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Resenha | “A Ascenção Skywalker”: o “melhor” filme de Star Wars já feito

A Ascenção Skywalker deixou um misto reviravoltas e revelações explosivas, mas com uma mensagem rasa. Venha ler nossa resenha do episódio IX da maior saga das galáxias da história do cinema.
Rey e Kylo Ren
LucasFilm (Disney)

A Ascenção Skywalker deixou um misto reviravoltas e revelações explosivas, mas com uma mensagem rasa. Venha ler nossa resenha do episódio IX da maior saga das galáxias da história do cinema.

A famosa frase do começo de todo filme da saga Skywalker já entrega a seguinte informação:

Os Mortos falam!

No contexto, refere-se ao velho e enrugado Sith Lord, Palpatine que retorna dos mortos sem explicação plausível. Todavia, essas palavras se aplicam igualmente a tudo o que acontece em Star Wars: Episódio IX – A Ascensão do Skywalker.

Desde a complicada inclusão de Carrie Fisher até o enredo e a estrutura, o “último” filme de Star Wars está mais preocupado com o passado do que com o futuro. Embora A Ascenção Skywalker pareça muitas vezes melhor se fossem cinco episódios da Disney +, isso não significa que seja um filme ruim. Montado de uma forma errado? Sim, muito. Demasiado longo? Definitivamente. Mas há muito para amar também.

Personagens como o Imperador Palpatine (Ian McDiardmid) e Lando Calrissian (Billy Dee Williams) são uma alegria ver novamente na tela grande e o retorno do diretor J.J. Abrams recupera a magia da trilogia original enquanto cria a melhor batalha de sabres de luz na história da franquia (e talvez também a segunda melhor).

Às vezes, Star Wars: Episódio IX supera todos os outros 10 filmes de Star Wars – quando não está atolado em sua própria mitologia, MacGuffins e fan service. Nunca tinha assistido a um filme com tanto fan service como A Ascensão Skywalker.

A premissa básica de A Ascensão Skywalker é muito complicada de explicar, mas tudo se resume a isso: Palpatine de volta.

Até aqui sem spoiler, certo? O próximo parágrafo é spoiler vindo de todos os lados. Se prepara.

Depois que o Imperador Palpatine se anuncia por uma transmissão misteriosa em toda a galáxia, Kylo Ren (Adam Driver) procura o apodrecido Lord Sith e planeja destruí-lo. Em vez disso, Palpatine oferece a Kylo um exército enorme em troca de um favor simples: “Mate a garota! Acabem com os Jedi! Ao mesmo tempo, as forças combinadas da Primeira Ordem e do exército Sith de Palpatine – agora chamadas de Ordem Final em um lembrete sutil de que tudo isso é apenas uma metáfora do fascismo – começaram a destruir todos os planetas livres da galáxia, dando aos mocinhos apenas 18 horas para encontrar o Imperador e matá-lo novamente.

Star Wars, Rise Skywalker
LucasFilm (Disney)

Essa missão ocupa a maior parte da história, com Rey (Daisy Ridley), Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac), perseguindo uma série de pistas pela galáxia.

Juntar todos esses rostos familiares dá energia A Ascensão Skywalker e, juntos, Ridley, Boyega e Isaac são uma reminiscência do trio carismático que carregava a trilogia original. (Uma cena em que esses novos heróis se infiltram em um Star Destroyer é bastante semelhante a Uma Nova Esperança.)

Mas sua aventura rapidamente se transforma em uma série de buscas no estilo que encontramos nos videogames, com resultados variados. A adaga misteriosa que gerou empolgação nos trailers é um MacGuffin que leva a um segundo MacGuffin, e provavelmente deveria ter sido cortada. (Sim, serve a um objetivo duplo, mas não a um que não poderia ter sido reformulado em outro lugar). Há até um chefe no final de cada missão, e sempre é Kylo Ren – os misteriosos Cavaleiros de Ren que os fãs obcecados queriam saber por anos finalmente aparecem, mas são muito subutilizados e mal deixam uma impressão.

Ocasionalmente, A Ascensão Skywalker se arrasta, mas quando voa, se move em velocidade máxima. O retorno a Endor deve ser a cena mais lindamente filmada e coreografada em qualquer filme de Star Wars. A partir do momento em que chegamos, há algo diferente neste planeta. Oferece cenas de renovação natural e inspiradora, justapostas aos enormes destroços da Estrela da Morte. Quando Rey e Kylo duelam em Endor, é como nada que já vimos antes, dois guerreiros pulando sobre ondas do tamanho de prédios. É um momento que realmente me deixou arrepiado no filme.

Sobre ainda esta cena, Abrams pega o conceito da conexão da Força de Kylo e Rey de O Últimos Jedi e a estende. A quilômetros de distância um do outro, sabres de luz vermelhos e azuis se encontram em uma enxurrada de golpes que dobram as regras do espaço-tempo, enquanto objetos se espalham de um local para outro. Sério mesmo, isso é algo muito legal e cria um mundo de possibilidade incríveis.

