Segunda, 21 De Janeiro De 2019

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Resenha | Beowulf (Santiago García & David Rubin)

“O ouro se gasta, a vida se esvai. Apenas a glória continua eterna.” Esse é o tom épico da excelente adaptação para os quadrinhos do clássico da literatura inglesa Beowulf. Uma narrativa focada em adaptar fielmente o material original, contando com uma arte detalhista e com quadros em vários níveis, mas com poucos diálogos, fazendo os acontecimentos falarem por si.

 

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Se engana aquele que pensa que Beowulf, dos espanhóis Santiago García e David Rubín, é uma leitura rápida devido ao pouco texto presente. Não. A leitura da adaptação da trama que firmou o  alicerce das narrativas heroicas, sendo considerada a mais importante obra da literatura inglesa,  é complexa, cheia de camadas visuais, mesmo em sua simplicidade. Tudo isso devido ao trabalho de García e Rubín em contar a progressão da história em várias níveis de leitura quando olhamos para a narrativa vista ali, fazendo com que a beleza dessa adaptação esteja no meio correto, os quadrinhos, que unem roteiro e desenhos para contar uma história.

E que história!

Não, a trama não foi mudada nos quadrinhos em comparação ao texto original. A história contada em 03 partes segue o herói Beowulf chegando ao reino do que hoje é a Dinamarca para auxiliar o rei Hrothgar, que teve seus domínios invadidos pelos monstro Grendel, fazendo com que seu lendário salão Heorot entre em declínio e seus homens sejam mortos. Diante de tal desafio, se faz necessário um herói. E esse é Beowulf, que enfrentará Grendel e sua mãe, além de um dragão em um futuro distante.

Para quem conhece o nome de Beowulf pelo filme lançado pela Paramont em 2007 pode notar grandes diferenças, mas isso se deve à obra cinematográfica ter alterado muitas situações. Já o quadrinho é fiel ao poema original, que foi escrito por um autor desconhecido, adotando a narrativa em 03 partes (O Monstro, A Mãe e Outro Monstro), onde acompanhamos o herói em sua jornada cheia de sangue e glória.

 

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Se o roteiro de García parece simples e a progressão também, com exceção de detalhes na terceira parte, onde encontramos um Beowulf já velho e rei, na qual o roteirista nos apresenta os fatos que o levaram a conseguir tamanha posição de nobreza, a complexidade da história esta em seus quadros e nos desenhos de Rubín.

Por muitas vezes o leitor vai se pegar encarando as páginas duplas e cada quadro, descobrindo satisfeito a progressão e os detalhes ali presentes. Para que um exemplo seja usado, a entrada de Grendel ao salão de Heorot é perceptível o uso de vários quadros nos trazendo diversas informações que a narrativa nos vai mostrando em seus vários níveis. Seja no caminho que Grendel faz, nos homens de Beowulf dormindo, a visão (que tem a coloração vermelha, como se o monstro enxergasse em infravermelho) que o monstro tem dos humanos ali, indo parar em uma impactante cena em que o monstro quase estupra o herói. Sim, o leitor pode ficar até mesmo sem ar ao encarar os quadros sequências dessa obra.

 

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E esse uso de sequência de quadros e imagens que vão contando diversas situações é muito presente na obra, a começar pela própria capa, onde o rosto de Beowulf e o de Grendel se sobrepõe. Esse não é um quadrinho para aqueles que leem virando as páginas de forma furiosa. Ao contrário. Ao fazer isso, o leitor perderá o grande impacto da obra, podendo até mesmo achar essa história simplista, coisa que ela não é.

 

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E todos esses desenhos são favorecidos pela edição brasileira da editora Pipoca & Nanquim. A editora, que está se especializando no universo das história de capa e espada, lança Beowulf em um formato gigante, do mesmo modo e tamanho que a edição de Marada. A Mulher-Lobo. A edição está bonita e sem erros aparentes, contando com a compilação da obra de García e Rubín, a biografia dos autores e um epílogo de Javier Olivares.

 

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Beowulf se mostrou tão épico nos quadrinhos, com roteiro de Santiago García e desenhos de David Rubín, quanto é no poema original que deu vida à lenda do guerreiro nórdico. A arte em muitas camadas, contando com sequências de quadros arrebatadoras, faz com que a leitura desse quadrinho deva ser mais demorada e contemplativa do que apenas passar as páginas em busca do próximo balão de textos. O épico de Beowulf parece ser imortal, como as últimas paginas dessa história fazem crer. Tudo isso em uma bela edição gigante.

 

Beowulf - Volume Único por [García, Santiago]

 

Ficha Técnica

  • Capa dura, com 204 páginas
  • Editora Pipoca & Nanquim
  • Lançamento em novembro de 2018
  • Preço de capa: R$ 79,90
  • Tamanho: 30,2 x 21,6 x 1,6 cm
  • 10/10
    Roteiro - 10/10
  • 10/10
    Desenhos - 10/10
  • 10/10
    Narrativa - 10/10
  • 10/10
    Edição Nacional - 10/10
10/10

Summary

Santiago García e David Rubín uniram os seus talentos para recriar a lenda de BEOWULF, um poema épico que, passado de geração a geração, perdura há mais de mil anos e tornou-se parte fundamental e um dos pilares da literatura inglesa, inspirando centenas de autores, entre os quais cabe destacar J. R. R. Tolkien e Neil Gaiman. BEOWULF narra a história de um herói escandinavo em terras que viriam a se tornar o que hoje conhecemos como Dinamarca e Suécia. Um terrível monstro chamado Grendel tem atacado o reino dos daneses por doze anos, devorando homens e mulheres, até que Beowulf chega para salvá-los, em busca de glória eterna para seu nome. García capta o tom e os detalhes mais importantes do milenar poema e entrega um roteiro impecável para o desenhista David Rubín brilhar com sua arte e narrativa poderosíssimas, provando ser um dos quadrinistas mais vigorosos desta geração. A dupla de espanhóis segue fielmente o argumento e a estrutura em três atos da história original, mas imprimem sua marca e a transformam em um quadrinho épico com perspectiva contemporânea. A edição da editora Pipoca & Nanquim traz a graphic novel completa acompanhada de textos extras, em grande formato (21 x 30 cm), capa dura com verniz localizado e papel couché colorido de alta gramatura.

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