entrem na comunidade de RPGistas para tirar d√ļvidas, pesquisem sobre os livros e podcasts de jogos. Busquem lojas geek da cidade de voc√™s para ver se eles sabem de algu√©m disposto a narrar para iniciantes (O que, na maioria das vezes √© divertido para o mestre, pois iniciantes tendem a declarar a√ß√Ķes sem ligar muito para as regras e fazer coisas criativas).

No fim, RPG é uma atividade social. Qualquer que seja o jogo que vocês pensem em jogar, procurem um grupo dele no Facebook, pois certamente será de grande ajuda.

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