O diretor faz um trabalho impressionante ao fundir O Despertar da Força e O Últimos Jedi em uma única história. Não há como negar as diferenças drásticas entre esses dois filmes (Abrams optou em contar sua história da forma como a Disney pediu, enquanto Johnson assumiu riscos que muita gente reclamou), mas A Ascensão Skywalker consegue encontrar um meio termo. Ele incorpora as ideias mais ousadas de Johnson sobre quem participa de Star Wars, enquanto retrocede em algumas das revelações mais esperadas do filme de 2017.

“Nunca tenha medo de quem você é”, diz Leia a Rey, fazendo a ponte e dando a diferença entre os episódios VII e VIII. Por mais confusa que seja, a mensagem em A Ascenção Skywalker parece clara: qualquer pessoa pode ser um herói, independentemente de você ser um Skywalker ou um ninguém.

O papel póstumo de Fisher como Leia é reconhecidamente sensível. Abrams faz um trabalho impressionante de incorporar o material que tinha, mas é impossível não ver as costuras nesse esforço para incluí-la na história. Mesmo se você não soubesse que Fisher já havia morrido quando o filme foi filmado, você sente que algo está errado. A Disney quebrou sua promessa e fez uma Leia em CGI – como a de Rogue One – para finalizar o filme. E a imagem do rosto dela lembra mais algo do videogame do que real e isso não agregou valor a personagem.

A Ascensão Skywalker nos dá mais duas faces da história de Star Wars: Lando Calrissian e Imperador Palpatine. Ambos os atores brilham e, embora Lando tenha um papel limitado, ele é um prazer desde o primeiro momento em que o vemos. Billy Dee Williams parece estar se divertindo mais do que qualquer outra pessoa no filme.

Mas é o imperador Palpatine quem realmente rouba o filme. Ian McDiarmid nunca teve medo de parecer o puro mal, e algumas de suas novas linhas de diálogo vão, sem dúvida, aparecer na história de Star Wars em séries e livros. O spoiler sobre Snoke é brilhante, mas utilizado da pior forma possível.

No entanto, calçar o Imperador na trama exige uma boa quantidade de descrença suspensa – mesmo para Star Wars. Qualquer um que espere por detalhes concretos sobre o personagem ficará desapontado, pelo menos até a Lucasfilm preencher as lacunas com futuras novelizações, quadrinhos, Séries da Disney +, podcasts narrativos e experiências de realidade aumentada na Disneylândia. Porque, cara, forçaram a barra demais, hein?

Mark Hamill também está de volta. Ele consegue uma cena poderosa que expande nossa compreensão de um fantasma da Força, confirmando de uma vez por todas que o velho Luke Skywalker é o melhor Luke Skywalker – enquanto outros ícones de Star Wars ficam aparecendo fora da tela. Não vou estragar uma das maiores surpresas do filme, mas mantenha seus ouvidos abertos e você poderá ouvir algumas vozes familiares.

Novas adições são usadas com moderação; provavelmente uma decisão sábia, considerando quanto A Ascensão Skywalker tem que fazer. Zorii Bliss (Keri Russell) é uma personagem suficientemente boa, que é mais um enredo do que uma pessoa, dando aos nossos heróis as ferramentas e as informações de que eles precisam, enquanto oferece uma tela para o filme esboçar a história de fundo de Poe. Há um novo dróide adorável e Babu Frick, um mecânico de tamanho pequeno que, sem dúvida, aparecerá no seu feed do Instagram, twitter e facebook na próxima semana. Baby Yoda, seus dias como melhor meme podem estar contados.

Star Wars
Lucas Film (Disney)

Mas, certamente, a personagem nova mais forte é sem dúvida Jannah (Naomi Ackie), que desempenha um papel determinante e pode ser o futuro de Star Wars. Ela se une rapidamente a Finn depois de revelar que ela também é uma Stormtrooper, e a conversa deles sugere que ambos podem ter habilidades latentes da Força, dando aos fãs de Os Últimos Jedi algo a que se agarrar na ausência do garoto que aparece no final do filme puxando a vassoura com a força.

Por fim, A Ascensão Skywalker nunca agradaria a todos. Anunciado como o último filme da saga Skywalker, há simplesmente muito espaço para cobrir e muitos personagens com muito pouco destaque. Aqui há material suficiente para uma nova trilogia, mas amontoá-la em um filme resulta em algo meio cozido e um pouco esquecível.

Em A Ascensão Skywalker, você se lembrará de alguns momentos memoráveis como alguns dos melhores da história de Star Wars, mas como filme, o Episódio IX fica em algum lugar no meio do grupo, isso sendo bem otimista.

Rogue One continua sendo a obra-prima definitiva de toda a essência do poder de Star Wars para a cultura pop. Além disso, farei mais algumas análises do filme (a parte técnica, roteiro e produção), por enquanto ficamos aqui e sobre o título do texto é apenas uma forma de chamar atenção e um jogo de palavras com a crítica pesada que o filme sofreu dos “Especialistas”.

Todos os filmes da franquia Star Wars do pior ao melhor

PikachuSama
Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.