Terça, 10 De Julho De 2018

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Resenha: Crononautas (Mark Millar e Sean Gordon Murphy)

Lançamento da Millarworld no Brasil é um dos quadrinhos mais preguiçosos de Mark Millar, fugindo do desastre apenas porque os desenhos de Sean Murphy são muito bonitos.

O leitor que já conhece o escritor Mark Millar já sabe qual é a fórmula de escrever do autor: ação cinematográfica, diálogos ágeis e tramas que prestam homenagem à cultura pop.
Ele já fez isso com Starlight, onde o grande homenageado foram os quadrinhos de Flash Gordon. Ele já fez isso em Superior, uma história do Superman de Christopher Reeves. Ele faz isso em O legado de Júpiter, abordando a era de ouro dos heróis e a mudança para uma nova geração mais violenta, como em O Reino do Amanhã.
Mas se engana o leitor que pensa que Millar presta essas homenagens simplesmente com o intuito de reverenciar a cultura pop. Vamos ser claros: o intuito é vender, e não só quadrinhos. Vender propriedades intelectuais de fácil acesso para o grande público que consome cultura pop, visando adaptações para o cinema e para a TV.
Não é a toa que alguns trabalhos de Millar antes mesmo de serem finalizados já eram vendidos para grandes estúdios de cinema. E o roteirista ainda cravou uma jogada de gênio quando vendeu todo (os que ainda não estavam nas mãos de grandes estúdios) o seu catálogo de histórias para a Netflix, tornando-se um roteirista e criador exclusivo da plataforma digital.
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Porém, com o objetivo de fazer com que seus quadrinhos sirvam como um storyboard para adaptações cinematográficas/televisivas fez com que o escritor escrevesse essa que é a sua obra mais desleixada: Crononautas.
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Quando o doutor Corbin Quinn descobre uma forma de viajar no tempo, ele resolve realizar a primeira viagem tripulada pela história da humanidade, usando um traje que o ajuda a levar qualquer ferramenta com ele. Porém, quando Quinn se perde no fluxo cronal, seu amigo Danny Reilly é enviado para buscá-lo. Criado como uma série homenagem aos filmes De Volta para o Futuro e Top Gun (novamente, a questão de usar um produto conhecido para vender o seu quadrinho), Crononautas é uma história sobre viagem no tempo e ponto.
A ficção científica em muito aborda a questão da viagem no tempo. Desde A Máquina do Tempo, de H.G. Wells, passando pelo citado De Volta para o Futuro, umas das obras pop mais cultuadas no cinema. Nos quadrinhos, as histórias de heróis estão recheadas com situações assim. Porém, se ao ler uma história sobre viagem no tempo o leitor almeja uma história densa, mostrando as consequências de se locomover no tempo, esqueça, Crononautas é uma história rasa, apenas focada em momentos de ação e mostrar passagens históricas de forma rápida e sem aprofundar nada.

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Imagem promocional de Crononautas.

 
Se Millar queria homenagear De Volta para o Futuro, só conseguiu fazer uma história bem sem graça de Bill & Ted. Os personagens principais não tem caracterização, ou pior, tem, só que muito muito ruim. Em especial Danny Reilly que se torna genuinamente o personagem mais insuportável que Millar já escreveu. O narcisismo dos dois chega a enervar o leitor. Com diálogos rasos e atitudes de moleques de 12 anos, a obra não deixa de forma alguma o leitor comprar a história. Não há uma suspensão de crença que faça o leitor acreditar naquele universo. Sério, quem em sã consciência deixaria um cara que dá o dedo do meio e só fala através de falas de efeito viajar pelo tempo para realizar um resgate que mudaria o destino da humanidade???
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Porém, a história rasa e seus personagens chatos não são o principal demérito de Crononautas. Mesmo com os dois personagens viajando no tempo e mudando e muito o fluxo cronológico, não há qualquer efeito no presente e nas eras que eles visitam. Mostrando que Millar não queria criar um história como (olha o filme aqui de novo) De Volta para o Futuro 02, onde Martin Mcfly ao viajar para o passado e futuro cria universos paralelos devido às mudanças promovidas no tempo. O roteirista só pensou que visitar Jesus, a era da máfia em Nova York e a era jurássica usando um jato de caça seria muito da hora e estiloso. Para mostrar que a obra não se leva a sério nem em relação a isso, na parte 04 Millar resolve explorar um pouco de Quinn e faz com que ele mexa no seu passado, adaptando-o ao que ele sempre quis. Mas volto a repetir: sem nenhuma explicação ou peso narrativo.
Porém, se Millar escreve como um adolescente, jogando fatos históricos como uma metralhadora sem alvo, o traço de Sean Gordon Murphy salva Crononautas de ser um completo desastre. Os desenhos estão de cair o queixo. As páginas duplas, as ambientações, tudo fica bonito no traço de Murphy. É uma pena que o próprio desenhista não leve muito a sério a história. Por exemplo, ao final da edição 01, um personagem leva uma flechada no peito, porém, no início da segunda edição, a flecha desaparece e tudo fica bem. Faltou não só um cuidado maior do desenhista, faltou um editor que soubesse conduzir essa história toda.
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Se Millar tem essa prática de vender seus quadrinhos como se fossem ouro, prontos para serem adaptados, essa sana por dinheiro parece ter alcançado também à publicação nacional. Contando com 120 páginas (apenas 100 de quadrinhos), a edição só tem as capas originais, algumas alternativas e uma biografia rápida dos seus criadores. Porém, esse trabalho simplório custa exorbitantes R$ 54,00. É muito caro o valor que o leitor pagará por essa história sem sal. Talvez compre pelo nome do autor, já que Mark Millar ainda é muito conhecido por trabalhos como Supremos, Guerra Civil e Supeman Entre a Foice e o Martelo.
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Contando com personagens rasos e insuportáveis, com uma trama que tem zero consequências ao tratar sobre viagens no tempo, mas com desenhos muito bonitos, Crononautas é o trabalho mais preguiçoso de Mark Millar, mostrando que sua escrita decai ao querer fazer meros storyboards para outras mídias.
Nota:
Roteiro: 04/10. Roteiro preguiçoso, personagens mal escritos e diálogos expositivos fazem esse quadrinho ser de rápida leitura e de fácil esquecimento.
Arte: 07/10. Belos desenhos, mas que parecem nem mesmo ligar para a história sendo contada. Porém, se não fosse por Sean Murphy esse quadrinho seria um desastre maior.
Narrativa: 06/10. A trama quase inexiste, só servindo para o autor mostrar alguns períodos históricos e diversas cenas de ação. Infelizmente, esse é um dos quadrinhos mais esquecíveis dos últimos tempos.
Acabamento da edição nacional: 5/10. 100 páginas de quadrinhos, com algumas capas e só. Cobrar R$ 54,00 por uma história que já não é essas coisas afasta o leitor mais ainda desse trabalho de Mark Millar.
Nota Final: 5.5/10.
Ficha técnica:

Número de páginas: 120
Formato: (17 x 26 cm)
Colorido/Capa dura

Preço de capa: R$ 52,00
Lançado em março de 2018

 
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