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Resenha | Skyward Vol. 01 (Joe Henderson & Lee Garbett)

Com uma trama ágil, em muito ajudada pelos desenhos de Lee Garbett, o volume 01 de Skyward apresenta bons personagens e um mistério bem inusitado que será o norte da história: o que aconteceu com a gravidade do planeta Terra?

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Criar um fator que vai desencadear toda uma nova dinâmica para a sociedade, onde os personagens terão que conviver com as mudanças, sendo que a história mostrará a jornada dos protagonistas por esse novo universo.

Criar histórias assim não é novidade nos quadrinhos e na cultura pop. Para citar alguns exemplos, Y – O Último Homem pode se enquadrar perfeitamente na premissa acima, onde a morte de todos os seres com o cromossomo Y faz com que o último macho da terra tenha que peregrinar por um mundo atrás da solução desse mistério, enquanto procura por sua namorada.

Da mesma forma, The Walking Dead pode ser apontada como a história, que é totalmente influenciada por A Noite dos Mortos Vivos e o Despertar dos Mortos de George Romero, de maior sucesso quando se trata de inserir personagens que tem que se adaptar a uma nova realidade após uma mudança brusca nas relação sociais, já que o apocalipse zumbi ocorreu e os seres humanos restantes devem lutar para se manter vivos e não cair na loucura.

Ou seja, quando bem usada, a fórmula pode gerar excelentes histórias que povoam o imaginário da cultura pop.

É com essa fórmula que estreou em 2019 no Brasil Skyward, da editora americana Image, lançado aqui pela Devir.

E, sim, a fórmula da construção de um novo universo decorrente de uma mudança brusca é bem usada nesse quadrinho de Joe Henderson e Lee Garbett.

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Somos de cara apresentados ao momento onde a gravidade do planeta Terra praticamente some, fazendo com que as pessoas que não estejam dentro de casa, ou segurando algo, e objetos sejam arremessados diretamente para o espaço, morrendo.

Tudo isso é mostrado pelo ponto de vista do pai da protagonista de Skyward, a jovem Willa Fowler. E é através dela que conheceremos essa nova sociedade que se adaptou a “voar” pelos ares, fazendo com que a dinâmica do ser humano mude drasticamente.

E aqui, nesse primeiro volume, começa a construção do universo da obra de Henderson e Garbett, além de nos ser informado que o pai de Willa e seu ex-sócio possam ter tido participação no sumiço da gravidade terrestre.

Pouco nos é apresentado sobre esse mistério, mas muito é mostrado sobre essa nova sociedade, o que é o ponto alto desse volume.

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Como os seres humanos se locomovem, como um erro pode ser fatal, já que todos caem pra cima (pro espaço), como fenômenos da natureza reagem à gravidade zero (sem dúvida, a parte da tempestade é a que vai mais atenção do leitor); nos são apresentados pessoas que negam essa nova vida, vivendo com aparelhos que os fazem ficarem colados ao solo, e como há pessoas que lucram com isso.

É inegável que Skyward chama atenção por esses fatores. Mas esses pontos levantados seriam irrelevantes se os personagens da trama fossem desinteressantes, o que não são.

Realmente, esse primeiro volume tem um ritmo muito ágil, o que fará com que a leitura passe em um piscar de olhos. Mas os personagens principais são apresentados e Willa é uma boa protagonista. O início de sua jornada começa logo aqui, já que nos é apresentado ao seu antagonista, e a sua relação com seu pai é bem trabalhada, sendo que ele se isola dentro de caso por manter um grande segredo e que tem muito a ver com os acontecimentos.

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A arte e as capas de Lee Garbett são outro destaque da edição. Em um mundo em constante movimento, já que até nossos cabelos são afetados pela gravidade, Garbett faz páginas ágeis, juntando o detalhismo dos ambientes com o movimento dos personagens.

A edição da Devir segue o padrão de outras publicações da Image pela editora brasileira, só possuindo as 5 primeiras partes da história e as capas originais. Uma biografia dos autores faria um bem a essa edição, que contou com uma capa exclusiva na Amazon.

Com uma leitura que passa mais rápida do que deveria, Skyward vol. 01 mostrasse um instigante quadrinho onde acompanharemos a sua personagem principal por uma jornada em busca da verdade do porquê a gravidade praticamente desapareceu. Construindo um universo rico, com vários detalhes interessantes, tendo a trama a seu favor páginas ágeis. E, como já fomos apresentados a essa nova realidade e seus personagens principais, resta aguardar a sequência e desenvolvimento dessa boa história.

Capa da AMAZON
Capa exclusiva da Amazon.

Ficha Técnica

  • Capa Cartão, lombada quadrada, com 136 páginas;
  • Editora Devir;
  • Lançamento em agosto de 2019;
  • Preço de capa: R$ 55,00;
  • Tamanho: 17 x 26 cm).
  • 8/10
    Roteiro - 8/10
  • 9/10
    Desenhos - 9/10
  • 9/10
    Narrativa - 9/10
  • 7/10
    Edição Nacional - 7/10
8.3/10

Summary

Em direção ao céu! Um dia, a gravidade na Terra de repente se torna uma fração do que é agora. Vinte anos depois, a espécie humana se adaptou à sua nova realidade de baixa gravidade. E, para Willa Fowler, que nasceu pouco antes do Dia G, isso é ótimo. Afinal, quem não gostaria de planar pelo céu? Mas há perigos também — e não apenas o fato de que, com um passo incerto, você pode sair voando da face da Terra. Alguns perigos se escondem muito mais perto do que ela imagina… O roteirista Joe Henderson e o artista Lee Garbett [Lúcifer, Loki: Agente de Asgard] apresentam uma história que parte de uma premissa inusitada e original: o que aconteceria num mundo sem gravidade. Mas a ausência da força que nos prende à Terra não diminui a gravidade das angústias da nossa personagem principal, a adolescente Willa. Ela sente todos os dias o peso de um evento trágico que afetou toda sua vida. Amizades, primeiros amores, conflitos e aventuras a aguardam nesse mundo de pernas para o ar.

Thiago Ribeiro
Thiago de Carvalho Ribeiro. Apaixonado e colecionador de quadrinhos desde 1998. Do mangá, passando pelos comics, indo para o fumetti, se for histórias em quadrinhos boas, tem que serem lidas e debatidas.